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Área marinha protegida Oceano Pacífico

Reserva Marinha de Galápagos

Reserva marinha equatoriana criada em 1998 com 133.000 km² em torno do arquipélago de Galápagos, ampliada em 2022 pela Reserva Marinha Hermandad.

Mapa de localização de Reserva Marinha de Galápagos, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte do arquipélago equatoriano sobre a Plataforma de Galápagos, com as ilhas maiores ao centro e os ilhéus de Darwin e Wolf ao norte.

A Reserva Marinha de Galápagos protege as águas em torno do arquipélago equatoriano situado a cerca de 960 km da costa da América do Sul, no Oceano Pacífico equatorial. Foi instituída em março de 1998 pela lei de regime especial da província de Galápagos, com 133.000 km² delimitados por uma faixa de 40 milhas náuticas medida a partir de uma linha que une os pontos mais externos das ilhas. Em 14 de janeiro de 2022, um decreto presidencial criou a Reserva Marinha Hermandad, com 60.000 km² adicionais a noroeste, elevando o conjunto protegido a cerca de 198.000 km².

A razão de tanta atenção é oceanográfica antes de ser biológica. Sobre a linha do equador, onde se esperaria água quente e pobre em nutrientes, a Subcorrente Equatorial de Cromwell colide com o flanco oeste do arquipélago e força para a superfície água fria e fértil vinda de centenas de metros de profundidade. O resultado é um paradoxo geográfico: pinguins, lobos-marinhos e algas de água fria convivem, na mesma latitude, com corais e iguanas tropicais. Foi essa mistura que Charles Darwin encontrou em 1835 e que sustenta hoje um dos ecossistemas marinhos mais monitorados do planeta.

Ficha técnica

Nome
Reserva Marinha de Galápagos
Também chamado de
Reserva Marina de Galápagos, Arquipélago de Colón
Tipo de formação
Área marinha protegida
Localização
Entre 1°40' N e 1°25' S e entre 89° O e 92° O, a cerca de 960 km da costa continental do Equador, sobre a Plataforma de Galápagos.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
América do Sul
Países e territórios
Equador. O arquipélago constitui a província de Galápagos, com regime jurídico especial, e a reserva marinha integra o sistema nacional de áreas protegidas, administrada pela Direção do Parque Nacional Galápagos.
Área aproximada
133.000 km²A Reserva Marinha Hermandad, criada em 2022, acrescentou 60.000 km², elevando o total protegido em torno do arquipélago a cerca de 198.000 km².
Profundidade média
Menos de 1.000 m sobre a Plataforma de Galápagos
Profundidade máxima
Mais de 4.000 mFundo oceânico a norte e a oeste da plataforma, já fora da elevação vulcânica que sustenta as ilhas.
Salinidade
33,5 a 35,0
Temperatura da superfície
De 16 °C a oeste de Isabela, sob ressurgência, a mais de 28 °C no norte durante a estação quente
Linha de costa
Cerca de 1.670 km somando todas as ilhas e ilhotas
Correntes principais
Subcorrente Equatorial de Cromwell, Corrente de Humboldt, Corrente do Panamá e Corrente Sul-Equatorial.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

O perímetro da reserva de 1998 não segue o contorno de cada ilha. A lei traçou primeiro uma linha de base que une os pontos mais externos do arquipélago e, a partir dela, projetou 40 milhas náuticas para o exterior. Todas as águas interiores a essa linha, inclusive os canais entre as ilhas, ficam igualmente protegidas, o que produz um bloco contínuo em torno de toda a Plataforma de Galápagos, e não um mosaico de faixas costeiras.

A Reserva Marinha Hermandad, de 2022, foi acrescentada ao noroeste, sobre a Cordilheira dos Cocos — a elevação submarina que liga Galápagos à Ilha do Coco, na Costa Rica. Seus 60.000 km² dividem-se em duas metades de regras distintas: 30.000 km² sem qualquer atividade extrativa e 30.000 km² onde a pesca é permitida, exceto com espinhel. Essa geometria não é arbitrária: acompanha a rota migratória documentada de tubarões-martelo, tartarugas e raias entre os dois arquipélagos.

Sob a superfície, o conjunto assenta-se sobre um platô vulcânico produzido por um ponto quente do manto. A Plataforma de Galápagos mantém profundidades inferiores a 1.000 m sob as ilhas centrais e cai abruptamente para mais de 3.000 m em suas bordas norte e oeste. A leste, a Cordilheira de Carnegie prolonga o alinhamento em direção ao continente; a nordeste, a Cordilheira dos Cocos aponta para a América Central. A idade das ilhas cresce nesse sentido: Fernandina e Isabela, a oeste, são as mais jovens e as mais ativas; Española e San Cristóbal, a leste, as mais antigas e erodidas.

