Ir para o conteúdo
DatingYes Oceanos e Mares
Mar Oceano Pacífico

Mar de Coral

Mar marginal do Pacífico com cerca de 4.791.000 km², onde nasce a Corrente Leste-Australiana e se estende a Grande Barreira de Corais.

Mapa de localização de Mar de Coral, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre a costa de Queensland, o arquipélago das Louisiades, as Ilhas Salomão, Vanuatu e a Nova Caledônia, com os planaltos submersos ao centro.

O Mar de Coral ocupa o setor sudoeste do Oceano Pacífico, entre a costa nordeste da Austrália, a Papua-Nova Guiné, as Ilhas Salomão, Vanuatu e a Nova Caledônia. Com aproximadamente 4.791.000 km², é um dos maiores mares marginais do planeta e o único cujo nome deriva diretamente das estruturas biológicas que o caracterizam: sua margem ocidental abriga a Grande Barreira de Corais, o maior sistema recifal do mundo.

Ao contrário da maioria dos mares marginais, o Mar de Coral não é raso. Sua profundidade média se aproxima de 2.400 m, e o fundo alterna bacias abissais, planaltos carbonáticos submersos e fossas de subducção que ultrapassam 9.000 m na borda norte. Entre esses extremos erguem-se dezenas de recifes isolados que sobem de mais de mil metros de profundidade até a superfície, formando um arquipélago submerso de atóis e bancos afastados de qualquer costa.

Ficha técnica

Nome
Mar de Coral
Também chamado de
Mar do Coral
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 8° S e 30° S e entre 142° L e 170° L, delimitado pela costa de Queensland, pela Papua-Nova Guiné, pelas Ilhas Salomão, por Vanuatu e pela Nova Caledônia.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
Oceania
Países e territórios
Austrália, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu e França, esta por meio da Nova Caledônia, têm costa e zonas econômicas exclusivas no mar; não restam áreas expressivas de alto-mar em seu interior.
Área aproximada
4.791.000 km²Valores entre 4.000.000 km² e 4.800.000 km² conforme o limite meridional adotado.
Profundidade média
Cerca de 2.400 m
Profundidade máxima
9.140 mFossa de Bougainville, no limite setentrional do mar.
Volume
Aproximadamente 11.470.000 km³
Salinidade
34,5 a 35,5
Temperatura da superfície
De 19 °C no extremo sul em agosto a 30 °C no norte em fevereiro
Correntes principais
Corrente Sul-Equatorial, jatos das Ilhas Salomão e da Nova Caledônia, Corrente Norte de Queensland e origem da Corrente Leste-Australiana.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

A delimitação internacional fixa a fronteira oeste na costa de Queensland, do Cabo York até a região do Cabo Sandy, e a fronteira norte no litoral meridional da Papua-Nova Guiné, no arquipélago das Louisiades e na cadeia das Ilhas Salomão. A leste, o limite acompanha Vanuatu e a Nova Caledônia; ao sul, uma linha que passa pelos recifes de Elizabeth e Middleton separa o mar do Mar da Tasmânia.

O leito reúne feições de origens muito diversas. As bacias do Mar de Coral e de Santa Cruz são fundos oceânicos formados por expansão entre 62 e 52 milhões de anos atrás. Sobre eles destacam-se planaltos carbonáticos submersos, como o Planalto de Queensland, com cerca de 165.000 km² a profundidades de 1.000 m a 1.500 m, coroado por recifes que emergem isoladamente — Osprey, Flinders, Holmes, Tregrosse e Lihou. Ao norte, as fossas de Nova Bretanha e de Bougainville marcam zonas de subducção ativas e concentram a sismicidade da região.

Continentes e países próximos

Cinco jurisdições repartem o mar, e a soma de suas zonas econômicas exclusivas cobre praticamente toda a superfície. A Austrália detém o maior setor, seguida da Nova Caledônia; as fronteiras marítimas entre Austrália, França e Papua-Nova Guiné foram acordadas em tratados bilaterais firmados entre as décadas de 1970 e 1980.

  • Austrália — Costa de Queensland, com a Grande Barreira, os recifes do planalto homônimo e as Ilhas do Mar de Coral.
  • França — Nova Caledônia, cuja zona econômica exclusiva soma cerca de 1.400.000 km².
  • Papua-Nova Guiné — Golfo de Papua e arquipélago das Louisiades.
  • Ilhas Salomão — Cadeia dupla de ilhas vulcânicas que fecha o mar a nordeste.
  • Vanuatu — Arco insular oriental, com mais de 80 ilhas vulcânicas.

