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Mar Oceano Pacífico

Mar de Bering

Mar subártico de 2.300.000 km² entre a Ásia e a América do Norte, com metade da área em plataforma rasa e a maior pescaria dos Estados Unidos.

Mapa de localização de Mar de Bering, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre o arco das Aleutas e o Estreito de Bering, atravessando o antimeridiano, com a plataforma oriental e a bacia profunda a sudoeste.

O Mar de Bering ocupa o extremo norte do Oceano Pacífico, entre a Península de Kamtchatka, a Chukotka, o Alasca ocidental e o arco das Ilhas Aleutas, que o separa do oceano aberto. Com cerca de 2.300.000 km², comunica-se com o Oceano Ártico pelo Estreito de Bering, um corredor de apenas 82 km de largura e 50 m de profundidade que é a única ligação marítima entre o Pacífico e o Ártico.

A bacia é nitidamente dividida em duas metades. A nordeste estende-se uma das maiores plataformas continentais do planeta, com mais de 1.000 km de largura e profundidades quase sempre inferiores a 150 m; a sudoeste, o fundo desce abruptamente para bacias oceânicas que ultrapassam 3.500 m. Essa fronteira submarina, chamada Cinturão Verde, é uma das faixas mais produtivas do oceano mundial e sustenta a maior pescaria dos Estados Unidos.

Ficha técnica

Nome
Mar de Bering
Também chamado de
Mar de Behring
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 51° N e 66° N, do meridiano 160° L, junto a Kamtchatka, ao meridiano 155° O, no Alasca ocidental, cruzando o antimeridiano.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
Ásia, América do Norte
Países e territórios
Rússia e Estados Unidos dividem inteiramente o mar. A fronteira marítima segue a linha estabelecida no acordo bilateral de 1990, aplicado de forma provisória desde então, e no centro subsiste um enclave de alto-mar conhecido como Buraco de Rosca.
Área aproximada
2.300.000 km²Valores entre 2.000.000 km² e 2.520.000 km² conforme o limite adotado ao longo do arco das Aleutas.
Profundidade média
Cerca de 1.640 m
Profundidade máxima
4.097 mBacia das Aleutas, no setor sudoeste.
Volume
Aproximadamente 3.750.000 km³
Salinidade
31,5 a 33,5, com valores mais baixos junto à foz do Yukon
Temperatura da superfície
De −1,7 °C sob o gelo de inverno a 10 °C no sul em agosto
Correntes principais
Corrente das Aleutas, Corrente de Kamtchatka, Corrente da Vertente do Mar de Bering e fluxo permanente para o norte pelo Estreito de Bering.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

O limite sul corre ao longo do arco das Aleutas e das Ilhas Comandantes, de Kamtchatka à Península do Alasca, seguindo a cadeia de ilhas e as passagens que a interrompem. Ao norte, o limite é o Estreito de Bering, entre o Cabo Dezhnev, na Ásia, e o Cabo Príncipe de Gales, na América. O mar atravessa o antimeridiano, e sua descrição exige coordenadas que passam de longitude leste para longitude oeste.

O relevo submarino reúne as bacias das Aleutas, de Bowers e de Komandorski, separadas pela Cordilheira de Bowers, um arco vulcânico extinto em forma de gancho. A quebra da plataforma oriental é recortada por cânions de dimensões excepcionais, entre os quais o Cânion Zhemchug, o maior do mundo em volume, com desnível vertical superior a 2.600 m.

Continentes e países próximos

Apenas dois Estados têm costa no mar: a Rússia, na margem asiática, e os Estados Unidos, na margem americana e ao longo das Aleutas. A repartição das águas foi negociada em um acordo bilateral de 1990, que fixa uma linha de delimitação de mais de 1.600 milhas náuticas do Ártico ao Pacífico.

  • Estados Unidos — Alasca ocidental, delta do Yukon-Kuskokwim, Península do Alasca e todo o arco das Aleutas até Attu.
  • Rússia — Costa da Chukotka, Golfo de Anadyr, litoral oriental de Kamtchatka e as Ilhas Comandantes.
  • Acordo de 1990 — Ratificado pelo Senado norte-americano em 1991 e aplicado provisoriamente desde então, sem ratificação pela parte russa.
  • Buraco de Rosca — Enclave de alto-mar de cerca de 48.000 km² no centro da bacia, fora das duas zonas econômicas exclusivas.
  • Povos indígenas — Comunidades yupik, inupiat, aleúte e chukchi mantêm caça e pesca de subsistência nas duas margens.