Continentes e países próximos

A área é integralmente equatoriana e constitui, junto com as ilhas, a província de Galápagos, dotada de regime jurídico especial desde 1998 — com restrições à migração interna, ao uso do solo e à atividade econômica que não existem no resto do país. A gestão da reserva cabe à Direção do Parque Nacional Galápagos, e a fiscalização envolve ainda a Marinha do Equador e a agência de biossegurança criada para controlar a entrada de organismos exóticos.

A proteção é escalonada. O Parque Nacional Galápagos, criado em 1959, cobre cerca de 97% da superfície terrestre do arquipélago; a reserva marinha de 1998 substituiu uma reserva de recursos marinhos instituída em 1986 e proibiu toda pesca industrial em suas águas, admitindo apenas pesca artesanal por residentes; a Reserva Marinha Hermandad, de 2022, acrescentou uma camada externa. As ilhas foram inscritas na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1978, entre os primeiros sítios reconhecidos, e a inscrição foi estendida em 2001 para incluir a reserva marinha.

Do ponto de vista internacional, a peça mais recente é o Corredor Marinho do Pacífico Tropical Oriental, iniciativa anunciada por Equador, Colômbia, Costa Rica e Panamá durante a conferência do clima de 2021 e concebida para articular a gestão de Galápagos, Hermandad, Ilha do Coco, Coiba, Malpelo e Gorgona em um espaço superior a 500.000 km². Trata-se de coordenação entre áreas nacionais, não de uma unidade única: cada país mantém jurisdição sobre a sua parcela.

  • Instrumentos de criação — Lei de Regime Especial para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável da Província de Galápagos, de março de 1998, e Decreto Executivo nº 319, de 14 de janeiro de 2022, formalizado por acordo ministerial em março do mesmo ano.
  • Categoria de proteção — Reserva marinha do sistema nacional de áreas protegidas do Equador, com zoneamento interno que combina áreas de uso restrito, zonas de pesca artesanal e zonas de proteção total.
  • Reconhecimento internacional — Patrimônio Mundial desde 1978, com extensão marinha em 2001; reserva da biosfera desde 1984; sítio Ramsar desde 2002.
  • Inscrição na lista de perigo — A UNESCO manteve o bem na lista do patrimônio mundial em perigo entre junho de 2007 e julho de 2010, em razão de espécies invasoras, crescimento populacional e turismo desordenado.
  • Cooperação regional — Corredor Marinho do Pacífico Tropical Oriental, articulado por Equador, Colômbia, Costa Rica e Panamá a partir de 2021.
  • Pesca permitida — Apenas artesanal, por pescadores residentes cadastrados; a pesca industrial e o espinhel são proibidos no interior da reserva de 1998.

Área e profundidade

A reserva de 1998 tem 133.000 km² e a Reserva Marinha Hermandad, 60.000 km². Somadas, cobrem cerca de 193.000 km², valor que sobe a aproximadamente 198.000 km² quando se contabilizam também as águas interiores à linha de base, dentro do arquipélago. A superfície terrestre protegida é de cerca de 7.660 km², dos 7.880 km² de terra emersa do arquipélago.

A batimetria explica a distribuição da vida. Sobre a Plataforma de Galápagos, as profundidades ficam abaixo de 1.000 m e há bancos rasos entre 20 m e 200 m; nos flancos, o fundo cai para 3.000 m a 4.000 m em poucas dezenas de quilômetros. É nessa quebra abrupta, sobretudo no canal entre Isabela e Fernandina e nos arredores dos ilhéus de Darwin e Wolf, que a ressurgência opera com mais força e que se concentram as maiores agregações de grandes predadores.

