Grande Barreira de Corais
Parque marinho de 344.400 km² ao longo de cerca de 2.300 km da costa de Queensland, com mais de 2.900 recifes e inscrito no Patrimônio Mundial desde 1981.
A Grande Barreira de Corais é o maior conjunto de recifes de coral do planeta e a maior estrutura já construída por organismos vivos. Estende-se por cerca de 2.300 km sobre a plataforma continental do nordeste da Austrália, do Estreito de Torres à Ilha Lady Elliot, e reúne mais de 2.900 recifes individuais, aproximadamente 900 ilhas e uma laguna interna que separa a barreira externa da costa de Queensland. Como área protegida, corresponde ao parque marinho criado por lei federal em 1975, com 344.400 km², ao qual se somou a inscrição no Patrimônio Mundial da UNESCO em 1981.
A dimensão da unidade é inseparável da sua fragilidade. Desde 1998, o sistema atravessou branqueamentos em massa em intervalos cada vez mais curtos, e o levantamento de longo prazo conduzido pelo instituto australiano de ciências marinhas registrou, em 2025, as maiores quedas anuais de cobertura de coral duro em quase quatro décadas de monitoramento. O caso da Grande Barreira tornou-se, por isso, a referência mundial no debate sobre até que ponto uma área marinha protegida bem administrada consegue resistir a pressões de origem climática que nascem fora de seus limites.
Ficha técnica
- Nome
- Grande Barreira de Corais
- Também chamado de
- Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, Great Barrier Reef
- Tipo de formação
- Área marinha protegida
- Localização
- Entre 10° S e 24° S, sobre a plataforma continental do nordeste da Austrália, do Estreito de Torres à Ilha Lady Elliot.
- Oceano de referência
- Pacífico
- Continentes próximos
- Oceania
- Países e territórios
- Austrália. O parque marinho é federal, administrado por uma autoridade específica em parceria com o estado de Queensland, que responde pelas ilhas e pelas águas costeiras adjacentes.
- Área aproximada
- 344.400 km²O bem inscrito no Patrimônio Mundial em 1981 abrange cerca de 348.700 km², perímetro ligeiramente maior que o do parque marinho.
- Profundidade média
- Cerca de 35 m na laguna interna da plataforma
- Profundidade máxima
- Mais de 2.000 mTalude continental externo, junto ao limite leste do parque, na descida para o Mar de Coral.
- Salinidade
- 34,5 a 35,5
- Temperatura da superfície
- De 22 °C no inverno austral, ao sul, a mais de 30 °C no verão, ao norte
- Linha de costa
- Cerca de 2.300 km de extensão no sentido norte–sul
- Correntes principais
- Corrente Sul-Equatorial, bifurcação em Corrente do Leste da Austrália e Corrente Costeira Hiddenbrook, com ressurgência intermitente na quebra da plataforma.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
O parque marinho ocupa a faixa entre a linha de maré baixa da costa de Queensland e um limite externo que corre além da quebra da plataforma continental. Ao norte, começa perto de 10° S, junto ao Mar de Coral e ao Estreito de Torres; ao sul, termina nas proximidades da Ilha Lady Elliot, em torno de 24° S. A largura vai de cerca de 60 km, na altura de Cairns, a mais de 250 km no setor sul, onde a plataforma se alarga em Swain Reefs e Capricorn-Bunker.
O sistema divide-se em três domínios: a laguna interna, de fundo lamoso e 10 m a 40 m de profundidade; os recifes de plataforma média, em labirintos de meia-lua e de aro; e os recifes ribbon, longos e estreitos, na borda externa do setor norte. A estrutura visível é jovem — os recifes atuais cresceram nos últimos 6.000 a 8.000 anos, sobre fundações calcárias afogadas repetidamente pela oscilação do nível do mar.
