Mar da China Meridional
Mar marginal do Pacífico com cerca de 3.500.000 km², corredor de parte decisiva do comércio mundial e palco de disputas territoriais entre seis Estados.
O Mar da China Meridional é o maior mar marginal do Oceano Pacífico e um dos mais intensamente utilizados do planeta. Ocupa cerca de 3.500.000 km² entre a costa meridional da China, o litoral do Vietnã, a Península Malaia, Bornéu e o arco das Filipinas, comunicando-se com o Índico pelo Estreito de Malaca, com o Pacífico aberto pelo Estreito de Luzon e com o Mar da China Oriental pelo Estreito de Taiwan.
A bacia reúne três feições que raramente coincidem: plataformas continentais amplas e rasas nas bordas, um coração oceânico com fundo abaixo de 4.000 m e profundidade máxima de 5.559 m, e centenas de recifes, bancos e ilhotas dispersos no centro. Essa geografia sustenta uma das pescarias mais produtivas do mundo, abriga rotas por onde circula parcela expressiva do comércio marítimo global e alimenta um dos conjuntos de disputas marítimas mais complexos em vigor.
Ficha técnica
- Nome
- Mar da China Meridional
- Também chamado de
- Mar do Sul da China, Mar Oriental, Mar das Filipinas Ocidentais
- Tipo de formação
- Mar
- Localização
- Entre 3° S e 23° N e entre 99° L e 121° L, delimitado pela China meridional, pelo Vietnã, pela Península Malaia, por Bornéu, Palawan e Luzon.
- Oceano de referência
- Pacífico
- Continentes próximos
- Ásia
- Países e territórios
- China, Taiwan, Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei, Indonésia, Singapura, Camboja e Tailândia têm costa ou reivindicações no mar; a delimitação de zonas econômicas exclusivas permanece incompleta em boa parte da bacia.
- Área aproximada
- 3.500.000 km²Valores entre 3.000.000 km² e 3.685.000 km² conforme se incluam ou não os golfos de Tonquim e da Tailândia.
- Profundidade média
- Cerca de 1.200 m
- Profundidade máxima
- 5.559 mBacia central, a leste da Fossa de Manila.
- Volume
- Aproximadamente 3,9 milhões de km³
- Salinidade
- 32 a 34 na superfície, com mínimos junto ao Mekong e ao Rio das Pérolas
- Temperatura da superfície
- De 21 °C no inverno do setor norte a 30 °C no verão equatorial
- Linha de costa
- Aproximadamente 21.000 km
- Correntes principais
- Circulação monçônica reversível, intrusão da Corrente de Kuroshio pelo Estreito de Luzon, transbordo profundo e ondas internas de grande amplitude.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
A publicação Limits of Oceans and Seas, da Organização Hidrográfica Internacional, delimita o mar pelo Estreito de Taiwan, ao norte, e por uma linha que corre de Singapura pelas costas de Sumatra, Banka, Billiton e Bornéu, ao sul; a leste, o limite acompanha Luzon, Mindoro, Panay e Palawan. Os golfos de Tonquim e da Tailândia são reentrâncias do conjunto.
O relevo divide-se em dois domínios. As plataformas do Golfo de Tonquim, do delta do Mekong e da Sonda raramente ultrapassam 100 m. No centro, a Bacia da China Meridional é assoalho oceânico verdadeiro, formado por expansão do fundo entre 32 e 16 milhões de anos atrás.
A margem oriental é tectonicamente ativa: a Fossa de Manila, com pouco mais de 5.400 m, marca a subducção da bacia sob o arco filipino. Do outro lado do arquipélago, já no domínio pacífico, a Bacia das Filipinas abriga a Fossa das Filipinas, cuja Depressão de Emden passa de 10.500 m.
Continentes e países próximos
Dez Estados e territórios têm litoral, plataforma ou reivindicações no mar, e nenhuma outra bacia comparável reúne tantas fronteiras marítimas pendentes. Os acordos existentes são pontuais, como a delimitação entre China e Vietnã no Golfo de Tonquim, firmada em 2000; o centro do mar segue sem fronteiras acordadas.