Em terra, o relevo é igualmente extremo. O Vulcão Wolf, na Ilha Isabela, alcança 1.707 m; a caldeira do Sierra Negra, na mesma ilha, tem cerca de 10 km de diâmetro, uma das maiores do mundo. Fernandina, Isabela e as ilhas do setor ocidental figuram entre as áreas vulcanicamente mais ativas do planeta, com erupções registradas em 2015, 2018, 2022 e 2024.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Reserva Marinha de Galápagos133.000 km²Criada em março de 1998
Reserva Marinha Hermandad60.000 km²Criada em janeiro de 2022, metade sem extração
Total protegido no marCerca de 198.000 km²Somando as duas reservas e as águas interiores
Terra emersa do arquipélagoCerca de 7.880 km²Isabela responde por cerca de 4.588 km²
Altitude máxima1.707 mVulcão Wolf, na Ilha Isabela
Espécies marinhas registradasCerca de 2.900Com estimativas de endemismo entre 18% e 25%

Principais correntes

Quatro sistemas encontram-se no arquipélago. A Corrente de Humboldt chega do sudeste com água fria; a Corrente do Panamá desce do nordeste com água quente e menos salina; a Corrente Sul-Equatorial atravessa a região de leste para oeste na superfície; e a Subcorrente Equatorial de Cromwell flui para leste em profundidade, entre cerca de 50 m e 150 m, ao longo do equador.

É a corrente de Cromwell que produz o fenômeno definidor. Ao encontrar a parede submarina do flanco oeste da Plataforma de Galápagos, o fluxo profundo é desviado para cima e emerge junto a Fernandina e ao oeste de Isabela, trazendo água com temperatura em torno de 16 °C e alta concentração de nitrato e fosfato. A produtividade primária dessa faixa é comparável à de zonas de ressurgência de latitudes médias, e é ela que sustenta pinguins, cormorões e lobos-marinhos praticamente sobre a linha do equador.

O sistema é também extremamente sensível ao El Niño. Durante os episódios de 1982 e 1983 e de 1997 e 1998, o aprofundamento da termoclina interrompeu a ressurgência, a temperatura da superfície subiu vários graus e as algas de que dependem as iguanas marinhas desapareceram: a população de pinguins de Galápagos caiu mais de 70% no primeiro desses eventos, e mortalidades em massa foram registradas entre iguanas e lobos-marinhos. A recuperação levou anos, e o padrão faz do arquipélago um dos melhores lugares do mundo para observar respostas biológicas rápidas à variabilidade climática.

Clima

O arquipélago tem duas estações. A quente e chuvosa, de janeiro a maio, com temperatura da água entre 25 °C e 28 °C, mar calmo e chuvas de tarde. A fria e seca, de junho a dezembro, chamada localmente garúa, quando a ressurgência intensifica-se, a água superficial cai para 18 °C a 22 °C e uma névoa persistente cobre as encostas altas sem produzir chuva significativa nas terras baixas.

A distribuição da umidade cria zonas de vegetação sobrepostas em poucos quilômetros: litoral árido com cactos e arbustos espinhosos, faixa de transição, zona úmida de altitude com fetos e musgos e, nos vulcões mais altos, um cinturão de pampa. A precipitação anual varia de menos de 200 mm no litoral a mais de 1.500 mm nas encostas expostas dos vulcões de Santa Cruz e San Cristóbal.

A temperatura da água varia mais no espaço que no tempo. Nas mesmas semanas, é possível encontrar 16 °C a oeste de Isabela e mais de 27 °C junto a Darwin e Wolf, no extremo norte — diferença de mais de dez graus em cerca de 200 km, que explica a coexistência de comunidades biológicas de afinidade temperada e tropical dentro de uma única área protegida.

Ecossistemas

A reserva reúne ambientes que raramente aparecem juntos: fundos rochosos vulcânicos com algas pardas de água fria, recifes de coral esparsos no setor norte, bosques de mangue nas enseadas abrigadas, campos de lava submersa recém-formada, paredões verticais nos ilhéus oceânicos, montes submarinos e a coluna d'água aberta percorrida por grandes migradores.

Os manguezais são pequenos em extensão, porém decisivos: as enseadas de Isabela e de Santa Cruz abrigam o único ecossistema de mangue do arquipélago e servem de berçário para tubarões-martelo juvenis e tartarugas-verdes. Nos fundos rasos do oeste, campos de algas mantidos pela água fria são a base alimentar das iguanas marinhas, que pastam submersas.

Os ilhéus de Darwin e Wolf, no extremo norte da reserva, funcionam de forma distinta do resto: cercados por água mais quente e por profundidades superiores a 1.000 m, concentram agregações permanentes de tubarões. Um levantamento publicado em 2016 mediu naqueles recifes a maior biomassa de tubarões já registrada em qualquer parte do mundo, resultado atribuído à combinação de proteção efetiva, isolamento e produtividade das correntes.

