Oceano Pacífico
O maior e mais profundo oceano do planeta: 165,2 milhões de km², o Abismo Challenger com quase 11.000 m e o Anel de Fogo em toda a sua borda.
O Oceano Pacífico é a maior feição isolada da superfície terrestre. Seus 165.250.000 km² cobrem cerca de 46% de toda a água marinha e aproximadamente um terço do planeta, área superior à soma de todas as terras emersas. Estende-se do Estreito de Bering ao litoral antártico e da costa asiática até as Américas, com 15.500 km de norte a sul e quase 20.000 km de leste a oeste no Equador. A profundidade média, de 4.280 m, é a maior entre os oceanos.
Essa dimensão faz do Pacífico o principal regulador térmico do planeta. Nele se forma a piscina quente do Indo-Pacífico ocidental, a maior extensão de água superficial acima de 28 °C do mundo, e dali nasce o El Niño–Oscilação Sul, o modo de variabilidade climática interanual mais influente conhecido. Sua borda, o Anel de Fogo, concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica da Terra.
Ficha técnica
- Nome
- Oceano Pacífico
- Também chamado de
- Pacífico, Mar do Sul
- Tipo de formação
- Oceano
- Localização
- Entre 110° L e 70° O, do Estreito de Bering, a norte, até o litoral da Antártida, a sul, separando a Ásia e a Oceania das Américas.
- Oceano de referência
- Pacífico
- Continentes próximos
- Ásia, Oceania, América do Norte, América do Sul, América Central, Antártida
- Países e territórios
- Rússia, Japão, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Taiwan, Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei, Indonésia, Timor-Leste, Papua-Nova Guiné, Austrália, Nova Zelândia e os Estados insulares da Melanésia, Micronésia e Polinésia; na margem americana, Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru e Chile.
- Área aproximada
- 165.250.000 km²Cerca de 46% da superfície coberta por água e aproximadamente 32% da superfície do planeta. O valor cai para cerca de 161.760.000 km² quando o setor ao sul de 60° S é atribuído ao Oceano Antártico.
- Profundidade média
- 4.280 m
- Profundidade máxima
- 10.994 mAbismo Challenger, Fossa das Marianas. Levantamentos posteriores indicam valores entre 10.902 m e 10.935 m.
- Volume
- Cerca de 660 milhões de km³
- Salinidade
- 33 a 35,5, com média próxima de 34,6
- Temperatura da superfície
- De −1,9 °C junto ao gelo marinho a mais de 30 °C na piscina quente do Pacífico ocidental
- Linha de costa
- Aproximadamente 135.660 km
- Correntes principais
- Kuroshio, Oyashio, Corrente do Pacífico Norte, Corrente da Califórnia, correntes Equatoriais Norte e Sul, Corrente Leste-Australiana e Corrente de Humboldt.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
A publicação Limits of Oceans and Seas, da Organização Hidrográfica Internacional, fixa o limite norte na linha que cruza o Estreito de Bering entre o Cabo Dezhniov, na Rússia, e o Cabo Príncipe de Gales, no Alasca. A oeste, a fronteira com o Índico segue o meridiano 146°49' L, ao sul da Tasmânia, e contorna as passagens entre Sumatra, Java, Timor e a Nova Guiné. A leste, o meridiano 67°16' O, no Cabo Horn, separa o Pacífico do Atlântico.
O limite sul é o ponto disputado. Cartas que não reconhecem o Oceano Antártico levam o Pacífico até a costa da Antártida; as que o reconhecem interrompem a bacia no paralelo 60° S. A diferença ultrapassa 3,4 milhões de km², o bastante para alterar todas as estatísticas publicadas de área e profundidade média.
O leito é dominado pela Placa do Pacífico, a maior da Terra, consumida em zonas de subducção ao longo de quase toda a periferia. Daí resultam as fossas mais profundas conhecidas — Marianas, Tonga, Kuril-Kamchatka e Peru-Chile — e dezenas de milhares de montes submarinos. A bacia reúne também o maior conjunto de mares marginais do mundo, de Bering e Okhotsk ao Mar da China Meridional.
Continentes e países próximos
Mais de quarenta Estados soberanos têm costa pacífica, além de territórios como Nova Caledônia, Polinésia Francesa e Guam. A margem ocidental é densamente povoada e industrializada; a oriental é estreita, comprimida entre os Andes e as Montanhas Rochosas; a porção central pertence a Estados insulares cuja área terrestre é ínfima diante de zonas econômicas exclusivas de milhões de quilômetros quadrados, negociadas em bloco pelo Acordo de Nauru.
