Mar do Caribe
Maior mar do Atlântico ocidental, com cerca de 2.754.000 km², 7.686 m na Fossa das Ilhas Cayman e o segundo maior sistema recifal do planeta.
O Mar do Caribe é o maior mar do Atlântico ocidental e um dos corpos de água tropicais mais complexos do planeta. Ocupa aproximadamente 2.754.000 km² entre o istmo centro-americano, o norte da América do Sul e o duplo arco das Grandes e Pequenas Antilhas, comunicando-se com o Oceano Atlântico por dezenas de passagens interinsulares e com o Golfo do México pelo Canal de Yucatán. Ao contrário do que sugere a imagem de águas rasas do litoral, trata-se de um mar profundo: a média fica em torno de 2.200 m e a Fossa das Ilhas Cayman desce a 7.686 m.
A bacia assenta-se sobre a Placa do Caribe, cujas bordas concentram subducção, vulcanismo e sismicidade. Esse arcabouço produziu quatro bacias abissais separadas por cristas submarinas, mais de setecentas ilhas e um arco vulcânico ativo. Sobre ele desenvolveu-se o segundo maior conjunto de recifes de coral do mundo, hoje submetido a branqueamentos recorrentes, doenças, furacões mais intensos e ao encalhe maciço de sargaço pelágico registrado desde 2011.
Ficha técnica
- Nome
- Mar do Caribe
- Também chamado de
- Caribe, Mar das Antilhas
- Tipo de formação
- Mar
- Localização
- Entre 9° N e 22° N e entre 89° O e 60° O, limitado ao sul pela América do Sul, ao oeste pela América Central, ao norte pelas Grandes Antilhas e a leste pelo arco das Pequenas Antilhas.
- Oceano de referência
- Atlântico
- Continentes próximos
- América Central, América do Sul, América do Norte
- Países e territórios
- México, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Cuba, Jamaica, Haiti, República Dominicana, Trindade e Tobago, Antígua e Barbuda, Barbados, Dominica, Granada, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas, além de territórios de França, Países Baixos, Reino Unido e Estados Unidos.
- Área aproximada
- 2.754.000 km²Delimitações mais restritas do arco antilhano indicam cerca de 2.515.900 km².
- Profundidade média
- 2.200 m
- Profundidade máxima
- 7.686 mFossa das Ilhas Cayman, também chamada Profundidade de Bartlett, entre Cuba e a Jamaica.
- Volume
- Cerca de 6,86 milhões de km³
- Salinidade
- 35,5 a 36,5
- Temperatura da superfície
- De 25 °C a 28 °C em fevereiro e de 28 °C a 30 °C entre agosto e outubro
- Linha de costa
- Aproximadamente 29.000 km somando continente e ilhas
- Correntes principais
- Corrente do Caribe, Corrente de Yucatán, contracorrente do Panamá-Colômbia e giro ciclônico da Bacia da Colômbia.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
O mar estende-se por cerca de 2.750 km de Belize a Barbados e por até 1.400 km no sentido norte–sul. A fronteira norte é formada pelas Grandes Antilhas — Cuba, Hispaniola, Jamaica e Porto Rico —, enquanto o arco das Pequenas Antilhas o separa a leste do Atlântico aberto. A publicação Limits of Oceans and Seas (S-23), da Organização Hidrográfica Internacional, traça o limite oriental pela linha que percorre Barbados, Martinica, Dominica e Guadalupe até Sombrero.
A troca com bacias vizinhas depende de soleiras estreitas: o Canal de Yucatán, com cerca de 2.040 m, conduz ao Golfo do México, e as passagens de Windward e de Anegada são as vias mais fundas rumo ao Atlântico. O fundo divide-se em quatro compartimentos, separados pelas cristas de Beata e de Aves: as bacias de Yucatán, das Ilhas Cayman, da Colômbia e da Venezuela.
Continentes e países próximos
Vinte e um Estados soberanos têm costa caribenha, somados a mais de uma dezena de territórios dependentes. Muitos dos Estados insulares têm zonas econômicas exclusivas centenas de vezes maiores que o território terrestre. A Convenção de Cartagena, adotada em 1983 sob o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, é o principal instrumento regional de proteção do meio marinho.
- Margem continental — México, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia e Venezuela.
