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Bacia oceânica Oceano Pacífico

Bacia das Filipinas

Maior bacia marginal do mundo, aberta por expansão de fundo entre 55 e 30 milhões de anos, com a Fossa das Filipinas e o Abismo Galathea em sua borda oeste.

Mapa de localização de Bacia das Filipinas, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre o arquipélago filipino, as Ryukyu e Palau, com a dorsal remanescente que parte a bacia ao meio.

A Bacia das Filipinas é a maior bacia marginal do planeta e ocupa o fundo do Mar das Filipinas, no Oceano Pacífico ocidental. É uma feição do leito oceânico, e seus limites são fossas e arcos de ilhas: a oeste, o arco filipino e a Fossa das Filipinas; a norte, as Ilhas Ryukyu; a leste, a Dorsal Kyushu–Palau e o arco Izu–Bonin–Marianas; a sul, as fossas de Palau e de Yap.

O piso da bacia foi construído por expansão de fundo entre aproximadamente 55 e 30 milhões de anos atrás, ao longo de um centro de expansão hoje extinto. Isso faz dela uma crosta oceânica antiga, fria e densa, coberta por sedimento fino e pontuada por montes submarinos. Sobre essa base, o mar acima é um dos mais dinâmicos do mundo: nele nasce a Corrente de Kuroshio e nele se formam mais ciclones tropicais intensos do que em qualquer outra região do planeta.

Ficha técnica

Nome
Bacia das Filipinas
Também chamado de
Bacia do Mar das Filipinas
Tipo de formação
Bacia oceânica
Localização
Pacífico Ocidental, aproximadamente entre 5° N e 25° N e entre 122° L e 145° L, a leste do arquipélago filipino e a oeste da Dorsal Kyushu–Palau.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
Ásia
Países e territórios
Não há costas na bacia abissal. Alcançam-na as zonas econômicas exclusivas das Filipinas, do Japão, de Palau, dos Estados Federados da Micronésia e as águas administradas por Taiwan. O setor central inclui áreas de alto-mar.
Área aproximada
Entre 4.000.000 km² e 5.700.000 km²O valor inferior corresponde à Bacia Ocidental das Filipinas; o superior, a todo o conjunto do Mar das Filipinas.
Profundidade média
Entre 4.000 m e 4.600 m
Profundidade máxima
Cerca de 10.540 mAbismo Galathea, na Fossa das Filipinas, valor de 1951; levantamentos multifeixe modernos indicam cerca de 10.000 m.
Salinidade
34,3 a 34,8
Temperatura da superfície
De 27 °C a 30 °C na superfície e cerca de 1,5 °C abaixo de 4.000 m
Correntes principais
Corrente Norte Equatorial, bifurcação ao largo de Luzon, nascimento da Corrente de Kuroshio, Corrente de Mindanao e Água Circumpolar Profunda do Pacífico.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

A bacia é delimitada por fossas de subducção em quase todo o perímetro, o que a diferencia das bacias abertas do Atlântico. A oeste, a Fossa das Filipinas corre por cerca de 1.320 km ao longo de Samar, Leyte e Mindanao, onde está o ponto mais profundo do compartimento, produzido pela subducção da Placa do Mar das Filipinas sob o arco insular, no Anel de Fogo do Pacífico.

A Dorsal Kyushu–Palau é um arco vulcânico extinto de cerca de 2.600 km que divide o mar em duas metades de histórias diferentes: a oeste está a Bacia Ocidental das Filipinas, a mais antiga; a leste, as bacias de Shikoku e de Parece Vela, abertas entre 30 e 15 milhões de anos atrás. Esse arranjo em faixas de idades decrescentes registra o recuo da zona de subducção. O interior é recortado por montes submarinos e pela Elevação Filipina, planalto oceânico extinto de cerca de 130.000 km².