Área e profundidade

A área mais citada é de 2.300.000 km², com volume próximo de 3.750.000 km³. Praticamente metade da superfície corresponde a plataforma com menos de 200 m de lâmina, o que faz do mar um caso extremo de assimetria batimétrica.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área2.300.000 km²Cerca de metade em plataforma rasa
Profundidade médiaCerca de 1.640 mMédia entre plataforma e bacia profunda
Profundidade máxima4.097 mBacia das Aleutas
Largura da plataforma orientalMais de 1.000 kmUma das maiores do mundo
Cânion ZhemchugCerca de 8.500 km³Maior cânion submarino conhecido em volume
Estreito de Bering82 km de largura e 50 m de fundoÚnica ligação Pacífico–Ártico

Principais correntes

Água do Pacífico Norte entra pelas passagens das Aleutas e circula em sentido anti-horário. A Corrente das Aleutas segue para leste ao longo do arco, dobra para norte junto à Península do Alasca e alimenta a Corrente da Vertente do Mar de Bering, que percorre a quebra da plataforma. Ao chegar ao noroeste, a circulação retorna para o sul como Corrente de Kamtchatka e sai pela passagem de Kamtchatka, a mais profunda do arco.

Uma fração pequena mas decisiva escapa para o norte: cerca de 1 milhão de m³ por segundo atravessam o Estreito de Bering rumo ao Ártico, com água relativamente quente, pouco salgada e rica em nutrientes que influencia toda a plataforma de Chukchi. Sobre a plataforma oriental, marés fortes e mistura pelo vento organizam três domínios hidrográficos separados por frentes persistentes.

Clima

O clima é subártico marítimo, com invernos longos e verões curtos e nublados. O gelo marinho forma-se a partir de outubro no norte, avança para o sul ao longo do inverno e atinge a extensão máxima em março, quando pode cobrir toda a plataforma oriental e alcançar a latitude das Aleutas. Diferentemente do Ártico central, todo esse gelo derrete no verão: é um mar de gelo estritamente sazonal.

A baixa pressão semipermanente das Aleutas torna a região uma das mais tempestuosas do planeta. Ciclones extratropicais profundos cruzam a bacia durante todo o inverno, com ventos acima de 100 km/h e ondas de mais de 10 m, o que dá às pescarias locais um dos índices de acidentalidade mais altos da economia norte-americana.

Desde 2017, os invernos de gelo escasso passaram a se repetir. As extensões máximas de 2018 e 2019 ficaram entre as menores desde o início do monitoramento por satélite, e a piscina fria de fundo — camada abaixo de 2 °C que persiste no verão sobre a plataforma — quase desapareceu nesses anos.

Ecossistemas

O Cinturão Verde, faixa que acompanha a quebra da plataforma, concentra ressurgência, mistura e nutrientes vindos da bacia profunda; sua produção primária é várias vezes superior à do mar aberto adjacente. Sobre a plataforma, o degelo primaveril desencadeia uma floração de diatomáceas cujo momento depende de o gelo se retirar cedo ou tarde, com efeitos em cascata sobre a sobrevivência das larvas de peixe.

A borda do gelo é um habitat em si. Algas que crescem na face inferior do banco iniciam a produção antes do degelo, e o material que afunda alimenta uma comunidade bentônica rica em bivalves e anfípodes, base da dieta de morsas, focas e patos-marinhos. O encurtamento da estação de gelo transfere parte dessa produção para a coluna de água e favorece peixes pelágicos.

Biodiversidade

O mar abriga mais de 400 espécies de peixes, cerca de 30 espécies de mamíferos marinhos e colônias de aves marinhas que somam dezenas de milhões de indivíduos, muitas concentradas em poucas ilhas. Várias populações estão entre as mais monitoradas do mundo, por causa do valor comercial das pescarias e do estatuto de proteção de espécies emblemáticas.