- Margem asiática — Rússia, Japão, as duas Coreias, China, Taiwan, Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei, Indonésia e Timor-Leste.
- Oceania — Austrália, Papua-Nova Guiné, Nova Zelândia, Fiji, Salomão, Vanuatu, Samoa, Tonga, Kiribati, Marshall, Micronésia, Palau e Tuvalu.
- Américas — Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru e Chile.
Área e profundidade
O Pacífico é maior que todas as terras emersas somadas e guarda cerca de metade do volume de água marinha do planeta. Sua profundidade média, de 4.280 m, supera a das demais bacias porque as plataformas continentais são estreitas no leste e o leito abissal é pontuado por fossas de subducção, e não pelas dorsais rasas que dominam o Atlântico. A Fossa das Marianas estende-se por 2.550 km em arco, com largura média de 69 km, e em sua extremidade sul fica o Abismo Challenger, o ponto mais profundo conhecido do leito marinho.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 165.250.000 km² | Cerca de 46% da água marinha do planeta |
| Volume | 660 milhões de km³ | Metade do volume oceânico mundial |
| Profundidade média | 4.280 m | A maior entre os oceanos |
| Profundidade máxima | 10.994 m | Abismo Challenger, Fossa das Marianas |
| Linha de costa | 135.660 km | A mais longa entre as bacias oceânicas |
Principais correntes
A circulação superficial organiza-se em dois grandes giros. No norte, o giro subtropical do Pacífico Norte roda no sentido horário: o Kuroshio leva água quente do Japão para nordeste, converte-se na Corrente do Pacífico Norte, desce a costa americana como Corrente da Califórnia e retorna pelo oeste na Corrente Equatorial Norte. No sul, o giro gira em sentido anti-horário, com a Corrente Leste-Australiana, a Deriva dos Ventos do Oeste e a Corrente de Humboldt ao largo do Chile e do Peru.
A Corrente de Humboldt sustenta o sistema de ressurgência mais produtivo do planeta: alísios de sul afastam a água superficial da costa e trazem à tona água fria e rica em nitrato e fosfato vinda de 100 m a 300 m de profundidade. Em anos favoráveis, essa faixa estreita de mar chega a responder por algo próximo de 10% da captura pesqueira mundial.
Clima
O Pacífico abrange todas as faixas climáticas, do gelo sazonal dos mares de Bering e de Okhotsk ao cinturão equatorial permanentemente quente. A piscina quente ocidental mantém temperaturas superficiais acima de 28 °C o ano inteiro e alimenta a convecção que move a célula de Walker, responsável pelos alísios de leste. O noroeste tropical gera o maior número de ciclones do planeta, ali chamados tufões, com média anual próxima de 26 sistemas nomeados.
Quando os alísios enfraquecem, a água quente acumulada no oeste desliza para leste e a ressurgência sul-americana é sufocada: é o El Niño. A fase oposta, com alísios reforçados e águas equatoriais mais frias que a média, é a La Niña. Os episódios são identificados pelo desvio da temperatura superficial na região Niño 3.4, entre 120° O e 170° O, com limiar de ±0,5 °C sustentado por várias estações consecutivas; 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016 foram os mais intensos registrados. As consequências ultrapassam a bacia: um El Niño forte traz chuvas torrenciais ao deserto costeiro do Peru, seca à Indonésia e à Austrália e altera o regime de chuvas do Nordeste brasileiro.
Ecossistemas
O Triângulo de Coral, delimitado por Indonésia, Malásia, Filipinas, Timor-Leste, Papua-Nova Guiné e Ilhas Salomão, é o epicentro global da biodiversidade marinha: abriga cerca de 76% das espécies de corais formadores de recife e mais de 2.000 espécies de peixes recifais. Ao sul, a Grande Barreira de Corais forma o maior conjunto recifal do mundo, com 2.300 km de comprimento.
Nas margens frias, florestas de Macrocystis pyrifera acompanham as costas da Califórnia, do Chile e da Nova Zelândia, com estruturas que crescem até 30 cm por dia. Foi no Pacífico oriental, na Cordilheira das Galápagos, que se descobriram em 1977 as primeiras fontes hidrotermais com comunidades associadas — vermes tubulares Riftia pachyptila, mexilhões e caranguejos sustentados por quimiossíntese, sem luz solar. A bacia abriga ainda as maiores zonas de mínimo de oxigênio subsuperficiais do planeta.