- Grandes Antilhas — Cuba, Jamaica, Haiti e República Dominicana, além de Porto Rico e das Ilhas Cayman.
- Pequenas Antilhas — Trindade e Tobago, Barbados, Granada, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Dominica, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Neves.
- Territórios dependentes — Guadalupe, Martinica, Aruba, Curaçao, Bonaire, Montserrat e as Ilhas Virgens.
Área e profundidade
A cifra de área mais difundida é de aproximadamente 2.754.000 km², com volume próximo de 6,86 milhões de km³. A profundidade média, entre 2.200 m e 2.400 m conforme o levantamento, revela um mar predominantemente abissal, em que as plataformas rasas se restringem ao Banco de Campeche, ao litoral de Belize e Honduras e ao Golfo da Venezuela.
A Fossa das Ilhas Cayman é a estrutura mais notável do fundo: uma bacia de expansão associada à falha transformante que separa a Placa do Caribe da Placa Norte-Americana. Seu ponto mais fundo conhecido, a Profundidade de Bartlett, situa-se entre a Jamaica e as Ilhas Cayman.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 2.754.000 km² | Cerca de 2.515.900 km² em delimitações restritas |
| Volume | 6,86 milhões de km³ | Cerca de 0,5% do volume oceânico |
| Profundidade média | 2.200 m | Quatro bacias abissais |
| Profundidade máxima | 7.686 m | Fossa das Ilhas Cayman |
Principais correntes
A circulação superficial é dominada por um fluxo de oeste, alimentado pela Corrente Norte-Equatorial e pela Corrente das Guianas, que entram pelas passagens das Pequenas Antilhas. Esse aporte organiza-se na Corrente do Caribe, que percorre a bacia rumo a noroeste com transporte estimado entre 25 e 30 milhões de m³ por segundo e acelera ao se estrangular no Canal de Yucatán.
Ao penetrar no Golfo do México, essa corrente descreve o meandro conhecido como Corrente de Laço, sai pelo Estreito da Flórida e, somada à Corrente das Antilhas, constitui o trecho inicial da Corrente do Golfo. O Caribe é, portanto, a antecâmara de um dos principais sistemas de transporte de calor do planeta, responsável por parte da amenidade climática do noroeste europeu.
Sobre esse padrão atuam um giro ciclônico na Bacia da Colômbia e a ressurgência do norte da Venezuela, ativada pelos alísios entre dezembro e abril.
Clima
O clima é tropical marítimo, regido pelos alísios de nordeste e pela migração estacional da Zona de Convergência Intertropical. A estação seca vai de dezembro a abril e a chuvosa de maio a novembro. A temperatura da superfície raramente cai abaixo de 25 °C e ultrapassa 30 °C no fim do verão boreal.
A temporada de furacões do Atlântico vai de 1º de junho a 30 de novembro, com pico entre meados de agosto e meados de outubro. As águas quentes e o baixo cisalhamento vertical do vento no Caribe ocidental favorecem intensificação rápida: Mitch, em 1998, e Ivan, em 2004, atingiram categoria 5 na bacia, e Maria, em 2017, devastou Dominica e Porto Rico. Em 2023 e 2024, o Caribe registrou as temperaturas superficiais mais altas de sua série instrumental, o que prolongou a janela favorável à ciclogênese e desencadeou o branqueamento mais severo já documentado na região.
Ecossistemas
Três ecossistemas costeiros interligados estruturam a produtividade caribenha: recifes de coral, pradarias de fanerógamas marinhas e manguezais. Os recifes cobrem entre 20.000 km² e 26.000 km², o que faz do Caribe o segundo maior conjunto recifal do planeta, atrás apenas do Indo-Pacífico ocidental representado pela Grande Barreira de Corais. O Sistema Recifal Mesoamericano, que acompanha por cerca de 1.000 km as costas do México, de Belize, da Guatemala e de Honduras, é a maior barreira contínua do Atlântico.
As pradarias de Thalassia testudinum servem de berçário a lagostas e peixes recifais, e os manguezais de Rhizophora mangle retêm sedimentos que, de outro modo, soterrariam os corais. Em profundidade, o mar abriga corais de água fria, montes submarinos e as fontes hidrotermais da Fossa das Ilhas Cayman.