Continentes e países próximos
A área está inteiramente sob jurisdição australiana, com administração dividida. O parque marinho é federal, instituído pela lei do parque marinho da Grande Barreira de Corais, de 1975, e gerido por uma autoridade própria; as ilhas e a faixa de águas costeiras pertencem ao estado de Queensland, que mantém parques marinhos estaduais complementares. Um acordo intergovernamental de 1979 criou o modelo de gestão conjunta que ainda vigora.
O parque é uma área de uso múltiplo dividida em zonas. O plano aprovado em 2003 e vigente desde 1º de julho de 2004 elevou de cerca de 4,5% para 33,3% a parcela sob proteção integral, em zonas de parque nacional marinho fechadas a qualquer extração; as demais admitem, em gradação, pesca recreativa, pesca de linha, arrasto de camarão e navegação.
- Reconhecimento internacional — Bem natural do Patrimônio Mundial desde 1981, com cerca de 348.700 km², e sítio de aves migratórias sob acordos com Japão, China e Coreia do Sul.
- Povos tradicionais — Mais de setenta grupos aborígenes e do Estreito de Torres mantêm vínculo tradicional com a área, sob acordos que regulam caça e pesca de subsistência.
- Área contígua — A leste, o parque marinho do Mar de Coral, criado em 2018 com cerca de 989.800 km².
Área e profundidade
O parque marinho abrange 344.400 km², superfície maior que a da Alemanha. Desse total, os recifes de coral propriamente ditos ocupam apenas cerca de 6% — em torno de 20.000 km² —, e o restante corresponde a fundos de areia e lama da laguna, pradarias submarinas, canais e talude continental. Aproximadamente 900 ilhas afloram no perímetro, entre ilhas continentais rochosas e cayos de areia coralina.
A batimetria acompanha a estrutura: a laguna interna tem média em torno de 35 m, a plataforma média oscila entre 20 m e 60 m e a borda externa situa-se entre 70 m e 100 m antes da queda para o talude. O limite leste inclui trechos com mais de 2.000 m de profundidade, já na descida para a Fossa de Queensland, o que faz da unidade um recorte que combina ambientes entremarés e batiais.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área do parque marinho | 344.400 km² | Lei federal de 1975 |
| Área do bem do Patrimônio Mundial | Cerca de 348.700 km² | Inscrição de 1981, perímetro distinto |
| Extensão norte–sul | Cerca de 2.300 km | Do Estreito de Torres à Ilha Lady Elliot |
| Recifes individuais | Mais de 2.900 | Além de cerca de 900 ilhas e cayos |
| Proteção integral | 33,3% da área | Zonas de parque nacional marinho desde julho de 2004 |
| Bacia de drenagem contribuinte | Cerca de 424.000 km² | 35 bacias hidrográficas de Queensland |
Principais correntes
A Corrente Sul-Equatorial atravessa o Oceano Pacífico ocidental e atinge a barreira externa entre 14° S e 18° S, onde se bifurca. O ramo sul dá origem à Corrente do Leste da Austrália, que se intensifica ao longo da costa de Queensland e se torna a principal corrente de contorno oeste do Pacífico Sul; o ramo norte segue em direção à Papua-Nova Guiné. A posição exata dessa bifurcação varia sazonalmente e influencia a temperatura da água em todo o setor central da barreira.
Dentro da plataforma, a circulação é dominada por marés e ventos. As amplitudes de maré variam de cerca de 2 m no norte a mais de 6 m na área de Broad Sound, no setor sul, onde correntes de maré atingem velocidades capazes de manter canais livres de sedimento. Os alísios de sudeste empurram água para noroeste na maior parte do ano, gerando uma deriva costeira que transporta larvas de coral e de peixe ao longo da barreira.
Na borda externa, a Corrente Sul-Equatorial encontra a quebra da plataforma e provoca ressurgências intermitentes que injetam água fria e rica em nutrientes sobre os recifes ribbon. Esse mecanismo, bem documentado no setor entre Cairns e Lizard Island, ajuda a explicar a produtividade de recifes que, de outra forma, estariam cercados por água oligotrófica.
