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Mar Oceano Pacífico

Mar da China Oriental

Mar marginal do Pacífico com cerca de 1.249.000 km², dominado por uma plataforma continental rasa e pela passagem da Corrente de Kuroshio.

Mapa de localização de Mar da China Oriental, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre a foz do Yangtzé, o sul da Península Coreana, Kyushu e o arco das Ilhas Ryukyu, com a Fossa de Okinawa na borda oriental.

O Mar da China Oriental é o mar marginal que separa a costa leste da China do arco insular japonês. Ocupa cerca de 1.249.000 km² entre a foz do Yangtzé, a Ilha de Jeju, Kyushu, as Ilhas Ryukyu e o norte de Taiwan, comunicando-se com o Mar da China Meridional pelo Estreito de Taiwan, com o Mar do Japão pelo Estreito da Coreia e com o Oceano Pacífico pelas passagens entre as Ryukyu.

A feição definidora é a plataforma continental: mais de dois terços do mar têm menos de 200 m de profundidade, e a plataforma chega a 640 km de largura ao largo de Xangai, uma das mais amplas do planeta. Só na borda oriental o fundo despenca na Fossa de Okinawa, que ultrapassa 2.700 m. A combinação de água rasa, aporte fluvial gigantesco e passagem de uma corrente de contorno oeste faz do mar uma das plataformas mais produtivas e mais alteradas do mundo.

Ficha técnica

Nome
Mar da China Oriental
Também chamado de
Mar do Leste da China, Mar Oriental da China
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 24° N e 33° N e entre 117° L e 131° L, delimitado pela costa chinesa, pela Ilha de Jeju, por Kyushu, pelo arco das Ryukyu e por Taiwan.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
Ásia
Países e territórios
China, Taiwan, Japão e Coreia do Sul têm costa no mar. As zonas econômicas exclusivas dos três primeiros se sobrepõem em quase toda a plataforma, e a delimitação do fundo marinho entre China e Japão permanece sem acordo.
Área aproximada
1.249.000 km²Cerca de 770.000 km² quando o Mar Amarelo é contabilizado à parte.
Profundidade média
Cerca de 350 m
Profundidade máxima
2.719 mFossa de Okinawa, junto ao arco das Ryukyu.
Volume
Aproximadamente 263.000 km³
Salinidade
30 a 34,5, com mínimos na pluma do Yangtzé
Temperatura da superfície
De 7 °C a 16 °C no inverno e de 27 °C a 29 °C no verão
Correntes principais
Corrente de Kuroshio ao longo da quebra da plataforma, Corrente Quente de Taiwan, Corrente de Tsushima e Corrente Costeira Chinesa.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

A delimitação da Organização Hidrográfica Internacional fixa o limite norte em uma linha que une o litoral chinês ao sul da Ilha de Jeju e daí a Kyushu, separando o mar do Mar Amarelo. A leste, a fronteira acompanha o arco das Ryukyu; ao sul, uma linha entre a ponta norte de Taiwan e a costa de Fujian marca a transição para o Estreito de Taiwan.

O fundo é assimétrico. A oeste estende-se a plataforma continental, herdeira de uma planície emersa durante os últimos períodos glaciais e ainda marcada por vales fluviais soterrados. A leste, a Fossa de Okinawa é uma bacia de retroarco em abertura, com vulcanismo submarino ativo e crosta em adelgaçamento entre o arco das Ryukyu e o continente.

Continentes e países próximos

Quatro Estados e territórios têm costa no mar, e a estreiteza da bacia faz com que suas zonas econômicas exclusivas se sobreponham. Não há acordo geral de delimitação: o instrumento de maior alcance é o acordo pesqueiro sino-japonês de 1997, que criou uma zona de gestão conjunta sem prejulgar as fronteiras.

  • China — Costa de Jiangsu, Xangai, Zhejiang e Fujian, com o delta do Yangtzé e o arquipélago de Zhoushan.
  • Japão — Litoral de Kyushu, Ilhas Goto, Amami e todo o arco das Ryukyu até Yonaguni.
  • Coreia do Sul — Costa meridional e a Ilha de Jeju, no limite norte do mar.
  • Taiwan — Litoral norte da ilha e Ilhas Pescadores, no limite sul.
  • Delimitação pendente — A China sustenta que sua plataforma se prolonga naturalmente até a Fossa de Okinawa; o Japão defende a linha mediana entre as costas.

Área e profundidade

A área mais citada é de 1.249.000 km², com profundidade média em torno de 350 m — valor que esconde a assimetria do fundo, já que a plataforma raramente passa de 150 m. A Fossa de Okinawa, com pouco mais de 1.200 km de comprimento, responde sozinha por praticamente toda a água profunda do mar.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área1.249.000 km²Incluindo o Mar Amarelo em algumas compilações
Profundidade médiaCerca de 350 mMais de dois terços da área abaixo de 200 m de lâmina
Profundidade máxima2.719 mFossa de Okinawa
Largura máxima da plataformaCerca de 640 kmAo largo do delta do Yangtzé
Vazão média do YangtzéCerca de 900 km³ por anoMaior descarga fluvial da Ásia oriental
Amplitude de maré em HangzhouAté 9 mUma das maiores da Ásia

Principais correntes

A Corrente de Kuroshio, a corrente de contorno oeste do Pacífico Norte, entra no mar a leste de Taiwan e corre para nordeste ao longo da quebra da plataforma, com transporte da ordem de 20 a 30 milhões de m³ por segundo. Águas quentes e salinas do seu flanco esquerdo invadem periodicamente a plataforma, sobretudo no inverno, e sustentam a produtividade da região exterior. Parte do fluxo destaca-se ao norte de Taiwan como Corrente Quente de Taiwan; outra parte segue pelo Estreito da Coreia como Corrente de Tsushima.