Biodiversidade
A província caribenha é reconhecida como centro de endemismo marinho do Atlântico tropical, com cerca de 65 espécies de corais formadores de recife, mais de 1.400 espécies de peixes e seis das sete espécies de tartarugas marinhas.
- Corais-de-chifre-de-alce e de veado — Acropora palmata e Acropora cervicornis, antes dominantes nas cristas recifais, hoje criticamente ameaçados.
- Peixe-boi-marinho-antilhano — Trichechus manatus manatus, herbívoro das pradarias, com populações fragmentadas de Belize à Venezuela.
- Tartarugas marinhas — A tartaruga-de-pente Eretmochelys imbricata alimenta-se de esponjas nos recifes; a tartaruga-de-couro nidifica em praias de Trindade e do Panamá.
- Tubarão-baleia — Agregações de Rhincodon typus ocorrem ao largo de Isla Mujeres e de Utila entre junho e setembro.
- Peixe-leão — Pterois volitans, do Indo-Pacífico, estabeleceu-se a partir da década de 1990 e tornou-se o invasor marinho mais bem-sucedido do Atlântico ocidental.
Ilhas
O Caribe reúne mais de setecentas ilhas, ilhotas, recifes e cayos, em dois conjuntos de origens distintas. As Grandes Antilhas são fragmentos continentais antigos, montanhosos e ricos em endemismos. As Pequenas Antilhas formam um arco duplo: a cadeia interna é vulcânica e ativa, resultado da subducção da crosta atlântica sob a Placa do Caribe; a externa, de calcário sobre embasamento extinto, é baixa e aplanada.
- Cuba — 105.806 km², a maior ilha do mar, com o arquipélago dos Jardines de la Reina ao sul.
- Hispaniola — 76.192 km², dividida entre Haiti e República Dominicana.
- Jamaica — 10.991 km², imediatamente ao sul da Fossa das Ilhas Cayman.
- Arco vulcânico — Guadalupe, Dominica, Martinica, Santa Lúcia, São Vicente, Granada e Montserrat, onde a Soufrière Hills obrigou ao abandono de Plymouth a partir de 1995, além do vulcão submarino Kick-em-Jenny, com o cume a menos de 200 m da superfície.
Portos e rotas relevantes
A abertura do Canal do Panamá, em 1914, transformou o Caribe no corredor entre o Atlântico e o Pacífico. A ampliação concluída em 2016 consolidou o complexo de Colón como o maior polo de transbordo da América Latina, e a restrição de calado imposta pela seca de 2023 e 2024 no Lago Gatún expôs a vulnerabilidade climática dessa rota.
O mar concentra ainda terminais de petróleo no Golfo da Venezuela, portos de contêineres em Cartagena, Kingston e Caucedo e o maior tráfego mundial de navios de cruzeiro, com cerca de um terço das escalas globais do setor.
| Porto | País | Função predominante |
|---|---|---|
| Colón | Panamá | Transbordo na entrada atlântica do canal |
| Cartagena | Colômbia | Contêineres e transbordo regional |
| Kingston | Jamaica | Transbordo no eixo central do mar |
| Caucedo | República Dominicana | Contêineres e zona franca |
| José | Venezuela | Petróleo e derivados |
Importância econômica
O turismo é o motor econômico dominante: responde por mais de um quinto do produto interno bruto e do emprego em vários Estados insulares, com picos próximos à metade da economia em Antígua e Barbuda e em Aruba. Recifes e praias são simultaneamente o ativo central desse setor e a primeira vítima da pressão que ele exerce.
A pesca é sobretudo artesanal, com mais de 200 mil pescadores. A lagosta-espinhosa Panulirus argus, o búzio-rosa Aliger gigas e peixes recifais respondem pela maior parte do valor desembarcado; o búzio foi incluído no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas em 1992. Completam o quadro a produção de petróleo e gás ao largo de Trindade e Tobago e da Venezuela e os cabos submarinos que conectam as Américas.
Importância ambiental
Os recifes caribenhos prestam serviços quantificáveis de proteção costeira: a crista recifal dissipa até 97% da energia das ondas incidentes, e a perda de um metro de altura estrutural pode dobrar a área sujeita a inundação durante tempestades. Em ilhas baixas, esse serviço não tem substituto de engenharia viável.
