Fontes e metodologia
Uma descrição honesta do processo: quais fontes têm precedência, o que fazemos quando elas discordam e onde estão os limites do que este acervo pode afirmar.
Hierarquia das fontes
Nem toda fonte tem o mesmo peso. A redação segue uma ordem de precedência, aplicada campo a campo:
- Organismos hidrográficos e oceanográficos oficiais — Organização Hidrográfica Internacional, Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, NOAA, serviços hidrográficos nacionais, incluindo a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil.
- Bases de dados globais de referência — a grade batimétrica GEBCO para profundidades, a base mundial de áreas protegidas do PNUMA-WCMC e da UICN, a Lista Vermelha da UICN para estado de conservação de espécies.
- Agências setoriais das Nações Unidas — FAO para pesca e aquicultura, Organização Marítima Internacional para navegação, PNUMA para meio ambiente, UNESCO para patrimônio.
- Literatura científica revisada por pares — usada sobretudo para processos oceanográficos, ecologia e reconstruções históricas, com preferência por artigos de revisão e por trabalhos com identificador digital estável.
- Institutos de pesquisa e universidades — usados para contexto regional e para temas onde a literatura ainda é escassa.
Portais de notícias e enciclopédias colaborativas não são usados como fonte de dados. Podem servir de pista para localizar a publicação original, que é então consultada e citada em seu lugar.
Como tratamos cada tipo de dado
| Informação | Origem preferencial | Cuidado principal |
|---|---|---|
| Limites e nomes | Publicação S-23 da OHI e serviços hidrográficos nacionais | A edição de referência é de 1953; propostas posteriores nunca foram ratificadas |
| Área | Cálculo das agências oceanográficas sobre limites declarados | Depende de quais bacias anexas foram incluídas |
| Profundidade máxima | Sondagem direta publicada; GEBCO como referência secundária | Sondagens históricas e modelagens recentes divergem com frequência |
| Profundidade média | Razão entre volume e área, quando publicada | Muito sensível ao limite adotado |
| Correntes | Literatura oceanográfica e serviços operacionais | Transportes variam por estação e por método de medição |
| Pesca | Avaliações da FAO e dos organismos regionais | Estatísticas dependem de declaração e subestimam a pesca ilegal |
| Áreas protegidas | Base mundial de áreas protegidas e órgãos nacionais | Área declarada e área efetivamente protegida raramente coincidem |
| Espécies ameaçadas | Lista Vermelha da UICN | A avaliação pode estar desatualizada para grupos pouco estudados |
O que fazemos quando as fontes discordam
Divergência é a regra, não a exceção, sobretudo em área e profundidade máxima. O procedimento é sempre o mesmo:
- Identificar a definição usada por cada fonte, porque boa parte das discordâncias é de recorte, não de medição.
- Apresentar na ficha técnica o valor mais amplamente adotado, com a definição correspondente.
- Registrar as demais estimativas e sua origem no bloco de divergências da seção de área e profundidade.
- Nunca calcular médias entre valores incompatíveis nem apresentar uma cifra sem indicar a que recorte ela se refere.
Três exemplos recorrentes: a área do Mediterrâneo muda em quase meio milhão de quilômetros quadrados conforme se incluam ou não o Mármara e o Mar Negro; a profundidade do Abismo Challenger tem valores publicados que variam em quase cem metros entre expedições; e o próprio reconhecimento do Oceano Antártico varia entre instituições.
Unidades e convenções de escrita
- Áreas em quilômetros quadrados; profundidades em metros; volumes em quilômetros cúbicos.
- Separador de milhar por ponto e decimal por vírgula.
- Salinidade em unidades da escala prática, adimensional, com valor típico oceânico próximo de 35.
- Nomes geográficos na forma mais corrente, com as denominações alternativas registradas.
- Nomes científicos em itálico, seguindo a nomenclatura binomial aceita.
Os mapas
Os mapas de localização que acompanham os verbetes são desenhados especificamente para este acervo, em projeção cilíndrica equidistante ajustada à latitude de cada recorte. A geometria das linhas de costa deriva do conjunto Natural Earth, de domínio público, em resolução generalizada.
São mapas de localização, não cartas. A área destacada indica de forma aproximada a região descrita no verbete e não representa fronteira marítima, limite jurisdicional nem delimitação oficial de nenhum tipo. Para navegação, use exclusivamente cartas náuticas oficiais.
Limites do que podemos afirmar
Grande parte do fundo oceânico nunca foi medida diretamente: boa parte da batimetria global vem de estimativas derivadas de satélite, com resolução horizontal de quilômetros. Estatísticas de pesca dependem de declaração voluntária. Estimativas de biodiversidade variam conforme o esforço de amostragem, que é enormemente desigual entre regiões. Sempre que um número carrega esse tipo de incerteza, o verbete indica.
Direitos e uso de material de terceiros
Os textos são originais. Os mapas são produzidos a partir de dados de domínio público. Não reproduzimos imagens, tabelas ou trechos protegidos por direitos autorais sem autorização. Se você identificar algum conteúdo que julgue indevidamente utilizado, escreva para [email protected] e a apuração será imediata.