Clima
A região é tropical, com estação chuvosa de dezembro a março e estação seca de maio a outubro. A precipitação anual varia de cerca de 1.000 mm no setor sul a mais de 4.000 mm na faixa de floresta tropical úmida próxima a Innisfail. A temperatura superficial do mar oscila entre 22 °C no inverno austral, ao sul, e mais de 30 °C no verão do setor norte, faixa em que o estresse térmico dos corais começa a se acumular.
Ciclones tropicais são parte do regime natural: em média, quatro a cinco formam-se ou atravessam a região por temporada, e eventos de grande intensidade, como Yasi em 2011 e Debbie em 2017, destroem fisicamente recifes em faixas de dezenas de quilômetros. A recuperação de um recife atingido por ciclone leva de dez a quinze anos em condições favoráveis, prazo hoje mais longo que o intervalo entre perturbações.
O aquecimento alterou esse equilíbrio. Branqueamentos em massa foram registrados em 1998, 2002, 2016, 2017, 2020, 2022, 2024 e 2025 — seis deles apenas desde 2016. O episódio de 2024 apresentou o maior alcance espacial já documentado no sistema, com sinais de branqueamento em cerca de 1.080 dos recifes vistoriados por sobrevoo e branqueamento severo em parcela expressiva deles, incluindo, pela primeira vez, impacto substancial no setor sul.
Ecossistemas
Recifes de coral são apenas um dos ambientes protegidos. A unidade abriga cerca de 43.000 km² de pradarias submarinas, entre as maiores do mundo, que sustentam dugongos e tartarugas-verdes; manguezais em toda a costa adjacente, com uma das maiores diversidades de espécies do planeta; fundos de lama e areia da laguna; bancos de algas calcárias; recifes mesofóticos entre 30 m e 150 m; e o talude continental externo, com corais de água fria.
Nos recifes, a arquitetura varia conforme a exposição. Recifes de aro e de meia-lua desenvolvem cristas de Acropora nas faces expostas e jardins de corais maciços de Porites nas faces abrigadas; colônias individuais de Porites chegam a 8 m de diâmetro e mais de 400 anos de idade, e seus anéis de crescimento funcionam como arquivo climático de séculos.
Os cayos de areia coralina, formados pelo acúmulo de fragmentos de esqueleto trazidos pelas ondas, criam ilhas efêmeras onde nidificam aves marinhas e tartarugas. Michaelmas Cay e Raine Island são os exemplos mais conhecidos: a segunda concentra a maior agregação reprodutiva de tartaruga-verde do mundo, com dezenas de milhares de fêmeas em temporadas de pico.
Biodiversidade
O inventário do parque inclui cerca de 1.625 espécies de peixes, mais de 400 espécies de corais duros, aproximadamente 130 espécies de tubarões e raias, 30 espécies de cetáceos, seis das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo e mais de 200 espécies de aves. A riqueza deriva da posição no Indo-Pacífico ocidental, da variedade de habitats e da extensão latitudinal de catorze graus, que faz o sistema atravessar gradientes térmicos amplos.
- Dugongo — Dugong dugon depende das pradarias submarinas; as populações do setor urbano ao sul de Cooktown sofreram declínio acentuado desde a década de 1960, associado à perda de pradarias após enchentes e ciclones.
- Tartaruga-verde — Chelonia mydas tem em Raine Island, no setor norte, a maior colônia reprodutiva do mundo; a temperatura da areia elevou a proporção de filhotes fêmeas a mais de 99% nas praias setentrionais.
- Estrela-do-mar coroa-de-espinhos — Acanthaster passou por quatro grandes surtos populacionais desde a década de 1960; um único indivíduo adulto pode consumir cerca de 10 m² de coral vivo por ano.
- Peixes de recife de valor comercial — A garoupa-coral Plectropomus leopardus e o pargo-vermelho sustentam a pesca de linha; estudos mostraram aumento de biomassa dessas espécies nas zonas fechadas após 2004.