Área e profundidade

A cifra mais reproduzida para a área é de 4.791.000 km², com volume da ordem de 11.470.000 km³. O mar estende-se por cerca de 2.400 km no sentido norte–sul e 2.200 km no sentido leste–oeste, com superfície superior à do Mediterrâneo somado ao Mar do Caribe.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área4.791.000 km²Um dos maiores mares marginais do mundo
Profundidade médiaCerca de 2.400 mBacias oceânicas verdadeiras no centro
Profundidade máxima9.140 mFossa de Bougainville
Planalto de QueenslandCerca de 165.000 km²Plataforma carbonática submersa
Grande Barreira de Corais344.400 km² de parque marinhoCerca de 2.900 recifes e 900 ilhas
Parque Marinho do Mar de Coral989.842 km²Adjacente à Grande Barreira, a leste

Principais correntes

O mar é a porta de entrada da circulação de contorno oeste do Pacífico sul. A Corrente Sul-Equatorial chega vinda de leste, atravessa as passagens entre Vanuatu e a Nova Caledônia na forma de jatos zonais estreitos e alcança a plataforma australiana entre 15° S e 18° S. Ali ela se bifurca: um ramo segue para o norte como Corrente Norte de Queensland, rumo ao Golfo de Papua; o outro desce para o sul e dá origem à Corrente Leste-Australiana, principal corrente de contorno do Pacífico sudoeste.

O ponto exato da bifurcação varia com a estação e com o ciclo El Niño–Oscilação Sul, e determina quanta água quente chega às latitudes temperadas da Austrália. A circulação também controla a dispersão de larvas de coral e de peixes entre a Grande Barreira, os recifes do Planalto de Queensland e os da Nova Caledônia, formando uma rede de conectividade biológica de escala continental.

Clima

O clima é tropical marítimo, com estação chuvosa de novembro a abril e estação seca no inverno austral. A temperatura da superfície vai de 19 °C no extremo sul, em agosto, a 30 °C no norte, em fevereiro, e os ventos alísios de sudeste sopram com regularidade durante a maior parte do ano, gerando ondulação persistente contra a face externa dos recifes.

A região é uma das principais áreas de formação de ciclones tropicais do hemisfério sul. Em média, quatro a cinco ciclones se desenvolvem ou atravessam o mar a cada temporada, e vários alcançam categoria máxima. O ciclone Yasi, que cruzou o mar e atingiu a costa de Queensland em fevereiro de 2011, danificou recifes ao longo de mais de 300 km da barreira; o ciclone Debbie repetiu o padrão em 2017 na região de Whitsunday. Ondas de calor marinhas, por sua vez, tornaram-se mais frequentes e prolongadas desde a década de 1990.

Ecossistemas

Três tipos de sistema recifal coexistem no mar. Na margem oeste está a Grande Barreira, sistema de recifes de plataforma e barreira com cerca de 2.300 km de extensão. A leste dela, sobre os planaltos submersos, erguem-se atóis e recifes oceânicos isolados, cercados por água profunda e praticamente sem influência continental. Na margem oriental, a barreira da Nova Caledônia forma a segunda maior estrutura recifal contínua do planeta, envolvendo uma lagoa de mais de 24.000 km².

Fora dos recifes, o mar abriga montes submarinos com corais de água fria, planícies abissais e as encostas das fossas do norte. As ilhas emersas do centro são poucas, pequenas e de areia coralina — cais de nidificação de tartarugas e aves marinhas, sem água doce permanente.

Biodiversidade

A diversidade recifal é das maiores do mundo fora do Triângulo de Coral: a Grande Barreira e os recifes do Mar de Coral abrigam mais de 400 espécies de corais construtores, cerca de 1.600 espécies de peixes e populações significativas de tartarugas, tubarões e cetáceos migradores.

  • Tartaruga-verdeChelonia mydas mantém na Ilha Raine, no norte da barreira, a maior colônia de nidificação do mundo, com dezenas de milhares de fêmeas em temporadas de pico.
  • DugongoDugong dugon ocupa as pradarias marinhas costeiras de Queensland, que abrigam uma das maiores populações remanescentes da espécie.
  • Baleia-jubarteMegaptera novaeangliae migra da Antártida para reproduzir-se nas águas quentes da barreira entre junho e setembro.
  • Tubarões de recife — Os recifes isolados do Planalto de Queensland mantêm densidades de tubarões-cinzentos muito superiores às das áreas costeiras.
  • NáutiloNautilus pompilius ocorre nas encostas profundas dos recifes neocaledônios.
  • Estrela coroa-de-espinhosAcanthaster provoca surtos periódicos que estão entre as principais causas de perda de cobertura coralina.