- China e Taiwan — Reivindicam a maior parte do mar com base em direitos históricos representados pela linha de nove traços, presente em cartas oficiais desde 1947.
- Vietnã — Reivindica integralmente os arquipélagos Paracel e Spratly e ocupa cerca de duas dezenas de elevações das Spratly.
- Filipinas — Reivindicam o grupo Kalayaan e o Baixio de Scarborough, além da zona econômica a oeste de Luzon e Palawan.
- Malásia e Brunei — Reivindicam áreas ao largo de Sabá, Saravaque e da costa do Brunei, com base na plataforma continental.
- Indonésia — Não se declara parte da disputa territorial, mas contesta a sobreposição da linha de nove traços com sua zona econômica ao norte das Ilhas Natuna.
Área e profundidade
A área mais citada gira em torno de 3.500.000 km², o que faz do mar o maior corpo marginal do Pacífico. Cerca de metade da bacia é plataforma rasa; a outra metade desce para uma planície abissal situada entre 4.000 m e 4.400 m, cortada por montes submarinos isolados.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 3.500.000 km² | Com os golfos de Tonquim e da Tailândia |
| Profundidade média | Cerca de 1.200 m | Rebaixada pelas plataformas rasas |
| Profundidade máxima | 5.559 m | Bacia central |
| Extensão norte–sul | Cerca de 3.000 km | De Taiwan à plataforma da Sonda |
| Soleira do Estreito de Luzon | Cerca de 2.400 m | Controla a renovação profunda |
| Renovação da água profunda | 30 a 100 anos | Estimada pelo transbordo em Luzon |
Principais correntes
A circulação superficial é governada pelas monções e inverte duas vezes por ano. Entre novembro e março, a monção de nordeste organiza um giro ciclônico que ocupa quase toda a bacia; entre junho e setembro, a monção de sudoeste inverte o sentido no setor sul e produz uma corrente vigorosa ao largo do Vietnã, que se desprende da costa como um jato para leste.
A ligação com o Pacífico aberto ocorre pelo Estreito de Luzon, com soleira em torno de 2.400 m. Ali um ramo da Corrente de Kuroshio penetra na bacia, e água profunda pacífica transborda para dentro do mar, mantendo o fundo ventilado. O estreito é também o berço de algumas das maiores ondas internas já medidas no oceano: geradas pela maré sobre duas cordilheiras submarinas, deslocam camadas de água em mais de 170 m na vertical e propagam-se para oeste a até 3 m/s.
Clima
O clima é tropical e monçônico. A temperatura da superfície fica entre 28 °C e 30 °C no verão, mas o setor norte esfria de forma sensível no inverno, quando surtos de ar frio continental derrubam a água costeira ao largo de Hainan para valores próximos de 21 °C. A precipitação é abundante e concentrada na monção de sudoeste, com totais anuais acima de 2.000 mm em grande parte das margens.
A bacia está no caminho dos ciclones tropicais do Pacífico noroeste, a região ciclogenética mais ativa do mundo: cerca de dez tufões e tempestades tropicais atingem ou atravessam o mar a cada ano, e alguns se formam dentro dele. O tufão Haiyan, que cruzou o arquipélago filipino em novembro de 2013, está entre os ciclones mais intensos já registrados à chegada em terra. Ressurgências sazonais ao largo do Vietnã e a oeste de Luzon são os principais focos de fertilização de uma bacia pobre em nutrientes.
Ecossistemas
A margem sul e leste integra o Triângulo de Coral, região de maior diversidade de corais construtores do planeta. Estimativas regionais apontam mais de 570 espécies de corais formadores de recife, além de manguezais extensos nos deltas do Mekong e do Rio das Pérolas e pradarias submersas nas plataformas de Palawan e Bornéu.