Biodiversidade
A variedade de habitats, do gelo subártico aos recifes equatoriais e das fossas hadais às ilhas isoladas da Polinésia, produz endemismo elevado. Arquipélagos afastados como o Havaí e Galápagos chegam a ter um quarto da fauna recifal local formado por espécies exclusivas, consequência das distâncias que limitam a troca de larvas.
- Atum — O Pacífico ocidental e central responde por mais da metade da captura mundial; bonito-listrado, albacora-laje e patudo são as espécies dominantes.
- Anchoveta peruana — Engraulis ringens já rendeu capturas anuais superiores a 10 milhões de toneladas, as maiores já registradas para uma única espécie.
- Baleia-cinzenta — Eschrichtius robustus migra cerca de 16.000 km entre o Mar de Bering e as lagoas da Baja California.
- Fauna hadal — Anfípodes, holotúrias e o peixe-caracol Pseudoliparis swirei vivem abaixo de 6.000 m, com registro de peixe vivo a mais de 8.300 m.
Ilhas
O Pacífico contém mais ilhas que todos os demais oceanos somados — estimativas correntes falam em cerca de 25.000. São de três tipos: fragmentos continentais, como a Nova Guiné; arcos vulcânicos ligados à subducção, como o Japão e as Marianas; e edifícios vulcânicos intraplaca formados sobre pontos quentes, como o Havaí, que se degradam em atóis de coral ao afundarem lentamente.
- Nova Guiné — 785.753 km², a segunda maior ilha do mundo, dividida entre Indonésia e Papua-Nova Guiné.
- Honshu — 227.960 km², a maior ilha japonesa, sobre o arco de subducção.
- Cadeia Havaí-Imperador — 5.800 km de vulcões e atóis alinhados sobre um ponto quente, com Papahānaumokuākea no trecho noroeste.
- Galápagos — Arquipélago vulcânico no cruzamento de três correntes, hoje reserva marinha.
- Rapa Nui — A Ilha de Páscoa, a 3.500 km da América do Sul, é um dos pontos habitados mais isolados do planeta.
Portos e rotas relevantes
A fachada asiática concentra a maior densidade portuária do mundo: sete dos dez maiores portos de contêineres ficam na China, na Coreia do Sul ou em Taiwan, e a rota transpacífica que os liga à costa oeste norte-americana é um dos eixos comerciais de maior valor.
O Canal do Panamá, aberto em 1914 e ampliado em 2016, encurta em cerca de 13.000 km a viagem entre a Ásia e a costa leste dos Estados Unidos. Como depende da água doce do Lago Gatún, é vulnerável a secas: a estiagem de 2023 e 2024 obrigou a reduzir os trânsitos diários. As alternativas históricas são o Estreito de Magalhães e o Cabo Horn.
| Porto | País | Função predominante |
|---|---|---|
| Xangai | China | Maior porto de contêineres do mundo |
| Ningbo-Zhoushan | China | Maior volume mundial de carga a granel |
| Shenzhen | China | Exportação do delta do Rio das Pérolas |
| Busan | Coreia do Sul | Transbordo do nordeste asiático |
| Los Angeles e Long Beach | Estados Unidos | Entrada da rota transpacífica |
| Balboa | Panamá | Terminal pacífico do canal |
Importância econômica
A pesca pacífica é a maior do mundo em volume: as áreas estatísticas do Pacífico noroeste e centro-oeste lideram há décadas os desembarques globais compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. A gestão dos estoques cabe a comissões regionais, entre elas a Comissão de Pesca do Pacífico Ocidental e Central.
O transporte marítimo é o segundo pilar, e com ele viajam rotas energéticas críticas: o gás natural liquefeito destinado a Japão, Coreia do Sul e China atravessa os estreitos indonésios, e boa parte do petróleo consumido no Leste Asiático passa pelo Mar da China Meridional. Completam o quadro os cabos submarinos de dados, o turismo insular — principal fonte de divisas de vários Estados da Oceania — e a perspectiva, ainda sem escala comercial, de mineração de nódulos na Zona Clarion-Clipperton, com 4,5 milhões de km² sob a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.