  • Escamudo-do-alascaGadus chalcogrammus sustenta capturas anuais em torno de 1,3 milhão de toneladas no setor oriental, a maior pescaria por volume dos Estados Unidos.
  • Lobo-marinho-do-norteCallorhinus ursinus reproduz-se nas Ilhas Pribilof, que concentram cerca de metade da população mundial, em declínio desde a década de 1970.
  • Morsa-do-pacíficoOdobenus rosmarus divergens, com população estimada em torno de 200.000 indivíduos, depende do gelo à deriva como plataforma de descanso sobre a plataforma rasa.
  • Baleia-franca-do-pacífico-norteEubalaena japonica tem na plataforma sudeste seu único habitat crítico conhecido; a população oriental é estimada em poucas dezenas de indivíduos.
  • Caranguejo-das-nevesChionoecetes opilio sofreu colapso abrupto entre 2018 e 2021, com perda estimada em bilhões de indivíduos e fechamento da pescaria em 2022 e 2023.
  • Aves marinhas — Airos, papagaios-do-mar e o raro albatroz-de-cauda-curta nidificam nas ilhas do mar.

Ilhas

As ilhas do mar são poucas, isoladas e de importância biológica desproporcional ao tamanho. As da plataforma norte são remanescentes emersos da antiga ponte de terra; as do sul integram o arco vulcânico das Aleutas e das Comandantes.

  • São Lourenço — 4.640 km², a maior do mar, remanescente da Beríngia habitado por comunidades yupik.
  • Nunivak — 4.209 km², ilha vulcânica junto ao delta do Yukon.
  • Ilhas Pribilof — São Paulo e São Jorge, com as maiores colônias de lobos-marinhos do planeta.
  • Ilha de São Mateus — Desabitada, refúgio de fauna e origem dos registros de turfa usados para reconstruir a história do gelo.
  • Ilhas Aleutas — Arco de mais de 300 ilhas vulcânicas, com Unalaska como centro habitado.
  • Ilhas Comandantes — Bering e Medny, termo da segunda expedição de Vitus Bering, em 1741.

Portos e rotas relevantes

A infraestrutura portuária é escassa e concentrada. Dutch Harbor, na Ilha de Unalaska, é há décadas o porto norte-americano com maior volume de pescado desembarcado e serve de base às frotas industriais. Nome, no Alasca ocidental, atende à cabotagem e prepara obras de ampliação voltadas ao tráfego ártico.

Do lado russo, Anadyr, Provideniya e Ust-Kamchatsk servem populações pequenas e atividades extrativas. Como o Estreito de Bering é a porta de entrada da Rota Marítima do Norte pelo Pacífico, o mar é passagem obrigatória do tráfego que cruza o Ártico russo no verão.

Principais portos e fundeadouros
PortoPaísFunção predominante
Dutch HarborEstados UnidosMaior desembarque de pescado do país
NomeEstados UnidosCabotagem e apoio ao tráfego ártico
AnadyrRússiaAbastecimento da Chukotka
ProvideniyaRússiaEscala e apoio à Rota Marítima do Norte

Importância econômica

A pesca domina a economia do mar. O setor oriental produz cerca de 40% de todo o pescado desembarcado nos Estados Unidos, com o escamudo-do-alasca à frente, seguido de bacalhau-do-pacífico, solha e caranguejos. O conselho regional do Pacífico Norte aplica um teto absoluto de 2 milhões de toneladas para o conjunto das espécies da plataforma, mantido desde a década de 1980 mesmo quando as avaliações indicariam quotas maiores.

A pescaria russa concentra-se em escamudo, arenque, salmão e caranguejo no setor ocidental. Fora da pesca, a atividade é reduzida: não há produção de petróleo em curso, e o tráfego mercante limita-se à Rota Marítima do Norte e ao abastecimento das comunidades costeiras.

Importância ambiental

A perda de gelo é o vetor de mudança mais evidente. Com a retirada precoce do banco de gelo, a piscina fria de fundo encolheu e estoques como o escamudo e o bacalhau-do-pacífico deslocaram-se centenas de quilômetros para o norte, alcançando áreas onde antes eram raros. O fenômeno reorganizou a pesca de subsistência de comunidades indígenas e alterou a distribuição de predadores de topo.