- Baleia-jubarte — Megaptera novaeangliae usa as águas abrigadas dos Whitsundays como área de parto entre junho e setembro, em população que se recuperou de menos de mil para dezenas de milhares de indivíduos.
- Tubarões e raias — Tubarão-de-recife-de-pontas-negras, tubarão-cinzento e a raia-manta Mobula alfredi figuram entre as espécies mais visadas pelo turismo de mergulho.
Ilhas
Cerca de 900 ilhas afloram dentro do parque, de dois tipos bem distintos. As ilhas continentais são picos rochosos do antigo relevo de Queensland, isolados pela elevação do nível do mar após a última glaciação: têm relevo acentuado, vegetação florestal e água doce, como no arquipélago de Whitsunday, em Hinchinbrook e em Magnetic. Os cayos coralinos são acúmulos de areia de esqueleto calcário sobre plataformas de recife, baixos, planos e sujeitos a mudança de forma a cada temporada de tempestades.
Algumas ilhas concentram funções específicas. Lizard Island e Heron Island abrigam estações de pesquisa que produziram parte substancial do conhecimento científico sobre recifes tropicais. Raine Island, um cayo de vegetação rasteira no setor norte, é a mais importante área de nidificação de tartaruga-verde do planeta e tem acesso restrito. Green Island e Lady Musgrave receberam infraestrutura turística de pequeno porte, e Lady Elliot marca o limite sul do sistema.
- Arquipélago de Whitsunday — 74 ilhas continentais no setor central, com o principal polo de turismo náutico da costa de Queensland.
- Hinchinbrook — Maior ilha do parque, com cerca de 393 km² e manguezais extensos no canal que a separa do continente.
- Lizard Island — Ilha continental próxima aos recifes ribbon, sede de uma estação de pesquisa desde 1973.
- Heron Island — Cayo coralino no grupo Capricorn-Bunker, com estação de pesquisa universitária e recife de acesso direto pela praia.
- Raine Island — Cayo de cerca de 32 hectares com a maior agregação reprodutiva de tartaruga-verde do mundo e uma torre de sinalização de 1844.
- Ilha Lady Elliot — Cayo mais austral do sistema, ponto de encontro conhecido de raias-manta.
Portos e rotas relevantes
A área protegida convive com um dos maiores corredores de exportação mineral do mundo. Doze portos operam na costa adjacente, entre eles Gladstone, Hay Point e Dalrymple Bay, Abbot Point, Mackay, Townsville e Cairns, e o conjunto movimenta carvão, gás natural liquefeito, bauxita, açúcar e contêineres. Estimativas oficiais apontam cerca de 10.000 viagens de navios mercantes por ano em águas do parque, com projeções de crescimento vinculadas à expansão dos terminais de carvão.
Para conciliar esse tráfego com a proteção, a Austrália montou um dos regimes de navegação mais rígidos do mundo. Duas rotas designadas atravessam a área: a rota interna, entre a costa e os recifes, e as passagens externas, como Hydrographers Passage e Grafton Passage. A praticagem é obrigatória em trechos definidos para navios de grande porte, e um serviço de tráfego marítimo específico acompanha em tempo real, por radar e transponder, todas as embarcações acima de determinado porte. A região foi declarada área marinha especialmente sensível pela organização marítima internacional, o que autoriza medidas de proteção mais severas do que as normalmente permitidas.
