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Área marinha protegida Oceano Pacífico

Papahānaumokuākea

Monumento nacional marinho no noroeste do arquipélago havaiano, com 1.508.870 km², sítio misto do Patrimônio Mundial reconhecido por valor natural e cultural.

Mapa de localização de Papahānaumokuākea, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte do trecho central da cadeia havaiana, de Nihoa ao Atol de Kure, com os atóis emersos alinhados sobre a crista submarina.

Papahānaumokuākea é o conjunto de recifes, atóis, ilhotas e montes submarinos que prolonga o arquipélago havaiano por cerca de 1.930 km a noroeste de Kauai. Criado em 15 de junho de 2006 como monumento nacional marinho, recebeu o nome havaiano em 2007 e foi ampliado em 26 de agosto de 2016 para 1.508.870 km², cerca de quatro vezes a superfície original. Cobre uma faixa do Oceano Pacífico que vai da superfície a planícies abissais de mais de 5.000 m.

O nome resume a razão de sua dupla proteção. Na cosmologia havaiana, Papahānaumoku é a mãe-terra e Wākea o pai-céu; da união dos dois nasceram o arquipélago e a linhagem humana havaiana. Por reunir esse significado a um dos ecossistemas de recife tropical menos alterados que restam, o conjunto foi inscrito em 2010 na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO como sítio misto — por valor natural e cultural ao mesmo tempo, categoria que abrange menos de quarenta lugares no planeta.

Ficha técnica

Nome
Papahānaumokuākea
Também chamado de
Monumento Nacional Marinho de Papahānaumokuākea, Ilhas do Noroeste do Havaí
Tipo de formação
Área marinha protegida
Localização
Entre 22° N e 29° N e entre 161° O e o antimeridiano, ao longo de cerca de 1.930 km de recifes, atóis e ilhotas a noroeste da ilha de Kauai.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
Oceania
Países e territórios
Estados Unidos, na condição de águas do estado do Havaí e da zona econômica exclusiva federal; a gestão é exercida em conjunto pela administração oceânica e atmosférica federal, pelo serviço de pesca e vida silvestre, pelo estado do Havaí e pelo Escritório de Assuntos Havaianos.
Área aproximada
1.508.870 km²Área de cerca de 362.000 km² na criação, em 2006, ampliada em agosto de 2016.
Profundidade média
Superior a 3.000 m no conjunto da área protegida
Profundidade máxima
Cerca de 5.500 mPlanícies abissais do Pacífico Norte incluídas no perímetro ampliado de 2016.
Salinidade
34,7 a 35,2
Temperatura da superfície
De 21 °C a 27 °C na superfície, com variação sazonal maior nos atóis do extremo noroeste
Linha de costa
Cerca de 14 km² de terra emersa distribuídos por dez grupos de ilhas e atóis
Correntes principais
Giro Subtropical do Pacífico Norte, Corrente do Ramo Norte do Havaí, Zona de Convergência Subtropical e Corrente Norte-Equatorial.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

O perímetro acompanha a metade noroeste da cadeia havaiana, entre a ilha rochosa de Nihoa e o Atol de Kure. A proclamação de 2006 delimitou uma faixa de cerca de 50 milhas náuticas para cada lado do eixo da cadeia; a de 2016 estendeu o limite a 200 milhas náuticas a partir das linhas de base das ilhas, incorporando a coluna d'água oceânica e o fundo abissal. As oito principais ilhas havaianas, ao sudeste, permanecem fora da unidade.

Sob a superfície, o alinhamento é a extremidade emersa da Cadeia Havaiana-Imperador, produzida pela passagem da placa do Pacífico sobre um ponto quente do manto. A idade cresce para noroeste: Nihoa tem cerca de 7 milhões de anos e Kure, cerca de 28 milhões. À medida que envelhecem, os vulcões afundam e o recife acompanha a subsidência, daí a sequência de ilhas altas, pináculos, atóis e montes submarinos.

Continentes e países próximos

A área está sob jurisdição dos Estados Unidos, repartida entre o mar territorial administrado pelo estado do Havaí e a zona econômica exclusiva federal. Não foi criada por lei do Congresso, e sim por proclamação presidencial baseada na Lei de Antiguidades de 1906, instrumento concebido para sítios arqueológicos e aplicado aqui em escala oceânica.