O mar é também um regulador climático de alcance continental, pois fornece o calor latente que alimenta a Corrente do Golfo e, por meio dela, parte do transporte meridional de calor do Atlântico Norte. Manguezais e pradarias armazenam carbono em sedimentos acumulados há milênios, com densidades por unidade de área superiores às da maioria das florestas terrestres.
Problemas de conservação
A degradação dos recifes é o problema mais documentado da região. A cobertura média de coral vivo caiu de cerca de 35% nas décadas de 1970 e 1980 para algo entre 15% e 20% nas avaliações recentes. A sequência causal é conhecida: a doença da banda branca nos acropóridos a partir dos anos 1970, a mortalidade em massa do ouriço Diadema antillarum em 1983 e 1984, a sobrepesca dos peixes-papagaio herbívoros e, desde 2014, a doença da perda de tecido dos corais pétreos, que atingiu mais de vinte países. Somaram-se a isso os branqueamentos de 1998, 2005, 2010 e, sobretudo, de 2023 e 2024, quando o estresse térmico bateu recordes.
Desde 2011, a formação do Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico alterou a dinâmica costeira. Diferente do estoque histórico confinado ao Mar dos Sargaços, esse cinturão prolifera no Atlântico equatorial e encalha nas praias das Antilhas e da América Central, onde a decomposição consome oxigênio, libera gás sulfídrico e sufoca recifes rasos.
- Espécies invasoras — A gramínea marinha Halophila stipulacea, originária do Mar Vermelho, substitui pradarias nativas nas Pequenas Antilhas desde 2002.
- Poluição terrestre — Esgoto sem tratamento e escoamento agrícola favorecem macroalgas em detrimento dos corais.
- Furacões mais intensos — A proporção de ciclones de categorias 4 e 5 aumentou no Atlântico, e cada passagem destrói cobertura coralina que antes levava uma década para se refazer.
- Áreas protegidas — A Reserva da Barreira de Belize é Patrimônio Mundial desde 1996, e a Iniciativa Desafio Caribe fixou em 2008 a meta de proteger 20% dos ambientes marinhos.
- Mamífero extinto — A foca-monge-do-caribe Neomonachus tropicalis foi vista pela última vez em 1952 e declarada extinta em 2008.
Curiosidades
- A Fossa das Ilhas Cayman abriga o campo hidrotermal Beebe, a cerca de 4.960 m de profundidade e um dos mais fundos já explorados: descrito em 2010, expele fluidos a mais de 400 °C.
- O fechamento do istmo do Panamá, há cerca de três milhões de anos, criou pares de espécies irmãs em lados opostos da América Central, um dos exemplos clássicos de especiação por vicariância.
- A erupção do Monte Pelée, em 8 de maio de 1902, destruiu Saint-Pierre com um fluxo piroclástico e matou cerca de 28.000 pessoas; entre os pouquíssimos sobreviventes estava um prisioneiro trancado em uma cela de paredes espessas.
- O furacão Beryl atingiu a categoria 5 em 1º de julho de 2024, ao passar pelas Granadinas, tornando-se o ciclone mais precoce dessa intensidade já registrado no Atlântico.
- O Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, detectado por satélite a partir de 2011, chegou a conter cerca de 20 milhões de toneladas de algas em um único mês de 2018.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- NOAA — National Ocean Service. Coral Reef Conservation Program e monitoramento de estresse térmico, 2024. Consultar publicação
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- PNUMA — Programa Ambiental do Caribe. Convenção de Cartagena e relatórios do estado do meio marinho, 2023. Consultar publicação
- FAO. Comissão de Pesca para o Atlântico Centro-Ocidental — avaliações regionais, 2023. Consultar publicação
- União Internacional para a Conservação da Natureza. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas — corais e mamíferos marinhos do Caribe, 2024. Consultar publicação
- NASA Earth Observatory. Monitoramento do Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, 2023. Consultar publicação
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Golfo
Golfo do México
Bacia semifechada entre Estados Unidos, México e Cuba, moldada pela Corrente do Laço, por furacões e pela extração de petróleo.
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Maior sistema de recifes de coral do planeta, protegido como parque marinho desde 1975 e hoje marcado por branqueamentos recorrentes.
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