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DatingYes Oceanos e Mares
Vocabulário

Glossário de geografia marinha

68 termos de oceanografia, geografia e conservação explicados em linguagem direta, na mesma acepção em que aparecem nos verbetes do acervo.

Formações e feições geográficas

Como se distinguem oceanos, mares, golfos, baías, estreitos e as feições do fundo marinho.

Oceano

Cada uma das grandes divisões contínuas da água salgada do planeta. A Organização Hidrográfica Internacional e as agências nacionais reconhecem cinco: Pacífico, Atlântico, Índico, Ártico e Antártico, sendo este último objeto de reconhecimento mais recente e ainda desigual entre países.

Mar

Porção de oceano parcialmente cercada por terra, ilhas ou correntes, com identidade hidrográfica própria. Mares marginais abrem-se amplamente ao oceano; mares semifechados comunicam-se por passagens estreitas; mares interiores podem estar completamente isolados.

Golfo

Grande reentrância do oceano na linha de costa, em geral mais ampla e profunda que uma baía. A distinção entre golfo e baía é convencional e histórica, não física: o Golfo de Bengala é maior que muitos mares, e a Baía de Hudson supera vários golfos.

Baía

Entrada de mar abrigada pela terra, normalmente menor que um golfo e associada a estuários, portos naturais e ecossistemas costeiros de alta produtividade.

Estreito

Passagem natural estreita que liga dois corpos de água maiores. Muitos estreitos concentram fluxos de comércio desproporcionais à sua área e recebem regimes jurídicos específicos de passagem em trânsito.

Canal natural

Corredor marinho alongado formado por processos geológicos, sem escavação humana. Distingue-se dos canais artificiais, como Suez e Panamá, que são obras de engenharia.

Bacia oceânica

Grande depressão do fundo do mar delimitada por dorsais, elevações e margens continentais. É onde se acumulam sedimentos e onde se organiza boa parte da circulação profunda.

Planície abissal

Superfície muito plana do fundo oceânico, tipicamente entre 3.000 m e 6.000 m de profundidade, formada pelo acúmulo de sedimentos finos sobre a crosta basáltica.

Dorsal meso-oceânica

Cadeia montanhosa submarina onde placas tectônicas se afastam e nova crosta oceânica é criada. A Dorsal Meso-Atlântica é o exemplo mais extenso, percorrendo o Atlântico de norte a sul.

Fossa oceânica

Depressão estreita e profunda associada a zonas de subducção, onde uma placa mergulha sob a outra. As maiores profundidades conhecidas do planeta estão em fossas do Pacífico ocidental.

Monte submarino

Elevação isolada do fundo do mar, quase sempre de origem vulcânica, que não alcança a superfície. Montes submarinos concentram vida por desviarem correntes e forçarem a subida de nutrientes.

Plataforma continental

Prolongamento submerso do continente, de declive suave, que vai da linha de costa até a quebra da plataforma, normalmente entre 100 m e 200 m de profundidade. Concentra a maior parte da pesca mundial.

Talude continental

Trecho de declive acentuado entre a quebra da plataforma continental e o fundo oceânico profundo, frequentemente cortado por cânions submarinos.

Soleira

Elevação submersa na entrada de um mar ou estreito que limita a troca de água profunda com o oceano vizinho. A soleira de Gibraltar, por exemplo, controla a renovação de todo o Mediterrâneo.

Atol

Recife de coral em forma de anel, com uma lagoa interna, formado sobre um vulcão que afundou lentamente. A hipótese explicativa foi proposta por Charles Darwin em 1842.

Circulação, correntes e massas de água

Os mecanismos que movem a água do mar e distribuem calor pelo planeta.

Corrente oceânica

Deslocamento organizado e persistente de água do mar. Correntes superficiais são movidas sobretudo pelo vento; correntes profundas, por diferenças de densidade.

Circulação termoalina

Movimento das águas profundas comandado por diferenças de temperatura e salinidade. Água fria e salgada afunda em poucas regiões de altas latitudes e retorna à superfície ao longo de séculos.

AMOC

Sigla, em inglês, da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico. Transporta calor do hemisfério sul e dos trópicos para o Atlântico Norte e é peça central do clima europeu.

Giro oceânico

Sistema de correntes que circula em grande escala dentro de uma bacia, no sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no sul. Os giros subtropicais acumulam detritos flutuantes em seu centro.

Ressurgência

Subida de água profunda, fria e rica em nutrientes até a superfície, geralmente provocada pelo vento junto à costa. Sustenta as pescarias mais produtivas do mundo.