  • Categoria de proteção — Monumento nacional marinho, com proibição de pesca comercial, mineração e descarte de resíduos; práticas culturais havaianas e pesquisa dependem de autorização.
  • Gestão conjunta — Quatro cogestores: a administração oceânica e atmosférica federal, o serviço de pesca e vida silvestre, o estado do Havaí e o Escritório de Assuntos Havaianos, incorporado em 2007.
  • Reconhecimento internacional — Sítio misto do Patrimônio Mundial desde 2010, o primeiro do país nessa categoria.
  • Outras camadas — Refúgios nacionais de vida silvestre em Midway e Kure e um processo de designação de santuário marinho aberto em 2021.

Área e profundidade

A unidade abrange 1.508.870 km² com apenas cerca de 14 km² de terra emersa: praticamente tudo o que se protege está debaixo da água. A parte rasa soma cerca de 14.000 km² de recifes e bancos com menos de 100 m, entre eles o Recife Maro e o Banco Salmon.

A distribuição vertical vai da superfície a mais de 5.000 m: lagunas de 10 m a 30 m, bancos submersos entre 30 m e 150 m na faixa dos recifes mesofóticos, encostas de montes submarinos abaixo de 300 m e planícies abissais próximas de 5.500 m no perímetro de 2016. Em terra, Nihoa chega a 277 m, enquanto Pūhāhonu expõe apenas dois pináculos de rocha nua — a ponta do que um estudo de 2020 identificou como o maior vulcão-escudo da Terra em volume, com cerca de 148.000 km³.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área atual1.508.870 km²Após a ampliação de agosto de 2016
Área na criaçãoCerca de 362.000 km²Proclamação de junho de 2006
Extensão da cadeiaCerca de 1.930 kmDe Nihoa ao Atol de Kure
Terra emersaCerca de 14 km²Dez grupos de ilhas e atóis
Profundidade máximaCerca de 5.500 mPlanícies abissais do setor ampliado

Principais correntes

A cadeia atravessa a borda norte do Giro Subtropical do Pacífico Norte, o maior sistema de circulação fechada do planeta. Ao sul, a Corrente Norte-Equatorial flui para oeste; ao norte, a extensão da Corrente de Kuroshio segue para leste; entre elas, águas pobres em nutrientes circulam lentamente em sentido horário, o que explica a transparência das lagunas e a baixa produtividade da coluna d'água aberta.

A feição mais importante para a vida local é a Zona de Convergência Subtropical, faixa móvel onde massas de água de temperaturas distintas se encontram. Ali acumula-se material flutuante e concentra-se plâncton, e é para essa linha que albatrozes de Midway e de Laysan voam milhares de quilômetros em busca de alimento — a mesma convergência que traz aos atóis o lixo plástico do giro. Sobre a crista submarina, vórtices retêm larvas junto aos recifes e ajudam a explicar o endemismo local.

Clima

O regime é tropical no extremo sudeste e subtropical no noroeste, com temperatura superficial entre 21 °C e 27 °C. Kure e Midway, acima de 28° N, ficam próximos do limite térmico em que corais construtores mantêm estruturas de recife, condição oposta à da Grande Barreira de Corais. Os alísios de nordeste dominam quase o ano inteiro, e frentes do noroeste geram, entre novembro e março, ondulações que remodelam bancos de areia inteiros.

Ecossistemas

O monumento reúne, em uma única unidade de gestão, quase todos os ambientes marinhos possíveis em latitudes subtropicais: recifes de franja, recifes-barreira, lagunas de atol, bancos submersos, recifes mesofóticos, encostas de montes submarinos e planície abissal — sequência que depende de um alinhamento de vulcões em estágios diferentes de subsidência.

Os recifes mesofóticos, entre 30 m e 150 m, são o destaque científico: mergulhos técnicos encontraram comunidades de peixes em que as espécies endêmicas do Havaí somam quase a totalidade dos indivíduos, o índice mais alto já medido em um ecossistema marinho. Nas encostas profundas crescem corais e esponjas de longevidade extraordinária, com colônias de coral-negro datadas em cerca de 4.200 anos e de coral-dourado em cerca de 2.700 anos.