O histórico justifica o rigor. Em abril de 2010, o graneleiro Shen Neng 1 encalhou no Banco Douglas, ao largo de Gladstone, e abriu na estrutura recifal uma cicatriz de cerca de 3 km contaminada por tinta antiincrustante, cuja remediação levou anos. Fundeadouros autorizados, zonas de exclusão em torno de recifes e restrições a despejo de água de lastro completam o arranjo. Para o turismo, os principais acessos são Cairns, Port Douglas, Airlie Beach e Gladstone, de onde partem as embarcações licenciadas para os recifes e ilhas.
| Ponto | Função | Observação |
|---|---|---|
| Gladstone | Carvão, gás natural liquefeito e alumina | Maior complexo portuário no limite sul do parque |
| Hay Point e Dalrymple Bay | Exportação de carvão | Entre os maiores terminais carboníferos do mundo |
| Townsville | Carga geral, minério e base científica | Sede da autoridade gestora e do instituto de ciências marinhas |
| Cairns e Port Douglas | Turismo e pesquisa | Principais portas de embarque para os recifes do setor norte |
| Rota interna e Hydrographers Passage | Navegação mercante | Praticagem obrigatória e monitoramento por serviço de tráfego |
Importância econômica
Um estudo de 2017 encomendado a uma consultoria independente estimou o valor do ativo econômico, social e simbólico da Grande Barreira em 56 bilhões de dólares australianos, com contribuição anual de cerca de 6,4 bilhões e sustentação de aproximadamente 64 mil empregos. O turismo responde pela maior parte dessa cifra: cerca de dois milhões de visitantes por ano usam operadores licenciados, concentrados nos setores de Cairns e dos Whitsundays, e pagam uma taxa de gestão ambiental destinada à administração do parque.
A pesca comercial é pequena em comparação, mas socialmente relevante ao longo da costa. Baseia-se no arrasto de camarão, na pesca de linha de garoupas e pargos, na captura de pepino-do-mar e na coleta de peixes ornamentais e de corais vivos para aquariofilia, todas sob quota e licença. A pesca recreativa envolve centenas de milhares de praticantes em Queensland.
A economia terrestre do entorno é parte do problema ambiental e da solução. Cultivo de cana-de-açúcar, bananicultura e pecuária extensiva ocupam as bacias que drenam para o parque, e programas de melhoria de práticas agrícolas passaram a integrar o orçamento de conservação. Somam-se ainda a agenda mineral: a exportação de carvão da bacia de Galilee e de Bowen depende de terminais situados na borda da área protegida, o que fez de cada licença de ampliação portuária um episódio de disputa pública.
Importância ambiental
A Grande Barreira é o exemplo mais estudado do planeta sobre o funcionamento de recifes tropicais. O monitoramento de longo prazo iniciado em 1986, com vistorias anuais em mais de cem recifes, é o registro contínuo mais extenso de qualquer ecossistema recifal, e séries de crescimento extraídas de colônias centenárias de Porites fornecem reconstruções de temperatura, chuva e aporte de sedimento anteriores a qualquer medição instrumental na região.
Os serviços ecológicos são igualmente concretos. A barreira dissipa energia de ondas e reduz o impacto de ciclones sobre a costa de Queensland; as pradarias e manguezais associados retêm carbono e sedimento; e os recifes sustentam estoques pesqueiros que se dispersam para além dos limites do parque. Estudos realizados após o zoneamento de 2004 mostraram aumento mensurável de biomassa de peixes-alvo nas zonas fechadas e transbordamento para áreas vizinhas abertas à pesca.
A comparação com outras grandes unidades ajuda a situar seu papel. Enquanto Papahānaumokuākea protege um sistema quase desabitado, a Grande Barreira convive com portos, agricultura intensiva e milhões de visitantes: é o caso-teste de conservação de um ecossistema de escala continental sob uso humano intenso e contínuo.
Problemas de conservação
O branqueamento em massa passou de anomalia a evento recorrente. Antes de 1998, episódios desse tipo eram raros; desde 2016, ocorreram em 2016, 2017, 2020, 2022, 2024 e 2025. O levantamento divulgado em agosto de 2025, baseado em 124 recifes vistoriados entre agosto de 2024 e maio de 2025, mediu queda de cobertura de coral duro nos três setores, com perdas de até 70% em recifes individuais próximos a Lizard Island, e concluiu que os ganhos rápidos dos anos anteriores foram revertidos.