Os grupos Spratly e Paracel, pequenos em área emersa, apoiam-se sobre estruturas recifais de grande porte e funcionam como fonte de larvas para todo o mar: modelos de dispersão indicam que boa parte da conectividade entre as populações das costas vietnamita, filipina e chinesa passa por eles. Nos fundos profundos, montes submarinos como o Banco Macclesfield abrigam corais de água fria.
Biodiversidade
A bacia figura entre as mais ricas do mundo em espécies marinhas, com mais de 3.300 espécies de peixes registradas no Triângulo de Coral. Essa riqueza convive com uma das maiores pressões pesqueiras já documentadas.
- Tartarugas marinhas — A tartaruga-verde Chelonia mydas e a tartaruga-de-pente Eretmochelys imbricata nidificam nas Spratly e em Tubbataha.
- Dugongo — Dugong dugon mantém populações reduzidas nas pradarias de Palawan e de Hainan.
- Golfinho-corcunda — Sousa chinensis ocorre no estuário do Rio das Pérolas, monitorado desde a década de 1990.
- Atuns — Bonito-listrado e albacora sustentam frotas industriais e artesanais em toda a bacia.
- Peixes de recife — Garoupas e o napoleão Cheilinus undulatus alimentam o comércio de pescado vivo, vetor de pesca com cianeto.
Ilhas
As ilhas do centro do mar são pequenas, baixas e quase sempre sem água doce, mas sua condição jurídica define reivindicações sobre áreas marítimas imensas. A sentença arbitral de 2016 concluiu que nenhuma elevação das Spratly gera zona econômica exclusiva própria.
- Hainan — 33.920 km², maior ilha do mar e província chinesa, com o porto de Sanya ao sul.
- Ilhas Paracel — Cerca de 130 ilhotas e recifes, sob controle chinês desde 1974 e reivindicados por Vietnã e Taiwan.
- Ilhas Spratly — Mais de 100 ilhotas, recifes e bancos dispersos por 425.000 km² de mar, ocupados de forma fragmentada por cinco partes.
- Baixio de Scarborough — Atol a 220 km de Luzon, sob controle efetivo chinês desde 2012.
- Ilhas Pratas — Atol administrado por Taiwan como parque nacional marinho.
- Ilhas Natuna — Arquipélago indonésio na plataforma da Sonda, junto a grandes campos de gás.
Portos e rotas relevantes
A rota que liga o Estreito de Malaca ao nordeste asiático atravessa a bacia inteira. Estimativas amplamente citadas situam o valor das mercadorias que cruzam o mar em torno de US$ 3,4 trilhões por ano, equivalentes a cerca de um terço do comércio marítimo global, e mais da metade do petróleo transportado por mar rumo à China, ao Japão e à Coreia do Sul passa por essas águas.
Os portos ribeirinhos incluem alguns dos maiores terminais de contêineres do planeta: Singapura, na entrada sudoeste, e o complexo do delta do Rio das Pérolas concentram a maior parte da movimentação.
| Porto | País ou território | Função predominante |
|---|---|---|
| Singapura | Singapura | Maior centro de transbordo da Ásia |
| Shenzhen | China | Exportação industrial do delta do Rio das Pérolas |
| Hong Kong | China | Transbordo e serviços logísticos |
| Cai Mep e Ho Chi Minh | Vietnã | Exportação industrial do sul vietnamita |
| Kaohsiung | Taiwan | Transbordo junto ao Estreito de Luzon |
Importância econômica
A pesca é a atividade que envolve mais pessoas: a bacia responde por cerca de 12% da captura marinha mundial e ocupa milhões de trabalhadores. Estimativas acadêmicas indicam queda de 70% a 95% na biomassa de peixes em relação aos níveis da década de 1950 em várias áreas.
Os recursos energéticos são relevantes, embora menores do que sugerem as estimativas mais otimistas: avaliações da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos apontam da ordem de 11 bilhões de barris de petróleo e 5,4 trilhões de metros cúbicos de gás, concentrados nas plataformas próximas às costas e não na bacia central disputada. Somam-se o turismo de Hainan e Palawan, os cabos submarinos e uma aquicultura marinha em rápida expansão.