Importância ambiental
O Anel de Fogo é o conjunto de zonas de subducção, arcos vulcânicos e falhas transformantes que envolve a bacia por cerca de 40.000 km, do Chile ao Alasca e do Kamchatka à Nova Zelândia. Nele estão três quartos dos vulcões ativos emersos e cerca de 90% dos terremotos do planeta. Os dois maiores sismos já medidos por instrumentos ocorreram em suas bordas: Valdivia, com magnitude 9,5 em 1960, e Tohoku, com magnitude 9,1 em 2011, seguido de um tsunami que matou mais de 18.000 pessoas.
Por sua massa, o Pacífico domina o balanço térmico e de carbono do planeta. O oceano global absorveu mais de 90% do calor adicional retido pelo sistema climático desde meados do século XX e cerca de um quarto do dióxido de carbono de origem humana, e o pH médio de sua superfície caiu cerca de 0,1 unidade desde a era pré-industrial.
A bacia abriga ainda a mais bem documentada acumulação de resíduos plásticos em mar aberto. A Grande Porção de Lixo do Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí, não é uma ilha sólida, mas uma região do giro subtropical norte onde a convergência das correntes concentra fragmentos flutuantes. Levantamentos publicados em 2018 estimaram 1,6 milhão de km² de superfície afetada e massa da ordem de 79.000 toneladas, com predomínio de artes de pesca abandonadas entre os itens maiores.
Problemas de conservação
A sobrepesca é a pressão mais antiga, e o colapso da anchoveta peruana em 1972, desencadeado por um El Niño forte somado a esforço de captura excessivo, é o caso clássico. Estoques de atum-patudo, tubarões oceânicos e peixes de montes submarinos permanecem vulneráveis, e a pesca ilegal segue subtraindo volumes relevantes das zonas econômicas exclusivas insulares.
A elevação do nível do mar é a ameaça mais grave para a região insular. Atóis de Tuvalu, Kiribati e das Ilhas Marshall têm elevação média inferior a 3 m, e o Pacífico ocidental registrou taxas locais de subida várias vezes superiores à média global.
- Branqueamento de corais — Eventos em massa atingiram a Grande Barreira em 1998, 2002, 2016, 2017, 2020, 2022 e 2024.
- Acidificação — Criadouros de ostras no noroeste dos Estados Unidos registraram mortalidades de larvas associadas a água de ressurgência com pH reduzido.
- Mineração em águas profundas — A exploração de nódulos opõe interesse mineral e fauna bentônica de recuperação lentíssima.
- Áreas protegidas de grande escala — Papahānaumokuākea, com 1.508.870 km², e a Área Protegida das Ilhas Fênix, com 408.250 km², estão entre as maiores do mundo.
Curiosidades
- O nome nasceu de uma impressão enganosa: ao cruzar o oceano em 1520, logo depois da tempestuosa passagem pelo estreito que leva seu nome, Fernão de Magalhães encontrou mar calmo e batizou-o Mar Pacífico. Balboa o registrara antes como Mar do Sul.
- O Ponto Nemo, a 48°52' S e 123°23' O, é o lugar do planeta mais distante de qualquer terra firme: a costa mais próxima está a 2.688 km. A região é usada para a reentrada controlada de satélites em fim de vida.
- O Mauna Kea, no Havaí, mede cerca de 10.200 m da base submarina ao cume, valor superior à altitude do Everest medida a partir do nível do mar.
- A Subcorrente Equatorial, identificada em 1952, é um rio submerso de 400 km de largura e apenas 200 m de espessura que corre para leste sob correntes superficiais de sentido oposto.
- O tsunami gerado pelo terremoto de Valdivia, em 1960, chegou ao litoral do Japão cerca de 22 horas depois, ainda com ondas de até 6 m a mais de 17.000 km do epicentro.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- NOAA — National Ocean Service. Ocean facts: Pacific Ocean, ENSO e batimetria, 2025. Consultar publicação
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture, 2024. Consultar publicação
- USGS. Earthquake Hazards Program — sismicidade global e Anel de Fogo, 2025. Consultar publicação
- Lebreton, L. e colaboradores — Scientific Reports. Evidence that the Great Pacific Garbage Patch is rapidly accumulating plastic, 2018. Consultar publicação
- NASA Earth Observatory. El Niño, La Niña e temperatura da superfície do mar, 2025. Consultar publicação
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