Biodiversidade

Cerca de 7.000 espécies marinhas foram registradas, das quais aproximadamente um quarto ocorre apenas no arquipélago havaiano — mais de 3.000 km separam o Havaí de qualquer outro conjunto de ilhas, e o isolamento produziu endemismo comparável ao da Reserva Marinha de Galápagos. As ilhas concentram ainda mais de 14 milhões de aves marinhas reprodutoras.

  • Foca-monge-havaianaNeomonachus schauinslandi, endêmica e classificada como em perigo, com população total em torno de 1.600 indivíduos, a maior parte reproduzindo-se nos atóis do monumento.
  • Albatroz-de-laysanPhoebastria immutabilis tem em Midway a maior colônia do mundo; o indivíduo anilhado ali em 1956 é a ave selvagem mais longeva já documentada.
  • Tartaruga-verde-do-havaíChelonia mydas concentra sua nidificação nos bancos de areia de Lalo, os French Frigate Shoals.
  • Aves terrestres endêmicas — O pato-de-laysan, o tentilhão-de-laysan e o tentilhão-de-nihoa sobrevivem em uma ou duas ilhas cada.

Ilhas

Dez grupos principais compõem a parte emersa. Nihoa e Mokumanamana são remanescentes rochosos de vulcões; Lalo, Kamole, Kapou, Holoikauaua, Kuaihelani e Hōlanikū são atóis ou quase-atóis; Pūhāhonu e o Recife Maro representam estágios intermediários de submersão. Nihoa guarda terraços agrícolas anteriores ao contato europeu, e Mokumanamana concentra a maior densidade de sítios cerimoniais do arquipélago havaiano.

  • Nihoa — 0,7 km² e 277 m de altitude, a ilha mais alta da área protegida.
  • Kamole (Laysan) — 4,1 km², com um lago hipersalino interior e quatro aves endêmicas, duas delas já extintas.
  • Kuaihelani (Midway) — 6,2 km² em três ilhotas; palco da batalha naval de junho de 1942 e única pista de aviação da área.
  • Hōlanikū (Kure) — O atol mais setentrional do mundo, a 28°25' N, no limite térmico dos recifes de coral.

Portos e rotas relevantes

Não existe porto comercial no monumento, e o acesso é uma das formas centrais de proteção: entrar exige autorização, notificação de posição e inspeção de casco e de água de lastro contra espécies exóticas. O único fundeadouro com infraestrutura é o do Atol de Midway, com canal dragado, ancoradouro interno na laguna e a pista de Henderson Field, mantida como aeródromo de emergência transpacífico. Kure tem apenas desembarque por bote, e nos demais atóis a operação depende de embarcações leves lançadas de navios fundeados fora do recife.

A fiscalização combina patrulhamento da Guarda Costeira, sobrevoos, rastreamento por satélite e análise de imagens de radar. O tráfego relevante está no entorno: a área é atravessada por rotas transpacíficas entre a América do Norte e a Ásia e cercada pelos caladouros de espinhel havaianos, que capturam atum-patudo e espadarte imediatamente fora dos limites. A frota de espinhel opôs-se à ampliação de 2016 alegando perda de área de pesca.

Acessos e controle de tráfego
Ponto de acessoInfraestruturaUso
Atol de MidwayLaguna dragada e pista de aviaçãoPesquisa, refúgio de vida silvestre e pouso de emergência
Atol de KureDesembarque por botePosto sazonal do estado do Havaí
HonoluluPorto e aeroporto internacionalOrigem das expedições científicas e de fiscalização
Entorno da áreaRotas transpacíficas e caladourosTráfego mercante e pesca licenciada fora dos limites

Importância econômica

Dentro do monumento não há economia extrativa: a pescaria de lagosta foi encerrada em 2000 e a pesca de fundo, extinta por etapas até 2011. O valor econômico concentra-se em pesquisa, monitoramento e nos serviços do ecossistema, entre eles a manutenção de estoques que se dispersam para áreas pescadas ao sul. Midway teve vida econômica própria em outras eras — estação de cabo telegráfico desde 1903, escala de hidroaviões nos anos 1930 e base naval entre 1941 e 1993 —, mas hoje apenas dá suporte à conservação.