Biodiversidade

Cerca de 2.900 espécies marinhas estão registradas na reserva, com estimativas de endemismo entre 18% e 25% conforme o grupo. O padrão decorre do isolamento e da mistura de faunas: espécies de afinidade indo-pacífica, panamenha e peruana coexistem, e várias linhagens evoluíram localmente até formar espécies exclusivas. Em terra, o endemismo é ainda mais alto e inclui as tartarugas-gigantes que deram nome ao arquipélago.

  • Iguana marinhaAmblyrhynchus cristatus é o único lagarto marinho do mundo: alimenta-se de algas submersas, mergulha a mais de 10 m e expele o excesso de sal por glândulas nasais.
  • Pinguim de GalápagosSpheniscus mendiculus, com população estimada em poucos milhares de indivíduos, é o único pinguim que se reproduz ao norte da linha do equador, dependendo da água fria trazida pela ressurgência.
  • Tubarão-martelo-recortadoSphyrna lewini forma grandes cardumes em Darwin e Wolf e usa os manguezais como área de criação; a espécie é classificada como criticamente ameaçada.
  • Tubarão-baleiaRhincodon typus passa pelo norte da reserva em agregações compostas sobretudo por fêmeas adultas de grande porte, padrão raro entre os locais conhecidos de ocorrência da espécie.
  • Cormorão-não-voadorNannopterum harrisi perdeu a capacidade de voo e caça mergulhando junto ao litoral de Fernandina e Isabela; é endêmico e tem distribuição muito restrita.
  • Lobos-marinhos — O leão-marinho de Galápagos Zalophus wollebaeki e o lobo-marinho-de-galápagos Arctocephalus galapagoensis são endêmicos e dependem de água fria e produtiva.
  • Albatroz-das-galápagosPhoebastria irrorata reproduz-se quase exclusivamente na Ilha Española e alimenta-se em águas da plataforma peruana.

Ilhas

O arquipélago reúne treze ilhas maiores, seis menores e mais de cem ilhotas e rochedos, todas de origem vulcânica e nenhuma com ligação passada ao continente. Isabela, em formato de cavalo-marinho, responde por mais da metade da terra emersa e é formada pela fusão de seis vulcões, cinco deles ativos. Fernandina, a oeste, é a mais jovem e a mais intacta: não tem espécies de mamíferos introduzidas e seu vulcão La Cumbre entrou em erupção diversas vezes nas últimas décadas.

As ilhas do setor leste são mais antigas e apresentam relevo suavizado pela erosão. Española, com cerca de 4 milhões de anos, abriga espécies com evolução própria, como a tartaruga-gigante local e o albatroz que nidifica quase exclusivamente ali. Genovesa, ao norte, é uma caldeira parcialmente submersa cuja baía interior é um dos maiores adensamentos de aves marinhas do arquipélago.

  • Isabela — Cerca de 4.588 km², a maior; reúne os vulcões Wolf, Darwin, Alcedo, Sierra Negra e Cerro Azul, com erupções recentes documentadas.
  • Santa Cruz — Cerca de 986 km²; concentra a maior população residente, em Puerto Ayora, e a estação de pesquisa científica do arquipélago.
  • Fernandina — Cerca de 642 km², a mais jovem e a mais preservada; livre de mamíferos introduzidos.
  • San Cristóbal — Cerca de 558 km²; sede da capital provincial, Puerto Baquerizo Moreno, e primeira escala do Beagle em 1835.
  • Española — Cerca de 60 km² e a mais antiga do conjunto; único sítio reprodutivo regular do albatroz-das-galápagos.
  • Darwin e Wolf — Ilhéus isolados no extremo norte, cercados por profundidades superiores a 1.000 m e pela maior biomassa de tubarões já medida em recifes.

Portos e rotas relevantes

Quatro portos servem as ilhas habitadas: Puerto Ayora, em Santa Cruz, o maior e principal ponto de embarque; Puerto Baquerizo Moreno, em San Cristóbal, capital provincial; Puerto Villamil, em Isabela; e Puerto Velasco Ibarra, em Floreana, o menor de todos. Nenhum tem porte industrial. A carga chega em navios que partem de Guayaquil, no continente, e é submetida a inspeção de biossegurança destinada a impedir a entrada de sementes, insetos e organismos aquáticos, medida que se estende à água de lastro e ao casco das embarcações.

O acesso aéreo concentra-se em três pistas: Baltra, San Cristóbal e Isabela. Como a maior parte dos visitantes chega por avião e embarca em seguida em navios de expedição, o tráfego interno é intenso: dezenas de embarcações licenciadas circulam entre sítios de visitação seguindo itinerários fixos, atribuídos previamente para distribuir a pressão e evitar concentração em um mesmo ponto no mesmo dia.