Convecção profunda

Afundamento de água superficial que se tornou densa pelo resfriamento invernal ou pela formação de gelo. Ocorre em poucos lugares, como o Mar do Labrador, o Golfo de Leão e o Mar de Weddell.

Massa de água

Volume de água do mar com combinação característica de temperatura e salinidade, adquirida na região onde se formou, que permite rastreá-lo por milhares de quilômetros.

Termoclina

Camada em que a temperatura cai rapidamente com a profundidade, separando a água superficial aquecida da água fria abaixo.

Haloclina

Camada em que a salinidade muda de forma abrupta com a profundidade. É especialmente marcada em mares que recebem muita água doce, como o Báltico e o Ártico.

Picnoclina

Camada de variação rápida da densidade, resultante da combinação entre termoclina e haloclina. Funciona como barreira à mistura vertical.

Onda interna

Onda que se propaga dentro da coluna d'água, na interface entre camadas de densidades diferentes. Pode ter dezenas de metros de amplitude e ser visível em imagens de satélite.

Maré

Variação periódica do nível do mar provocada pela atração gravitacional da Lua e do Sol. A amplitude depende fortemente da geometria da bacia: quase nula no Mediterrâneo, supera 15 m na Baía de Fundy.

Circulação estuarina e antiestuarina

Na estuarina, típica de mares que recebem muita água doce, a água menos salgada sai pela superfície. Na antiestuarina, típica de mares onde a evaporação domina, a água densa sai pelo fundo.

Medidas, propriedades e instrumentos

Como se mede a profundidade, a salinidade e a extensão de um corpo de água.

Batimetria

Medição e representação das profundidades do fundo do mar. Levantamentos modernos usam ecobatímetros multifeixe; grandes áreas do oceano ainda são conhecidas apenas por estimativas derivadas de satélite.

Salinidade

Quantidade de sais dissolvidos na água do mar. A média oceânica ronda 35, em unidades da escala prática de salinidade, que é adimensional. O Báltico fica abaixo de 10; o Mar Vermelho ultrapassa 40.

Profundidade média

Razão entre o volume de água e a área de superfície de um corpo de água. É mais representativa do conjunto do que a profundidade máxima, que descreve um único ponto.

Tempo de residência

Tempo médio que uma molécula de água permanece em um corpo de água antes de ser substituída. Quanto maior, mais lentamente o sistema se recupera de contaminações.

GEBCO

Carta Batimétrica Geral dos Oceanos, projeto conjunto da Organização Hidrográfica Internacional e da Comissão Oceanográfica Intergovernamental que mantém a grade batimétrica global de referência.

S-23

Publicação especial da Organização Hidrográfica Internacional intitulada Limits of Oceans and Seas, cuja terceira edição, de 1953, ainda é a referência mais citada para os limites entre mares. Uma quarta edição foi proposta em 1986 e nunca aprovada.

Zona econômica exclusiva

Faixa de até 200 milhas náuticas a partir da linha de base onde o Estado costeiro tem direitos soberanos sobre os recursos, conforme a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Milha náutica

Unidade de distância marítima equivalente a 1.852 m, correspondente a um minuto de arco de meridiano.

TEU

Unidade equivalente a um contêiner de vinte pés, usada para medir a movimentação dos portos.

Ecossistemas e vida marinha

Os ambientes e processos biológicos citados ao longo do acervo.

Zona fótica

Camada superficial em que há luz suficiente para a fotossíntese, geralmente até 200 m. Abaixo dela começa a zona afótica, onde a produção primária depende de matéria que afunda ou de quimiossíntese.

Zona abissal

Faixa de profundidade entre cerca de 4.000 m e 6.000 m, de temperatura estável próxima de 2 °C, escuridão permanente e pressão extrema. Abaixo de 6.000 m começa a zona hadal.

Bentos e plâncton

Bentos designa os organismos que vivem no fundo; plâncton, os que flutuam à deriva na coluna d'água. Nécton é o conjunto dos que nadam ativamente.

Produção primária

Quantidade de matéria orgânica gerada por fitoplâncton e algas a partir de luz e nutrientes. É a base de quase todas as cadeias alimentares marinhas.

Oligotrófico e eutrófico

Águas oligotróficas são pobres em nutrientes e muito transparentes; águas eutróficas são ricas em nutrientes e sustentam alta produção, mas podem sofrer com falta de oxigênio.

Zona de mínimo de oxigênio

Faixa de profundidade em que o oxigênio dissolvido cai a níveis muito baixos, em geral entre 200 m e 1.000 m. É natural em algumas regiões, como o Mar Arábico, e vem se expandindo.