Continentes e países próximos

A bacia abissal não tem costas nem população, mas está cercada por Estados arquipelágicos cujas zonas econômicas exclusivas cobrem grande parte de sua superfície. Uma controvérsia jurídica incide sobre o setor nordeste: o Japão considera Okinotorishima, recife coralino a cerca de 1.700 km de Tóquio, uma ilha capaz de gerar zona econômica exclusiva, enquanto a China e a Coreia do Sul sustentam que se trata de rochedo, categoria que não gera esses direitos pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

  • Filipinas — Maior projeção jurisdicional; sua plataforma estendida na Elevação Filipina foi recomendada pela comissão das Nações Unidas em 2012.
  • Japão — Alcança o norte pelas Ryukyu, pelas Ogasawara e por recifes isolados, com a controvérsia sobre Okinotorishima.
  • Palau e Micronésia — Bordas sul e sudeste, junto às fossas de Palau e de Yap.
  • Alto-mar — Faixas centrais ficam fora de jurisdição nacional, com a pesca de atum sujeita à Comissão de Pesca do Pacífico Ocidental e Central.

Área e profundidade

O conjunto do Mar das Filipinas e de suas sub-bacias abrange entre 4 e 5,7 milhões de quilômetros quadrados, à frente de qualquer outra bacia marginal, incluindo o Mar do Caribe. A extensão norte–sul chega a 2.500 km e a leste–oeste, a 2.800 km. O ponto mais fundo está na Fossa das Filipinas, em torno de 10° N e 127° L, no trecho chamado Abismo Galathea ou Abismo Emden.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
ÁreaDe 4.000.000 km² a 5.700.000 km²Bacia ocidental ou conjunto inteiro
Profundidade máximaCerca de 10.540 mAbismo Galathea, valor de 1951
Idade da crosta ocidentalDe 55 a 30 milhões de anosExpansão pela Fossa Central da Bacia
Dorsal Kyushu–PalauCerca de 2.600 kmArco vulcânico extinto

Principais correntes

A borda leste recebe a Corrente Norte Equatorial, que atravessa o Pacífico de leste para oeste em torno de 10° N a 15° N. Ao encontrar o arco filipino, bifurca-se na altura de Luzon, entre 12° N e 15° N, em latitude que oscila com as estações e com os eventos de El Niño e La Niña. O ramo que segue para norte é o início da Corrente de Kuroshio, corrente de contorno oeste do Pacífico Norte.

O Kuroshio deixa a bacia pelo Estreito de Luzon com transporte estimado entre 20 Sv e 25 Sv e alcança 40 Sv a 70 Sv ao largo do Japão, com velocidades de 1 m a 1,5 m por segundo no eixo. O ramo sul da bifurcação forma a Corrente de Mindanao; em profundidade, a bacia é ventilada pela Água Circumpolar Profunda do Pacífico, de origem antártica, e a água retida nas fossas abaixo de 8.000 m renova-se em escalas de séculos.

Clima

A bacia está no coração da região de formação de ciclones tropicais mais ativa do planeta. O Pacífico Noroeste gera em média cerca de 26 tempestades nomeadas por ano, um terço do total global, e boa parte delas se forma ou se intensifica sobre águas que permanecem acima de 28 °C durante quase todo o ano, com camada quente profunda o bastante para sustentar intensificação rápida.

Foi sobre essa bacia que se formou o tufão Tip, em outubro de 1979, no qual foi medida a menor pressão atmosférica ao nível do mar já registrada na superfície do planeta, 870 hPa. Também a atravessou o Haiyan, em novembro de 2013. A monção asiática organiza o restante do regime, e o Pacífico Noroeste é a única bacia do mundo em que ciclones tropicais ocorrem em todos os meses.

Ecossistemas

A coluna de água é oligotrófica em boa parte do ano: as águas quentes e estratificadas do giro subtropical limitam o aporte de nutrientes à camada iluminada. As exceções são a borda do Kuroshio, onde a turbulência da frente promove mistura, e as áreas de ressurgência em torno de montes submarinos.

