Mar de Weddell
Grande reentrância do setor atlântico antártico, berço da Água de Fundo Antártica e sede da plataforma de gelo Filchner–Ronne.
O Mar de Weddell é a grande reentrância do setor atlântico da Antártida, com área estimada em cerca de 2.800.000 km², delimitada a oeste pela Península Antártica, ao sul pela plataforma de gelo Filchner–Ronne e a leste pela Terra de Coats e pela Terra da Rainha Maud. Ao norte, abre-se para o Oceano Antártico em uma fronteira convencional que corre aproximadamente ao longo do arco das Órcadas do Sul e das Sandwich do Sul.
É o mar antártico mais coberto de gelo e o único do hemisfério sul em que o gelo marinho sobrevive de forma consistente de um ano para o outro, sobretudo no setor ocidental. Sua importância excede a regional: é ali que se produz a maior parte da Água de Fundo Antártica, a massa de água mais densa do oceano mundial, que se espalha pelos leitos abissais do Atlântico, do Índico e do Pacífico e ventila os andares mais profundos da circulação global.
Ficha técnica
- Nome
- Mar de Weddell
- Também chamado de
- Mar Jorge IV
- Tipo de formação
- Mar
- Localização
- Entre 60° S e 78° S e entre 60° O e 10° O, no setor atlântico do Oceano Antártico, encaixado entre a Península Antártica, a Terra de Coats e a Terra da Rainha Maud.
- Oceano de referência
- Antártico
- Continentes próximos
- Antártida
- Países e territórios
- Nenhum Estado exerce soberania reconhecida. O setor está coberto por reivindicações sobrepostas de Argentina, Reino Unido e Chile a oeste e por reivindicação norueguesa a leste, todas suspensas pelo Tratado da Antártida, em vigor desde 1961.
- Área aproximada
- 2.800.000 km²Valores entre 2.300.000 km² e 2.800.000 km² conforme o limite norte adotado e a inclusão das plataformas de gelo permanentes.
- Profundidade média
- Cerca de 3.000 mA plataforma continental sob a Filchner–Ronne é anormalmente funda, entre 400 m e 1.400 m.
- Profundidade máxima
- Cerca de 5.000 mPlanície Abissal de Weddell; compilações que estendem o limite norte citam valores acima de 6.500 m junto à Fossa de Sandwich do Sul.
- Salinidade
- 34,3 na camada superficial de verão e até 34,7 na água de plataforma de alta salinidade
- Temperatura da superfície
- De 1,9 °C negativos sob o gelo a cerca de 1 °C na borda norte, no verão
- Linha de costa
- Predominantemente frentes de gelo flutuante, com poucas centenas de quilômetros de costa rochosa exposta
- Correntes principais
- Giro de Weddell, ciclônico, corrente costeira antártica e cascatas de água densa pelo talude da Filchner.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
A publicação Limits of Oceans and Seas, da Organização Hidrográfica Internacional, define o Mar de Weddell a partir de uma linha que parte da Península Antártica em direção às Órcadas do Sul e segue até o Cabo Norvegia, na Terra da Rainha Maud, contornando depois a costa antártica até o ponto de partida. O limite norte é, portanto, uma convenção sem barreira física, e diferentes compilações o traçam em latitudes distintas.
A costa sul é quase inteiramente formada pela frente flutuante da plataforma de gelo Filchner–Ronne, a segunda maior do mundo em área, com aproximadamente 430.000 km², atrás apenas da plataforma de Ross. A barreira eleva-se de 20 m a 50 m acima da água e alcança 1.500 m de espessura junto à linha de encalhe, onde o gelo continental deixa de repousar sobre a rocha e passa a flutuar.
A oeste, ao longo da Península Antártica, estende-se a sequência de plataformas Larsen, hoje muito reduzida. O relevo submarino combina uma plataforma continental excepcionalmente profunda, resultado do rebaixamento isostático provocado pelo peso do manto de gelo, um talude íngreme e a Planície Abissal de Weddell, que se estende a mais de 4.500 m e é interrompida por elevações como a Maud Rise, no setor oriental.