A fiscalização da reserva é feita por embarcações de patrulha da direção do parque e da Marinha do Equador, apoiadas por rastreamento por satélite das frotas licenciadas e por análise de imagens de radar para detectar embarcações sem transponder. O problema mais visível está na borda externa: a partir de 2017, frotas pesqueiras estrangeiras de águas distantes, sobretudo chinesas, passaram a operar em grandes concentrações imediatamente fora da zona econômica exclusiva equatoriana, com mais de trezentos navios documentados em 2020. Como muitas espécies visadas — tubarões, atuns e lulas — atravessam a fronteira da área protegida, o efeito dessa pesca alcança a fauna da reserva sem que haja infração formal de limites.

Acessos, portos e fiscalização
PontoFunçãoObservação
Puerto Ayora, Santa CruzPrincipal porto e polo turísticoBaía da Academia; sede da estação de pesquisa científica
Puerto Baquerizo Moreno, San CristóbalCapital provincial e portoSede administrativa da província de Galápagos
Puerto Villamil, IsabelaPorto local e acesso ao setor oesteProximidade das áreas de ressurgência mais intensa
Baltra e San CristóbalAeroportosEntrada da maior parte dos visitantes, com inspeção de biossegurança
GuayaquilPorto continental de origem da cargaCerca de 960 km de distância
Borda da zona econômica exclusivaÁrea de concentração de frota estrangeiraMais de trezentos navios documentados em 2020

Importância econômica

O turismo é a base econômica e o principal instrumento de financiamento da conservação. O arquipélago recebeu 271.238 visitantes em 2019 e voltou a superar trezentos mil por ano na década seguinte, sob um sistema de sítios de visitação com capacidade fixada, itinerários pré-aprovados, guias obrigatórios credenciados e taxa de ingresso ao parque nacional. Cerca de 33 mil pessoas residem nas ilhas, e a maior parte da renda local deriva direta ou indiretamente dessa atividade.

A pesca é exclusivamente artesanal e restrita a residentes cadastrados. Os alvos principais são a lagosta, o bacalao Mycteroperca olfax e peixes de linha; a pescaria de pepino-do-mar, que provocou conflitos graves na década de 1990 e chegou a mobilizar protestos violentos, permanece fechada desde 2016 por colapso do estoque. A pesca industrial nunca foi autorizada no interior da reserva.

O modelo econômico enfrenta tensões próprias. A dependência do turismo torna a província vulnerável a interrupções, como demonstrou a queda de visitação em 2020; ao mesmo tempo, o crescimento da população residente e do número de embarcações amplia a demanda por transporte, combustível e alimentos importados do continente, cada carregamento representando um novo risco de introdução de espécies exóticas.

Importância ambiental

Galápagos ocupa lugar singular na história do pensamento científico. Charles Darwin passou cinco semanas no arquipélago a partir de setembro de 1835, durante a viagem do Beagle — o mesmo navio que deu nome ao Canal de Beagle, no extremo sul da América —, e as observações que fez sobre tentilhões, tartarugas e sabiás nas diferentes ilhas contribuíram para a formulação da teoria da seleção natural, publicada em 1859. A reserva marinha protege hoje o cenário oceânico em que esses processos continuam em curso.

Do ponto de vista funcional, a área é um dos melhores laboratórios naturais existentes para o estudo de ressurgência equatorial, de variabilidade associada ao El Niño e de efeitos de proteção sobre populações de grandes predadores. Séries de monitoramento mantidas desde a década de 1960 permitem separar oscilações naturais de tendências de longo prazo, algo raro em ecossistemas tropicais.

A criação da Reserva Marinha Hermandad acrescentou uma dimensão nova: a proteção de corredores migratórios em alto-mar, e não apenas de habitats fixos. Marcações eletrônicas mostraram que tubarões-martelo, tartarugas e raias percorrem a Cordilheira dos Cocos entre Galápagos e a Ilha do Coco, e o desenho da nova área seguiu esses trajetos. É uma estratégia distinta da adotada em Papahānaumokuākea, onde a proteção se organiza em torno de uma cadeia de ilhas, e aproxima Galápagos das discussões sobre conservação de espécies migratórias no alto-mar.