A borda oeste concentra os ecossistemas rasos de maior diversidade do mundo: o arquipélago filipino integra o Triângulo do Coral, que abriga cerca de três quartos das espécies de corais construtores de recife conhecidas. Sob 6.000 m, nas fossas, instala-se a zona hadal, com pressão superior a 1.000 atmosferas e escuridão total. As fossas funcionam como armadilhas de matéria orgânica, o que sustenta densidades de fauna altas para a profundidade.

Biodiversidade

A biodiversidade distribui-se em dois extremos verticais: na superfície circulam grandes migradores de valor comercial; nas fossas, comunidades especializadas, com muitas espécies restritas a uma única depressão. Entre eles, a zona mesopelágica abriga a camada de dispersão profunda, de peixes-lanterna e crustáceos.

  • Bonito-listrado e albacora-lajeKatsuwonus pelamis e Thunnus albacares sustentam parte expressiva da captura mundial de atum.
  • Fauna hadal — Anfípodes, holotúrias e peixes-caracol do gênero Pseudoliparis ocupam as fossas.
  • NautilusNautilus pompilius habita encostas insulares entre 100 m e 500 m e foi incluído no Apêndice II da CITES em 2016.

Ilhas

O interior abissal é praticamente desprovido de terras emersas: com fundos entre 4.000 m e 6.000 m, apenas cumes de vulcões e recifes isolados alcançam a superfície. As terras que a cercam são arcos vulcânicos ligados à subducção que delimita o compartimento.

  • Luzon, Samar, Leyte e Mindanao — Arco filipino que forma a borda oeste; Mindanao tem 97.530 km² e margeia a Fossa das Filipinas.
  • Arquipélago Ryukyu — Cadeia de cerca de 1.200 km entre Kyushu e Taiwan, com Okinawa como maior ilha.
  • Palau e Yap — 459 km² sobre a extremidade sul da Dorsal Kyushu–Palau e a ilha micronésia vizinha.
  • Okinotorishima — Recife coralino a cerca de 1.700 km de Tóquio, com poucos metros quadrados emersos em maré alta; o Japão o classifica como ilha e outros Estados, como rochedo.

Portos e rotas relevantes

Não há portos sobre a bacia, que é fundo abissal em oceano aberto. Os terminais que a servem estão nos arcos insulares: Legazpi, Tacloban, Surigao e Davao, nas Filipinas, Naha, em Okinawa, Koror, em Palau, e Colonia, em Yap. Manila, o maior terminal filipino, fica na costa oposta de Luzon, voltada para o Mar da China Meridional.

Por ela passam os trajetos que ligam Japão, Coreia do Sul e Taiwan ao Estreito de Malaca e à Oceania, além das derrotas transpacíficas. O Estreito de Luzon é a saída do Kuroshio e o corredor com a maior concentração de cabos submarinos da Ásia, vulnerabilidade demonstrada em dezembro de 2006, quando um terremoto ao largo de Pingtung, em Taiwan, desencadeou deslizamentos que romperam oito sistemas de uma só vez.

Acessos, rotas e infraestrutura
ElementoNaturezaFunção
Estreito de LuzonPassagemSaída do Kuroshio e principal corredor de cabos da Ásia
Naha, OkinawaPorto insularPrincipal terminal japonês na borda norte
Davao e SurigaoPortos insularesAcessos filipinos do lado da Fossa das Filipinas
Koror, PalauPorto insularApoio logístico e científico na borda sul

Importância econômica

A pesca de atum é a atividade dominante. O Pacífico Ocidental e Central responde por mais da metade da captura mundial de atuns tropicais, e a bacia é área de operação de frotas de cerco e de espinhel de várias bandeiras. As taxas de licenciamento pagas por frotas distantes são receita significativa para os Estados insulares do Pacífico.