Importância ambiental

A relevância ambiental do monumento vem de três atributos combinados: extensão, isolamento e escassez de exploração recente. Poucos lugares do Pacífico tropical mantêm recifes com biomassa de predadores próxima ao estado natural, e a comparação com as ilhas havaianas habitadas fornece uma das medidas mais claras do efeito acumulado da pesca e da ocupação costeira. A área é também refúgio de última instância: a foca-monge, as aves terrestres de Laysan e Nihoa e parte da nidificação de tartarugas-verdes do Pacífico central dependem de ilhas que somam poucos quilômetros quadrados.

Problemas de conservação

O maior problema não nasce dentro do perímetro. A rotação do Giro Subtropical do Pacífico Norte concentra material flutuante na Zona de Convergência Subtropical e o empurra para os recifes do monumento, que funcionam como um pente no caminho do lixo. Estimativas oficiais indicam que dezenas de toneladas de redes, cabos e fragmentos plásticos chegam a cada ano aos atóis, e as campanhas de remoção iniciadas em 1996 já retiraram centenas de toneladas de material sem que o fluxo diminua.

O efeito sobre a fauna é direto: redes abandonadas emalham focas-monge e tartarugas nas lagunas rasas, e albatrozes que buscam alimento na convergência recolhem fragmentos plásticos e os regurgitam para os filhotes.

  • Elevação do nível do mar — Ilhas com altitude de poucos metros podem perder área de nidificação; a East Island, em Lalo, desapareceu quase inteiramente durante o furacão Walaka, em 2018.
  • Branqueamento de corais — Ondas de calor em 2014, 2015 e 2019 mataram corais em recifes tidos como refúgios térmicos.
  • Espécies exóticas — A erradicação de ratos, formigas e plantas invasoras sustenta as aves terrestres endêmicas.
  • Contaminação herdada — A antiga base naval de Midway deixou chumbo e hidrocarbonetos em áreas de nidificação.

Curiosidades

  1. O Atol de Kure, a 28°25' de latitude norte, é o atol mais setentrional do mundo: acima dessa linha, a água fria não permite que os corais compensem a erosão.
  2. Pūhāhonu, que aflora apenas como dois pináculos de rocha nua, foi identificado em 2020 como o maior vulcão-escudo da Terra em volume, superando o Mauna Loa.
  3. Nos recifes mesofóticos do monumento, praticamente todos os peixes observados pertencem a espécies exclusivas do arquipélago havaiano.
  4. A albatroz anilhada em Midway em 1956 continuou a reproduzir-se por mais de sessenta anos e é a ave selvagem mais longeva já documentada.
  5. Mokumanamana, com 18 hectares, concentra mais de trinta estruturas cerimoniais de pedra e fica sobre o Trópico de Câncer, limite que a tradição havaiana associa à passagem entre o mundo dos vivos e o dos ancestrais.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. UNESCO — Centro do Patrimônio Mundial. Papahānaumokuākea (sítio misto inscrito em 2010), 2010. Consultar publicação
  2. NOAA — Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Papahānaumokuākea Marine National Monument, 2025. Consultar publicação
  3. Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos. Midway Atoll and Hawaiian Islands National Wildlife Refuges, 2024. Consultar publicação
  4. Protected Planet — PNUMA-WCMC e UICN. Base mundial de áreas protegidas: Papahānaumokuākea Marine National Monument, 2025. Consultar publicação
  5. Lista Vermelha da UICN. Neomonachus schauinslandi e Phoebastria immutabilis, 2024. Consultar publicação
  6. Serviço Geológico dos Estados Unidos. Hawaiian-Emperor seamount chain and hotspot volcanism, 2023. Consultar publicação
  7. NASA Earth Observatory. Northwestern Hawaiian Islands and the North Pacific Subtropical Gyre, 2023. Consultar publicação

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