Continentes e países próximos
Não existe soberania reconhecida sobre o Mar de Weddell nem sobre as terras que o cercam. O setor ocidental está sob reivindicações territoriais sobrepostas de Argentina, Reino Unido e Chile, e o setor oriental sob reivindicação norueguesa sobre a Terra da Rainha Maud. O Tratado da Antártida, assinado em 1959 e em vigor desde 1961, congelou todas essas pretensões, proibiu atividades militares e destinou o continente exclusivamente a fins pacíficos e científicos.
A presença humana se dá por estações de pesquisa, quase todas instaladas sobre plataformas de gelo ou em afloramentos rochosos da costa, e por campanhas de navios com casco reforçado que operam no verão austral. A ocupação é permanente em algumas bases e sazonal na maioria.
- Halley — Estação britânica sobre a plataforma Brunt, transferida em 2016 para escapar de uma fenda em propagação e operada apenas no verão desde 2017.
- Neumayer III — Base alemã na plataforma Ekström, em operação contínua desde 2009 e ponto de apoio das campanhas do navio de pesquisa Polarstern.
- Belgrano II — Estação argentina em Nunatak Bertrab, na Terra de Coats, uma das ocupações permanentes mais austrais do mundo.
- SANAE IV — Base sul-africana no maciço Vesleskarvet, na Terra da Rainha Maud.
- Órcadas — Nas ilhas Órcadas do Sul, ao norte do mar, funciona desde 1904 a estação argentina em operação contínua mais antiga da Antártida.
Área e profundidade
A superfície de água livre e coberta por gelo marinho soma aproximadamente 2.800.000 km², área maior que a de todo o Mar Mediterrâneo somado ao Mar Negro. A profundidade média fica em torno de 3.000 m na porção oceânica, mas a plataforma continental do sul apresenta uma anomalia notável: em vez dos 100 m a 200 m típicos das plataformas do mundo, atinge entre 400 m e 1.400 m, afundada pelo peso do manto de gelo continental.
Essa geometria é decisiva para a oceanografia global. Uma plataforma funda, coberta por uma barreira de gelo flutuante de mais de 400.000 km², cria as condições exatas para que a água se torne mais densa que qualquer outra do planeta e desça pelo talude em direção ao fundo do oceano.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 2.800.000 km² | Limite norte definido por convenção |
| Plataforma Filchner–Ronne | 430.000 km² | Segunda maior plataforma de gelo do mundo |
| Espessura máxima do gelo flutuante | Cerca de 1.500 m | Junto à linha de encalhe |
| Profundidade da plataforma continental | 400 m a 1.400 m | Rebaixada pelo peso do manto de gelo |
| Transporte do Giro de Weddell | 30 a 60 Sv | Um sverdrup equivale a 1 milhão de m³ por segundo |
| Contribuição à Água de Fundo Antártica | Cerca de metade do total | Restante formado sobretudo em Ross, Adélia e Prydz |
Principais correntes
A circulação é organizada pelo Giro de Weddell, um sistema ciclônico com cerca de 2.000 km de extensão no sentido leste–oeste, que transporta entre 30 e 60 sverdrups. Água Circumpolar Profunda, relativamente quente e salgada, entra pelo flanco leste do giro, circula ao longo da costa antártica no sentido horário e retorna para leste na borda norte, junto à Corrente Circumpolar Antártica.
A produção de água densa ocorre em várias etapas. No inverno, o congelamento da superfície expulsa sal para a água subjacente e forma a Água de Plataforma de Alta Salinidade. Parte dela penetra sob a plataforma Filchner–Ronne, onde é resfriada abaixo do ponto de congelamento da superfície pelo contato com a base do gelo, a alta pressão, transformando-se em Água de Plataforma de Gelo, com temperaturas próximas de 2,2 °C negativos.
Essas águas descem em cascata pelo talude, misturam-se com a Água Circumpolar Profunda e originam a Água de Fundo do Mar de Weddell, que ao transbordar as soleiras do arco de Scotia alimenta a Água de Fundo Antártica. Estima-se que o Weddell responda por cerca de metade dessa produção global. Séries de longo prazo indicam que a camada vem se tornando mais quente e menos salgada desde a década de 1990, e que seu volume no Atlântico abissal diminuiu, uma das alterações mais discutidas da circulação profunda contemporânea.
Clima
O clima é polar extremo. As médias de inverno na costa sul ficam entre 30 °C e 35 °C negativos, com mínimas abaixo de 50 °C negativos no interior das plataformas de gelo; no verão, a temperatura raramente ultrapassa 0 °C, exceto na ponta da Península Antártica. Ventos catabáticos descem do manto de gelo em direção ao mar e alcançam com frequência velocidades superiores a 100 km/h.