O transporte marítimo é o segundo pilar, com o Estreito de Luzon concentrando contêineres, gás liquefeito e granéis. A prospecção mineral submarina é incipiente: não há na bacia províncias de nódulos comparáveis à Zona Clarion-Clipperton, e o interesse se limita a sulfetos do arco das Marianas e a crostas de montes submarinos.

Importância ambiental

A bacia é peça central do sistema climático do Pacífico. A piscina de água quente do Pacífico Ocidental, que se estende sobre ela, é a maior área de água superficial acima de 28 °C do planeta e alimenta a convecção que organiza a circulação atmosférica tropical. A Corrente de Kuroshio, que nasce em sua borda, transporta calor tropical para o norte com papel análogo ao da Corrente do Golfo no Atlântico.

As fossas cumprem função própria: são sumidouros de carbono orgânico e concentradoras de poluentes. Anfípodes coletados em fossas do Pacífico Ocidental apresentaram concentrações de poluentes orgânicos persistentes comparáveis às de áreas industriais costeiras.

Problemas de conservação

A pressão sobre os estoques de atum é o problema de gestão mais persistente: bonito-listrado e albacora-laje seguem em situação confortável, mas o patudo esteve em nível crítico e depende de limitações de dispositivos de concentração de peixes e de vedas temporárias. Nas bordas insulares, a degradação de recifes é severa, com pesca destrutiva, sedimentação, branqueamento e acidificação atuando de forma combinada.

  • Risco sísmico e de tsunami — As fossas das Filipinas e de Ryukyu, no Anel de Fogo, geram terremotos de grande magnitude e tsunamis regionais.
  • Tufões mais intensos — O aquecimento superficial favorece intensificação rápida, e a proporção de tufões de categoria mais alta aumentou no Pacífico Noroeste.
  • Poluentes em ambiente hadal — Poluentes orgânicos persistentes e microplástico acumulam-se nos sedimentos e na fauna das fossas.
  • Lacuna de proteção em alto-mar — Os setores centrais seguem sem áreas protegidas; o acordo de 2023 sobre biodiversidade em alto-mar abre a possibilidade jurídica.

Curiosidades

  1. Em 1951, a expedição dinamarquesa Galathea recolheu animais vivos a mais de 10.000 m de profundidade na Fossa das Filipinas: a demonstração direta de que existe vida nas maiores profundidades do oceano.
  2. A menor pressão atmosférica ao nível do mar já medida na superfície do planeta, 870 hPa, foi registrada no tufão Tip, em outubro de 1979, sobre o Mar das Filipinas.
  3. A crosta do fundo é organizada em faixas de idades sucessivas: a mais antiga, a oeste da Dorsal Kyushu–Palau, tem entre 55 e 30 milhões de anos; Shikoku e Parece Vela abriram entre 30 e 15 milhões de anos atrás.
  4. Um terremoto ao largo de Pingtung, em Taiwan, em dezembro de 2006, provocou deslizamentos submarinos que romperam oito cabos de telecomunicações de uma só vez no Estreito de Luzon.
  5. Palau declarou santuário marinho em 80% de sua zona econômica exclusiva, com proibição de pesca comercial em vigor desde 2020, medida que abrange parte da borda sul da bacia.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
  2. NOAA — Ocean Exploration. Deep-sea trenches and hadal environments, 2024. Consultar publicação
  3. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  4. FAO — Fisheries and Aquaculture. Review of the state of world marine fishery resources, Western Central Pacific, Área 71, 2022. Consultar publicação
  5. USGS. Earthquake hazards of the Philippine Sea Plate and surrounding subduction zones, 2023. Consultar publicação
  6. UNESCO — Patrimônio Mundial. Ogasawara Islands e Tubbataha Reefs Natural Park, 2023. Consultar publicação
  7. Copernicus Marine Service. Global Ocean Physics Analysis and Forecast — Pacífico Ocidental, 2025. Consultar publicação

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