Importância ambiental
A degradação dos recifes é o problema ambiental mais visível. Levantamentos regionais indicam queda acentuada da cobertura de coral vivo desde a década de 1980, associada a sobrepesca, pesca com explosivos e cianeto, sedimentação costeira e branqueamentos ligados a ondas de calor marinhas. Mais da metade dos recifes da bacia é classificada sob nível alto ou muito alto de ameaça.
Entre 2013 e 2016, obras de dragagem e aterro sobre recifes das Spratly e das Paracel criaram mais de 13 km² de terra nova, com pistas de pouso, portos e instalações permanentes em sete elevações. A documentação técnica reunida na arbitragem de 2016 estima destruição direta de 100 km² a 160 km² de recife, somada aos danos da coleta em larga escala do bivalve gigante Tridacna, extraído raspando o substrato recifal com hélices de embarcações. O Rio das Pérolas e o Mekong figuram, ainda, entre os maiores contribuintes fluviais de resíduos plásticos para o oceano.
Problemas de conservação
Em 12 de julho de 2016, um tribunal arbitral constituído sob o Anexo VII da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, com secretaria da Corte Permanente de Arbitragem, proferiu sentença no caso movido pelas Filipinas contra a China. O tribunal concluiu que não havia base jurídica para a China reivindicar direitos históricos sobre recursos dentro da linha de nove traços além do previsto na Convenção. A China não participou do procedimento, não reconhece a competência do tribunal e declarou a sentença nula; as Filipinas e diversos outros Estados a consideram vinculante e definitiva.
A China e os Estados-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático assinaram em 2002 uma declaração de conduta e negociam desde então um conjunto de regras vinculantes, ainda não concluído. Fora do campo diplomático, a proteção efetiva depende de áreas marinhas nacionais.
- Parque Natural dos Recifes de Tubbataha — Atol filipino com 97.030 ha, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1993 e ampliado em 2009.
- Parque Nacional Marinho de Dongsha — Criado por Taiwan em 2007 em torno do atol das Pratas, com cerca de 3.537 km².
- Moratórias sazonais — A China impõe desde 1999 um defeso anual de verão ao norte de 12° N, contestado pelo Vietnã e pelas Filipinas por abranger águas reivindicadas.
- Lacuna no centro da bacia — Os recifes das Spratly e das Paracel não têm regime de conservação acordado, e propostas de um parque marinho de paz seguem no plano acadêmico.
Curiosidades
- A linha de nove traços apareceu pela primeira vez em um mapa oficial chinês de 1947 com onze traços; dois foram retirados no Golfo de Tonquim na década de 1950, e um décimo traço a leste de Taiwan passou a constar em publicações a partir de 2013.
- Durante o último máximo glacial, com o nível do mar cerca de 120 m abaixo do atual, a plataforma da Sonda estava emersa e formava a Sundalândia, planície contínua que unia a Península Malaia a Sumatra, Java e Bornéu.
- A Ilha de Itu Aba, a maior das Spratly, tem apenas 0,46 km² e foi classificada como rochedo pela sentença de 2016, por não sustentar habitação humana ou vida econômica próprias.
- O naufrágio do Belitung, cargueiro do século IX descoberto em 1998, transportava mais de 60 mil peças de cerâmica chinesa da dinastia Tang e documenta a rota marítima que ligava a China ao Golfo Pérsico.
- As ondas internas do Estreito de Luzon aparecem em imagens de satélite como faixas paralelas com dezenas de quilômetros de extensão.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- Corte Permanente de Arbitragem. The South China Sea Arbitration — Philippines v. China, sentença final, 2016. Consultar publicação
- FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture — área estatística 71, 2024. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- NASA Earth Observatory. Internal Waves in the Luzon Strait, 2019. Consultar publicação
- PNUMA. Strategic Action Programme for the South China Sea, 2019. Consultar publicação
- UNESCO. Tubbataha Reefs Natural Park — Lista do Patrimônio Mundial, 2009. Consultar publicação
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