Problemas de conservação

As espécies invasoras continuam sendo a maior ameaça. Mais de mil e setecentas espécies introduzidas já foram registradas em terra, e um levantamento publicado em 2019 identificou dezenas de organismos marinhos exóticos nas águas do arquipélago, trazidos em cascos e água de lastro. Programas de erradicação obtiveram resultados notáveis — cabras foram eliminadas do norte de Isabela, de Santiago e de Pinta em uma operação concluída em 2006, e ratos foram erradicados em Pinzón —, mas gatos, roedores, formigas, a mosca parasita Philornis downsi, que ataca ninhegos de tentilhões, e plantas como a amora silvestre permanecem.

A pressão pesqueira externa é o segundo problema estrutural. Frotas de águas distantes operando na borda da zona econômica exclusiva capturam lulas, atuns e tubarões que transitam pela área protegida, e casos de embarcações apreendidas com dezenas de milhares de tubarões a bordo, como o registrado em 2017, mostraram a dimensão do comércio ilegal de nadadeiras. O corredor marinho regional criado em 2021 é, em boa medida, uma resposta a essa dinâmica, cuja eficácia depende de fiscalização coordenada entre quatro países.

  • El Niño — A interrupção da ressurgência durante episódios intensos causa mortalidade em massa de iguanas marinhas, pinguins e lobos-marinhos; o evento de 1982 e 1983 reduziu a população de pinguins em mais de 70%.
  • Crescimento populacional e turismo — O aumento de residentes, voos e embarcações foi um dos motivos que levaram a UNESCO a manter o bem na lista do patrimônio em perigo entre 2007 e 2010.
  • Acidentes com combustível — O encalhe do navio-tanque Jessica em 2001, ao largo de San Cristóbal, derramou centenas de milhares de litros de óleo diesel e combustível e evidenciou a fragilidade do abastecimento por mar.
  • Aquecimento e acidificação — Os corais do setor norte já sofreram mortalidades severas em eventos de aquecimento, e a água fria e rica em dióxido de carbono das ressurgências torna a região naturalmente próxima dos limites de saturação de carbonato.
  • Plástico — Detritos plásticos de origem continental e pesqueira acumulam-se em praias das ilhas do norte e do leste, com registro de ingestão e emalhe em tartarugas, aves e lobos-marinhos.

Curiosidades

  1. A Subcorrente Equatorial de Cromwell emerge no flanco oeste do arquipélago com temperatura próxima de 16 °C, o que permite a pinguins, lobos-marinhos e algas de água fria viverem praticamente sobre a linha do equador.
  2. Os ilhéus de Darwin e Wolf abrigam a maior biomassa de tubarões já medida em recifes, segundo levantamento publicado em 2016; o arco de rocha junto à Ilha Darwin, marco conhecido do local, desabou em maio de 2021.
  3. A iguana marinha Amblyrhynchus cristatus é o único lagarto do mundo que se alimenta no mar, pastando algas submersas e expelindo o excesso de sal por glândulas nasais.
  4. As primeiras fontes hidrotermais com comunidades biológicas próprias foram descobertas em 1977 na fenda vulcânica ao nordeste do arquipélago, achado que revelou ecossistemas independentes da luz solar.
  5. A Reserva Marinha Hermandad, criada em 2022, foi traçada sobre a Cordilheira dos Cocos porque marcações eletrônicas mostraram que tubarões-martelo e tartarugas usam essa elevação submarina como rota entre Galápagos e a Ilha do Coco, na Costa Rica.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. UNESCO — Centro do Patrimônio Mundial. Galápagos Islands (bem inscrito em 1978, com extensão marinha em 2001), 2001. Consultar publicação
  2. Ministério do Ambiente, Água e Transição Ecológica do Equador. Decreto Executivo nº 319 e Acordo Ministerial de criação da Reserva Marinha Hermandad, 2022. Consultar publicação
  3. Direção do Parque Nacional Galápagos. Reserva Marina de Galápagos: zonificación e gestão, 2025. Consultar publicação
  4. Protected Planet — PNUMA-WCMC e UICN. Base mundial de áreas protegidas: Reserva Marina de Galápagos e Hermandad, 2025. Consultar publicação
  5. Lista Vermelha da UICN. Spheniscus mendiculus, Amblyrhynchus cristatus e Sphyrna lewini, 2024. Consultar publicação
  6. NOAA — Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Equatorial Undercurrent and El Niño Southern Oscillation monitoring, 2025. Consultar publicação
  7. Serviço Geológico dos Estados Unidos. Galápagos hotspot volcanism and eruption record, 2024. Consultar publicação

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