Zona morta

Área em que a decomposição do excesso de matéria orgânica consome quase todo o oxigênio da água de fundo, inviabilizando a vida animal. A eutrofização de origem agrícola é a causa mais comum.

Branqueamento de corais

Perda das algas simbiontes que vivem nos tecidos do coral, geralmente provocada por calor anômalo. O coral não morre imediatamente, mas fica sem sua principal fonte de energia.

Pradaria marinha

Formação submersa de plantas com flores adaptadas à água salgada, como a Posidonia oceanica e o capim-agulha. Estabiliza sedimentos e armazena grandes quantidades de carbono.

Manguezal

Floresta costeira tropical adaptada a solos salinos e alagados, que funciona como berçário de peixes e crustáceos e como barreira natural contra ressacas.

Carbono azul

Carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos, sobretudo manguezais, pradarias marinhas e marismas.

Espécie invasora

Organismo introduzido fora de sua área natural que se estabelece e causa danos ecológicos ou econômicos. Água de lastro e canais artificiais são as principais vias de introdução no mar.

Migração lessepsiana

Chegada de espécies do Mar Vermelho ao Mediterrâneo através do Canal de Suez. O nome remete a Ferdinand de Lesseps, responsável pela obra concluída em 1869.

Endemismo

Condição de uma espécie que ocorre naturalmente apenas em determinada área. Mares isolados e ilhas oceânicas costumam ter altas taxas de endemismo.

Clima, gelo e mudanças

Termos ligados ao papel do oceano no sistema climático.

Gelo marinho

Gelo formado pelo congelamento da própria água do mar. Distingue-se dos icebergs, que se desprendem de geleiras e plataformas de gelo e são feitos de água doce.

Plataforma de gelo

Extensão flutuante de um manto de gelo continental sobre o mar. Funciona como freio do gelo terrestre; quando se rompe, o escoamento de gelo para o oceano acelera.

Polínia

Área de água aberta cercada por gelo marinho, mantida pelo vento ou pela subida de água mais quente. Concentra vida em regiões polares durante o inverno.

Amplificação ártica

Fenômeno pelo qual o Ártico aquece várias vezes mais rápido que a média global, sobretudo pela perda de gelo e neve, que reduz a fração de luz solar refletida.

El Niño e La Niña

Fases opostas de uma oscilação natural do Pacífico tropical que altera padrões de chuva e temperatura no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Acidificação dos oceanos

Queda do pH da água do mar causada pela absorção de dióxido de carbono atmosférico. Dificulta a formação de conchas e esqueletos calcários.

Onda de calor marinha

Período prolongado de temperatura da superfície do mar muito acima do normal para a época e o local. Provoca branqueamento de corais e mortalidades em massa de invertebrados.

Monção

Sistema de ventos que inverte de sentido entre as estações, com efeitos diretos sobre as correntes do norte do Oceano Índico.

Conservação e gestão

Instrumentos, categorias e organismos citados nas seções de conservação.

Área marinha protegida

Espaço marinho delimitado e gerido para conservação da natureza. O grau de restrição varia da proteção integral, sem extração, ao uso múltiplo regulado.

Proteção integral

Regime em que nenhuma atividade extrativa é permitida. Estudos comparativos mostram ganhos de biomassa muito maiores nessas áreas do que em zonas apenas parcialmente restritas.

Rendimento máximo sustentável

Maior captura média que um estoque pesqueiro consegue sustentar indefinidamente. Pescar acima desse nível reduz a população e, com o tempo, também a captura.

Pesca ilegal, não declarada e não regulamentada

Conjunto de práticas que escapam ao controle das autoridades pesqueiras. É considerada uma das maiores ameaças à sustentabilidade dos oceanos.

Água de lastro

Água bombeada para dentro do navio para dar estabilidade. Ao ser descarregada em outro porto, transporta organismos vivos entre regiões distantes.

CNUDM

Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, em vigor desde 1994. Define zonas marítimas, direitos de passagem e obrigações de proteção do meio marinho.

CCAMLR

Comissão para a Conservação da Fauna e Flora Marinhas da Antártida, criada em 1982, responsável pela gestão pesqueira e pelas áreas protegidas do Oceano Antártico.

Meta 30x30

Compromisso do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, de 2022, de proteger efetivamente 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.

Amazônia Azul

Designação usada no Brasil para o conjunto das águas jurisdicionais brasileiras, incluindo mar territorial, zona econômica exclusiva e a plataforma continental estendida pleiteada pelo país.