A qualidade da água é o segundo problema estrutural e o único que a Austrália pode tratar por conta própria. O desmatamento e a agricultura nas bacias de Queensland multiplicaram a carga de sedimento fino, de nitrogênio inorgânico dissolvido e de agrotóxicos que chega à laguna após as chuvas de verão. Nitrogênio em excesso favorece a sobrevivência de larvas da estrela-do-mar coroa-de-espinhos, ligando diretamente o escoamento agrícola aos surtos que consomem coral vivo. O plano governamental de qualidade da água estabeleceu metas de redução dessas cargas, cumpridas apenas parcialmente segundo os relatórios de acompanhamento.
- Debate sobre a lista de perigo — Em 2021, a UNESCO propôs incluir o bem na lista do patrimônio mundial em perigo; após intensa atuação diplomática australiana, o comitê adiou a decisão, uma missão de monitoramento em 2022 recomendou a inclusão e, em 2023, o comitê optou por não listar, mantendo exigência de relatórios periódicos.
- Coroa-de-espinhos — Um programa permanente de controle, com equipes de mergulhadores, já eliminou milhões de indivíduos; em 2025, nenhum surto estabelecido foi registrado nos recifes do setor central onde o controle é mais intenso.
- Ciclones — A destruição física provocada por ciclones intensos exige de dez a quinze anos de recuperação, prazo maior que o intervalo médio atual entre perturbações graves.
- Expansão portuária — Projetos de ampliação de terminais de carvão e a dragagem associada permanecem em disputa; desde 2015, o descarte de rejeito de dragagem de manutenção dentro do parque está proibido.
- Pesca e captura acidental — O arrasto de camarão e as redes de proteção de praias capturam tartarugas, dugongos e elasmobrânquios; dispositivos de escape e restrições espaciais reduziram, mas não eliminaram, essas perdas.
Curiosidades
- O rearranjo de zoneamento que entrou em vigor em 1º de julho de 2004 elevou a parcela sob proteção integral de cerca de 4,5% para 33,3% da área do parque, a maior mudança de regras de uso já aplicada de uma só vez a uma área marinha protegida.
- A bacia hidrográfica que drena para o parque soma cerca de 424.000 km² em 35 rios de Queensland — superfície maior que a da própria área protegida, o que faz da agricultura no continente um fator determinante da saúde dos recifes.
- Colônias do coral maciço Porites na Grande Barreira ultrapassam 8 m de diâmetro e 400 anos de idade, e seus anéis de crescimento anuais registram temperatura, chuva e chegada de sedimento século a século.
- Raine Island, um cayo de cerca de 32 hectares no setor norte, concentra a maior agregação reprodutiva de tartaruga-verde do mundo, com dezenas de milhares de fêmeas em temporadas de pico.
- Em abril de 2010, o encalhe do graneleiro Shen Neng 1 no Banco Douglas abriu no recife uma faixa destruída de cerca de 3 km, contaminada por tinta antiincrustante, cuja remoção exigiu anos de obra submarina.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- UNESCO — Centro do Patrimônio Mundial. Great Barrier Reef (bem natural inscrito em 1981), 1981. Consultar publicação
- Instituto Australiano de Ciências Marinhas. Long-Term Monitoring Program Annual Summary Report of Coral Reef Condition 2024/25, 2025. Consultar publicação
- Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais. Great Barrier Reef Outlook Report, 2024. Consultar publicação
- Organização Marítima Internacional. Particularly Sensitive Sea Areas: Great Barrier Reef and Torres Strait, 2023. Consultar publicação
- Protected Planet — PNUMA-WCMC e UICN. Base mundial de áreas protegidas: Great Barrier Reef Marine Park, 2025. Consultar publicação
- Lista Vermelha da UICN. Dugong dugon e Chelonia mydas, 2024. Consultar publicação
- NASA Earth Observatory. Great Barrier Reef bleaching and reef structure imagery, 2024. Consultar publicação
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