O gelo marinho é o traço definidor. A extensão sazonal multiplica-se por cinco entre fevereiro e setembro, e o setor ocidental, encostado na Península, retém gelo de vários anos, com espessura que ultrapassa 3 m, condição que não se repete em nenhum outro mar do hemisfério sul. Esse gelo perene alimenta a corrente que arrasta detritos e icebergs ao longo da costa e forma a chamada língua de gelo do Weddell, que se prolonga para o norte além de 60° S em anos frios.
Fenômenos de grande escala interrompem esse padrão. Entre 1974 e 1976, uma vasta área de mar aberto instalou-se em pleno inverno sobre a elevação submarina de Maud Rise, no setor oriental, atingindo cerca de 250.000 km². A polínia de Maud Rise reapareceu de forma efêmera em 2016 e 2017, e é atribuída à combinação entre a topografia do monte submarino, que aproxima da superfície uma camada mais quente e salgada, e o enfraquecimento da estratificação em anos de vento anômalo.
Ecossistemas
O gelo marinho não é um deserto: sua base abriga uma comunidade de algas que colore a face inferior dos blocos e sustenta a cadeia alimentar durante o inverno, quando a luz na coluna de água é insuficiente. O krill antártico Euphausia superba raspa essas algas nos primeiros meses de vida, e as concentrações do crustáceo no Weddell estão entre as maiores do oceano austral.
A plataforma continental profunda abriga comunidades bentônicas de esponjas silicosas, briozoários, ascídias e crinoides que crescem com extrema lentidão e podem levar séculos para se recompor após um distúrbio. Esses fundos são periodicamente arrasados por icebergs encalhados, o que cria um mosaico de manchas em diferentes estágios de recolonização, hoje usado como modelo natural de sucessão ecológica.
A água do Weddell figura entre as mais transparentes já medidas em qualquer oceano: em 1986, uma medição com disco de Secchi realizada a partir do navio Polarstern registrou visibilidade de 79 m, valor próximo do limite teórico da água pura. A transparência resulta da baixíssima concentração de partículas e da produtividade concentrada em pulsos curtos de verão.
Biodiversidade
A fauna combina adaptações fisiológicas extremas com densidades locais elevadas. Peixes da família Nototheniidae produzem proteínas anticongelantes que impedem a formação de cristais de gelo no sangue, e os icefishes da família Channichthyidae são os únicos vertebrados adultos conhecidos sem hemoglobina, transportando oxigênio dissolvido no plasma em água próxima do ponto de congelamento.
- Foca-de-weddell — Leptonychotes weddellii é o mamífero que se reproduz mais ao sul no planeta. Mantém buracos de respiração abertos no gelo desgastando-o com os dentes, mergulha a mais de 600 m e permanece submersa por mais de uma hora.
- Colônia de icefish — Em 2021, um levantamento com câmeras rebocadas no sul do Weddell revelou uma colônia reprodutiva de Neopagetopsis ionah com cerca de 60 milhões de ninhos ativos distribuídos por aproximadamente 240 km², a maior agregação reprodutiva de peixes já registrada.
- Pinguim-imperador — Várias colônias reproduzem-se sobre o gelo fixo do Weddell; a de Halley Bay, na plataforma Brunt, praticamente desapareceu entre 2016 e 2019 após sucessivas rupturas precoces do gelo.
- Krill antártico — Euphausia superba concentra-se junto à borda do gelo e sustenta focas-caranguejeiras, baleias-minke-antárticas e aves marinhas.
- Foca-caranguejeira — Lobodon carcinophaga, provavelmente o pinípede mais numeroso do mundo, filtra krill com dentes de cúspides entrelaçadas e vive associada ao gelo à deriva.
Ilhas
O Mar de Weddell tem poucas ilhas rochosas, e a maior parte de suas elevações emersas é, na verdade, gelo. A feição mais extensa é a Ilha Berkner, um domo de gelo de cerca de 44.000 km² encravado na plataforma Filchner–Ronne que repousa sobre rocha abaixo do nível do mar: trata-se do maior monte de gelo insular do mundo, e é ele que separa os setores Filchner e Ronne da barreira.