Ilhas

As ilhas do mar dividem-se entre grandes massas de origem continental ou vulcânica, nas bordas, e minúsculos cais de areia coralina, no centro. As primeiras concentram população e economia; as segundas, apesar de somarem poucos quilômetros quadrados, têm valor ecológico desproporcional.

  • Grande Terra — 16.372 km², principal ilha neocaledônia, cercada por uma barreira de 1.600 km.
  • Ilhas Salomão — Cadeia dupla vulcânica com Guadalcanal, Malaita e Nova Geórgia.
  • Arquipélago das Louisiades — Extensão submersa da cordilheira papuásia, com recifes de barreira.
  • Ilhas Whitsunday — 74 ilhas continentais na porção central da barreira.
  • Chesterfield e Bellona — Atóis oceânicos neocaledônios desabitados, hoje em zona de proteção integral.
  • Ilhas do Mar de Coral — Território externo australiano com cais e recifes como Willis e Lihou.

Portos e rotas relevantes

A costa de Queensland concentra terminais voltados à exportação de recursos minerais e energéticos. Hay Point e Abbot Point movimentam carvão da bacia de Bowen, Gladstone combina alumina, carvão e três plantas de gás natural liquefeito, e Brisbane, no extremo sul, é o porto de contêineres da região. Todos operam dentro ou nas imediações da área do Patrimônio Mundial da Grande Barreira, o que impõe regras estritas de dragagem, descarte de sedimentos e pilotagem obrigatória.

Nas demais margens, os portos são menores: Nouméa exporta níquel, Port Moresby e Honiara atendem economias insulares, e Cairns e Townsville combinam pesca, cabotagem e turismo de recife. A passagem interna da barreira exige práticos credenciados em quase toda a sua extensão.

Principais portos
PortoPaís ou territórioFunção predominante
Hay PointAustráliaMaior terminal de carvão do país
GladstoneAustráliaGás liquefeito, alumina e carvão
BrisbaneAustráliaContêineres e carga geral
CairnsAustráliaTurismo de recife e pesca
NouméaNova CaledôniaExportação de níquel
Port MoresbyPapua-Nova GuinéPrincipal porto do país

Importância econômica

O turismo de recife é a atividade de maior valor agregado. Estimativas oficiais australianas atribuem à Grande Barreira uma contribuição econômica anual da ordem de 6 bilhões de dólares australianos e cerca de 60 mil empregos, concentrados em Cairns, nas Whitsunday e em Townsville. A atividade depende diretamente da condição dos recifes, o que liga o desempenho econômico regional aos episódios de branqueamento.

A exportação de recursos vem em seguida: carvão metalúrgico e térmico de Queensland, gás liquefeito de Curtis Island e níquel neocaledônio. A pesca é comparativamente modesta e regulada com rigor — atum, garoupas de recife, pepino-do-mar e lagosta são os principais recursos, e boa parte do mar aberto australiano está fechada à pesca comercial desde a criação do parque marinho.

Importância ambiental

O branqueamento em massa é a ameaça central. Episódios de aquecimento anômalo provocaram branqueamentos generalizados na Grande Barreira em 1998, 2002, 2016, 2017, 2020, 2022 e 2024, com frequência crescente e intervalos cada vez menores para a recuperação. O evento de 2016 matou cerca de 30% dos corais de águas rasas do sistema, com perdas concentradas no setor norte; o de 2022 foi o primeiro registrado durante um evento La Niña, condição em que historicamente as águas eram mais frias.

A qualidade da água costeira é o segundo fator. O escoamento agrícola de Queensland leva sedimentos, nitrogênio e pesticidas à zona interna da barreira, favorece surtos da estrela coroa-de-espinhos e reduz a luz disponível para corais e pradarias. Programas de recuperação de bacias hidrográficas perseguem metas de redução de carga desde 2009, com avanços parciais.

Problemas de conservação

O mar concentra algumas das maiores áreas marinhas protegidas do planeta. O Parque Marinho da Grande Barreira, criado em 1975 e inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1981, cobre 344.400 km²; um rezoneamento concluído em 2004 elevou para cerca de um terço a fração fechada a qualquer extração. A leste, o Parque Marinho do Mar de Coral, proclamado em 2012 e com plano de gestão em vigor desde 2018, acrescenta 989.842 km² que abrangem os recifes isolados e os planaltos submersos.