As morsas dependem do gelo à deriva sobre águas rasas para descansar entre mergulhos de alimentação. Quando o banco recua para além da quebra da plataforma, os animais formam concentrações em terra: desde 2007, agrupamentos de dezenas de milhares de indivíduos passaram a se repetir na costa noroeste do Alasca, com mortes por esmagamento durante debandadas. Somam-se a acidificação acelerada das águas frias, que ameaça bivalves e crustáceos, e o risco crescente de acidentes com navios.

Problemas de conservação

A colonização das Ilhas Pribilof pela Rússia, no fim do século XVIII, inaugurou mais de um século e meio de caça comercial ao lobo-marinho. A Convenção sobre Focas Peleiras do Pacífico Norte, assinada em 1911 por Estados Unidos, Rússia, Japão e Reino Unido, foi o primeiro tratado internacional de conservação de vida selvagem e interrompeu a caça pelágica, permitindo a recuperação parcial da espécie.

No Buraco de Rosca, a pesca descontrolada de escamudo por frotas de várias bandeiras levou as capturas de 1,4 milhão de toneladas em 1989 a valores próximos de zero em 1992. Uma moratória voluntária em 1993 e a Convenção sobre a Conservação e Gestão dos Recursos de Escamudo no Mar Central de Bering, em vigor desde 1995, mantêm a pescaria suspensa até que o estoque se recomponha, o que ainda não ocorreu.

  • Refúgio Marítimo Nacional do Alasca — Protege mais de 2.400 ilhas, rochedos e promontórios, com quase todas as colônias de aves do mar.
  • Reserva das Comandantes — Reserva da biosfera russa que abrange as ilhas e as águas adjacentes.
  • Área de proteção do vale do Norte de Bering — Zona de resguardo criada em 2016 para limitar a expansão da pesca industrial em águas de uso tradicional.
  • Habitat crítico da baleia-franca — Faixa da plataforma sudeste designada para proteger a população oriental.
  • Controle de invasoras — A erradicação de ratos e raposas em ilhas das Aleutas devolveu várias colônias de aves à condição reprodutiva.

Curiosidades

  1. Durante os máximos glaciais, o rebaixamento do nível do mar em cerca de 120 m expôs a plataforma e formou a Beríngia, planície que chegou a 1.600 km de largura no sentido norte–sul, permaneceu livre de calotas de gelo e serviu de corredor para a fauna e para o povoamento das Américas.
  2. O Cânion Zhemchug tem volume estimado em cerca de 8.500 km³ e desnível maior que o do Grand Canyon, mas está inteiramente submerso e só foi reconhecido como o maior cânion submarino do mundo após os levantamentos batimétricos da década de 1970.
  3. A vaca-marinha-de-steller, herbívoro de até 9 m descrito nas Ilhas Comandantes em 1741, foi extinta pela caça em 1768, apenas 27 anos após seu registro por naturalistas.
  4. A reconstrução da cobertura de gelo a partir de turfeiras da Ilha de São Mateus indicou que o inverno de 2018 teve a menor extensão de gelo dos últimos 5.500 anos.
  5. A pescaria do Buraco de Rosca chegou a render 1,4 milhão de toneladas de escamudo em 1989 e colapsou em três anos; o estoque permanece fechado à pesca comercial desde 1993.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. NOAA Fisheries. Alaska Stock Assessment and Fishery Evaluation Reports — Bering Sea and Aleutian Islands, 2024. Consultar publicação
  2. National Snow and Ice Data Center. Sea Ice Index — Bering Sea regional extent, 2025. Consultar publicação
  3. Serviço Geológico dos Estados Unidos. Pacific Walrus Research and the Bering Land Bridge, 2023. Consultar publicação
  4. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  5. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
  6. FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture — área estatística 67, Pacífico Nordeste, 2024. Consultar publicação
  7. União Internacional para a Conservação da Natureza. The IUCN Red List of Threatened Species — <em>Eubalaena japonica</em>, 2018. Consultar publicação

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