As ilhas rochosas concentram-se no extremo noroeste, junto à Península Antártica, onde afloram algumas das mais importantes sequências fossilíferas do hemisfério sul.
- Berkner — Cerca de 44.000 km² de gelo assente sobre substrato submerso, dividindo a plataforma Filchner–Ronne em dois setores.
- Seymour — Uma das mais ricas jazidas fósseis da Antártida, com pinguins gigantes do Eoceno, mamíferos marsupiais e o registro da extinção do fim do Cretáceo.
- Snow Hill — Base da expedição sueca de Otto Nordenskjöld entre 1902 e 1903 e sede de uma colônia de pinguim-imperador de acesso raro.
- Paulet — Ilha vulcânica onde náufragos da mesma expedição sobreviveram ao inverno de 1903 em um abrigo de pedra ainda existente.
- Órcadas do Sul — Arquipélago no limite norte do mar, cuja plataforma sul é protegida desde 2009 como a primeira área marinha protegida em alto-mar do mundo, com cerca de 94.000 km².
Portos e rotas relevantes
Não existem portos no Mar de Weddell nem qualquer infraestrutura portuária permanente. O abastecimento das estações é feito por descarga direta sobre o gelo fixo, com navios de casco reforçado que se aproximam da frente da plataforma no verão austral e transferem carga por trenó, guindaste ou aeronave. Em anos de gelo severo, campanhas inteiras são canceladas.
As rotas de acesso partem da América do Sul, pela Passagem de Drake e pela Península Antártica, ou da África do Sul, em direção à Terra da Rainha Maud. O setor ocidental é notoriamente perigoso: a deriva do gelo perene no sentido anti-horário aprisiona embarcações contra a Península, exatamente o mecanismo que destruiu o Endurance em 1915 e que continua a impor limites à navegação.
| Ponto de apoio | Operador | Função |
|---|---|---|
| Frente da plataforma Ekström | Alemanha | Descarga para a estação Neumayer III |
| Baía de Halley, plataforma Brunt | Reino Unido | Acesso sazonal à estação Halley |
| Nunatak Bertrab, Terra de Coats | Argentina | Apoio a Belgrano II por navio e aeronave |
| Ilhas Órcadas do Sul | Argentina | Estação Órcadas, escala no limite norte do mar |
| Punta Arenas e Cidade do Cabo | Chile e África do Sul | Bases logísticas continentais das campanhas |
Importância econômica
Não há economia extrativa relevante no Mar de Weddell. O Protocolo de Madri, adotado em 1991 e em vigor desde 1998, proíbe qualquer atividade relacionada a recursos minerais na área do Tratado da Antártida, salvo pesquisa científica, e não há previsão de revisão antes de 2048. A ausência de portos, a cobertura de gelo e a distância de qualquer mercado tornariam qualquer operação industrial inviável mesmo sem essa vedação.
A pesca é limitada e integralmente regulada pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos. Nas subáreas do Weddell, a atividade resume-se a pescarias exploratórias de merluza-negra Dissostichus mawsoni com espinhel, sujeitas a cotas pequenas, observadores a bordo e regras de encerramento imediato. A pesca de krill, intensa mais a oeste, junto às Órcadas e Shetlands do Sul, praticamente não avança para dentro do mar.
A atividade econômica de fato existente é científica e logística: campanhas oceanográficas, perfuração de testemunhos de gelo e sedimento, monitoramento por satélite e boias autônomas. Um turismo de expedição muito restrito alcança a Península e as ilhas do noroeste, com desembarques regulados pelo próprio setor e pelas partes do Tratado.
Importância ambiental
A importância ambiental do Weddell é global. Ao produzir cerca de metade da Água de Fundo Antártica, o mar ventila os andares abissais de três oceanos e regula, em escala de séculos, a quantidade de calor e de carbono que o oceano profundo consegue armazenar. Alterações no volume e na densidade dessa massa de água repercutem em toda a circulação de revolvimento meridional.
O sistema também é o principal ponto de contato entre o oceano e o manto de gelo da Antártida Ocidental. Modelos indicam que uma incursão de Água Circumpolar Profunda mais quente para dentro da cavidade sob a plataforma Filchner–Ronne aumentaria fortemente o derretimento basal e a descarga de gelo continental, com efeito direto sobre o nível do mar. É uma das principais incertezas nas projeções de longo prazo.