Na margem oriental, a Nova Caledônia criou em 2014 o Parque Natural do Mar de Coral, que cobre a totalidade de sua zona econômica exclusiva, cerca de 1.300.000 km², e recebeu em 2018 zonas de proteção integral sobre os atóis afastados. As lagoas neocaledônias já haviam sido inscritas na Lista do Patrimônio Mundial em 2008. O conjunto australiano e o francês formam uma extensão protegida contígua comparável em escala a Papahānaumokuākea, no Pacífico norte.

  • Parque Marinho da Grande Barreira — 344.400 km², com cerca de 33% em zonas de exclusão total de pesca desde 2004.
  • Parque Marinho do Mar de Coral — 989.842 km² sob gestão federal australiana, com plano em vigor desde 2018.
  • Parque Natural do Mar de Coral — Área neocaledônia de cerca de 1.300.000 km², criada em 2014.
  • Lagoas da Nova Caledônia — 15.743 km² inscritos na Lista do Patrimônio Mundial em 2008.
  • Controle da coroa-de-espinhos — Equipes de mergulho fazem remoção seletiva contínua em recifes de alto valor ecológico.

Curiosidades

  1. A Batalha do Mar de Coral, travada entre 4 e 8 de maio de 1942, foi o primeiro combate naval da história em que as frotas adversárias nunca se avistaram: todo o confronto ocorreu por meio de aeronaves lançadas de porta-aviões.
  2. Os destroços do porta-aviões norte-americano Lexington, afundado naquela batalha, foram localizados em março de 2018 a cerca de 3.000 m de profundidade, com parte da aviação embarcada ainda reconhecível no leito.
  3. O Recife de Osprey ergue-se isolado de fundos superiores a 2.000 m até a superfície, em uma parede quase vertical que o tornou um dos pontos de mergulho mais conhecidos do Pacífico.
  4. A Ilha Raine, um cai de areia com pouco mais de 0,3 km² no norte da barreira, concentra a maior agregação reprodutiva de tartarugas-verdes já registrada.
  5. O branqueamento de 2022 foi o primeiro documentado na Grande Barreira durante um evento La Niña, fase do ciclo climático historicamente associada a águas mais frias no Pacífico ocidental.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. Great Barrier Reef Marine Park Authority. Reef Health e Outlook Report, 2024. Consultar publicação
  2. UNESCO. Great Barrier Reef e Lagoons of New Caledonia — Lista do Patrimônio Mundial, 2008. Consultar publicação
  3. Protected Planet. World Database on Protected Areas — Coral Sea Marine Park e Parc naturel de la mer de Corail, 2025. Consultar publicação
  4. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  5. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
  6. NOAA Coral Reef Watch. Satellite monitoring of coral bleaching heat stress, 2025. Consultar publicação
  7. União Internacional para a Conservação da Natureza. The IUCN Red List of Threatened Species — <em>Chelonia mydas</em>, 2023. Consultar publicação

Publicado por DatingYes · Atualizado em Sugerir uma correção

Conteúdos relacionados

Outros verbetes do acervo que ajudam a situar Mar de Coral no conjunto das formações marinhas.

  • Mapa de localização: Grande Barreira de Corais Área marinha protegida

    Grande Barreira de Corais

    Maior sistema de recifes de coral do planeta, protegido como parque marinho desde 1975 e hoje marcado por branqueamentos recorrentes.

    Área 344.400 km² Máx. Mais de 2.000 m

  • Mapa de localização: Oceano Pacífico Oceano

    Oceano Pacífico

    Maior oceano do planeta, cobre um terço da superfície terrestre, abriga a fossa mais profunda conhecida e comanda o El Niño.

    Área 165.250.000 km² Máx. 10.994 m

  • Mapa de localização: Grande Baía Australiana Baía

    Grande Baía Australiana

    Falésias do Nullarbor, baleias-francas em Head of Bight e uma plataforma de carbonatos de água fria única no planeta.

    Área Cerca de 45.900 km² Máx. Cerca de 6.000 m

  • Mapa de localização: Papahānaumokuākea Área marinha protegida

    Papahānaumokuākea

    Arquipélago do noroeste havaiano protegido desde 2006 e ampliado em 2016, com gestão compartilhada entre agências federais e instituições havaianas.

    Área 1.508.870 km² Máx. Cerca de 5.500 m

  • Mapa de localização: Área Marinha Protegida do Mar de Ross Área marinha protegida

    Área Marinha Protegida do Mar de Ross

    Maior área marinha protegida do planeta, criada por consenso na CCAMLR para preservar a cadeia trófica mais intacta do Oceano Antártico.

    Área 1.550.000 km² Máx. Mais de 4.000 m