O colapso das plataformas do lado da Península demonstrou a rapidez possível dessas mudanças: a plataforma Larsen A desintegrou-se em 1995 e a Larsen B perdeu cerca de 3.250 km² em pouco mais de um mês, no início de 2002. Em julho de 2017, a Larsen C liberou o iceberg A-68, com aproximadamente 5.800 km². Do lado sul, o iceberg A23a, desprendido da Filchner em 1986 e encalhado por décadas, voltou a se mover em 2020 e manteve-se como o maior iceberg do mundo, com cerca de 3.900 km².
Problemas de conservação
Uma proposta de área marinha protegida para o Mar de Weddell, com cerca de 1,8 milhão de km², foi apresentada em 2016 pela Alemanha em nome da União Europeia à Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos e vem sendo submetida à reunião anual desde 2018. O organismo decide por consenso, e a proposta tem sido bloqueada de forma reiterada, sem que se tenha alcançado o acordo obtido em 2016 para a Área Marinha Protegida do Mar de Ross.
O patrimônio histórico do mar recebeu proteção específica. O naufrágio do Endurance, navio da Expedição Imperial Transantártica de Ernest Shackleton, está inscrito como Sítio e Monumento Histórico sob o Tratado da Antártida, o que proíbe qualquer perturbação, remoção de objetos ou aproximação não autorizada.
- Aquecimento da água profunda — Séries hidrográficas repetidas indicam aquecimento e redução de salinidade da Água de Fundo do Weddell desde a década de 1990, com contração do volume ocupado no Atlântico abissal.
- Gelo marinho em queda — A extensão de gelo do oceano austral atingiu mínimos históricos em 2022, 2023 e 2024, com quedas expressivas no setor de Weddell, após décadas de relativa estabilidade.
- Colônias de pinguim-imperador — A dependência de gelo fixo estável torna as colônias vulneráveis a rupturas precoces, como ocorreu em Halley Bay entre 2016 e 2019.
- Pesca de merluza-negra — A espécie é longeva e de maturação tardia; as pescarias exploratórias operam com cotas conservadoras e observadores obrigatórios, mas a pesca ilegal em águas antárticas permanece uma preocupação.
- Espécies introduzidas — Cascos e equipamentos podem transportar organismos incrustantes; caranguejos litódidos, historicamente ausentes das plataformas antárticas, foram detectados em taludes vizinhos com o aquecimento das águas de fundo.
Curiosidades
- O naufrágio do Endurance, esmagado pelo gelo e afundado em 21 de novembro de 1915, foi localizado em 5 de março de 2022 a 3.008 m de profundidade, a cerca de 6 km da posição registrada pelo navegador Frank Worsley; o casco está notavelmente preservado porque não existem moluscos perfuradores de madeira nas águas antárticas.
- O mar leva o nome de James Weddell, que em 1823 alcançou com o brigue Jane a latitude de 74°15 S em um ano de gelo excepcionalmente escasso, marca que não seria superada por oito décadas; a área chamou-se inicialmente Mar Jorge IV e recebeu o nome atual por volta de 1900.
- Entre 1974 e 1976, uma área de mar aberto de cerca de 250.000 km² manteve-se livre de gelo em pleno inverno sobre a elevação submarina de Maud Rise, fenômeno que só voltou a se repetir de forma breve em 2016 e 2017.
- Uma medição com disco de Secchi feita a partir do navio Polarstern em 1986 registrou visibilidade de 79 m na água do Weddell, um dos valores mais altos já obtidos em qualquer oceano.
- A colônia reprodutiva de Neopagetopsis ionah descoberta no sul do mar em 2021 reúne cerca de 60 milhões de ninhos ativos em aproximadamente 240 km², e é a maior agregação de peixes em reprodução já documentada.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- CCAMLR. Proposta de Área Marinha Protegida do Mar de Weddell e relatórios da reunião anual, 2024. Consultar publicação
- National Snow and Ice Data Center. Antarctic sea ice extent and Sea Ice Index, 2025. Consultar publicação
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- NOAA. Global Ocean Data Analysis and Antarctic Bottom Water observations, 2023. Consultar publicação
- NASA Earth Observatory. Larsen ice shelf collapse and iceberg A-68, 2021. Consultar publicação
- Secretariado do Tratado da Antártida. Sítios e Monumentos Históricos — naufrágio do Endurance, 2022. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
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