Sobre a plataforma domina um regime oposto: a Corrente Costeira Chinesa transporta água fria, turva e pouco salgada para o sul durante a monção de inverno, formando uma frente nítida contra as águas de origem oceânica. As marés são excepcionalmente fortes — no funil da Baía de Hangzhou a amplitude chega a 9 m e gera a pororoca do rio Qiantang, uma das maiores do mundo.

Clima

O clima é subtropical monçônico. No inverno, ventos de nordeste trazem ar continental seco e frio, e a superfície esfria para 7 °C a 10 °C no setor noroeste, embora se mantenha acima de 20 °C sobre o eixo da Kuroshio. No verão, a monção de sudeste eleva a temperatura da superfície para 27 °C a 29 °C em quase toda a bacia, e a estratificação térmica isola as águas de fundo da plataforma.

O mar é rota preferencial dos tufões que recurvam do Pacífico noroeste em direção ao Japão e à Coreia: três a cinco ciclones tropicais afetam a bacia por temporada, concentrados entre julho e setembro. Sua passagem tem efeito ambivalente, pois provoca ressacas severas nos deltas mas também rompe a estratificação de verão e areja as águas de fundo empobrecidas em oxigênio ao largo do Yangtzé.

Ecossistemas

O rio Yangtzé é o organizador ecológico do mar. Sua descarga anual de cerca de 900 km³ espalha uma pluma turva e pouco salgada rastreável por centenas de quilômetros sobre a plataforma, que alimenta os bancos de pesca de Zhoushan e sustenta extensos planos de maré e sapais de Scirpus mariqueter no delta. A carga de sedimentos, historicamente próxima de 470 milhões de toneladas por ano, caiu para menos de 150 milhões após o fechamento da barragem das Três Gargantas, em 2003.

Desde 2007, o mar registra todos os anos a maior floração de macroalgas do mundo. Tapetes flutuantes da alga verde Ulva prolifera, originados nos viveiros de Porphyra da costa de Jiangsu, derivam para nordeste e chegam a cobrir áreas de dispersão superiores a 50.000 km², com biomassa acima de um milhão de toneladas úmidas nos anos mais intensos. O episódio de 2008 exigiu a remoção mecânica de centenas de milhares de toneladas de alga das raias de vela de Qingdao.

Biodiversidade

A fauna é temperado-quente na porção norte e nitidamente tropical junto às Ryukyu, onde recifes de coral se desenvolvem sob influência direta da Kuroshio. Mais de 700 espécies de peixes já foram registradas, e a bacia funciona como área de desova para estoques explorados por três frotas nacionais.

  • Corvina-amarela-grandeLarimichthys crocea, outrora o principal recurso do mar, colapsou na década de 1970 e hoje depende de cultivo.
  • Lula-comum-japonesaTodarodes pacificus desova no inverno na borda da plataforma e sustenta três frotas nacionais.
  • CavalaScomber japonicus e a sardinha-japonesa dominam os desembarques pelágicos.
  • Marsuíno-sem-barbatanaNeophocaena asiaeorientalis ocorre nas águas costeiras rasas e no estuário do Yangtzé, com populações em declínio.
  • Corais das Ryukyu — O arco insular abriga cerca de 400 espécies de corais construtores, no limite setentrional dos recifes do Pacífico ocidental.

Ilhas

As ilhas concentram-se nas bordas: o arquipélago de Zhoushan, na foz do Yangtzé, e o arco das Ryukyu, que fecha o mar a leste. No centro da plataforma há poucas terras emersas, e as que existem estão entre as mais disputadas da região.

  • Zhoushan — Mais de 1.300 ilhas na foz do Yangtzé, base do maior campo de pesca da China.
  • Okinawa — 1.207 km², maior ilha das Ryukyu e centro administrativo do arco.
  • Jeju — 1.849 km², ilha vulcânica sul-coreana no limite norte do mar.
  • Ilhas Goto e Amami — Arquipélagos japoneses entre Kyushu e Okinawa.
  • Senkaku e Diaoyu — Cinco ilhotas e três rochedos com 6,3 km² no total, administrados pelo Japão e reivindicados pela China e por Taiwan.

Portos e rotas relevantes

A costa chinesa do mar concentra a maior densidade portuária do planeta. Xangai é o porto de contêineres mais movimentado do mundo, com mais de 49 milhões de TEU em 2023, e Ningbo-Zhoushan lidera a movimentação global em tonelagem, com mais de 1,3 bilhão de toneladas anuais.

Do lado japonês e taiwanês, os terminais são menores mas estratégicos: Nagasaki serve Kyushu, Naha articula o arco das Ryukyu e Keelung atende o norte de Taiwan. As rotas que atravessam o mar ligam os portos chineses ao Pacífico e ao Mar do Japão, o que faz das passagens entre as Ryukyu pontos de estrangulamento comercial.

Principais portos
PortoPaís ou territórioDestaque
XangaiChinaMaior porto de contêineres do mundo
Ningbo-ZhoushanChinaMaior movimentação de carga em tonelagem
XiamenChinaContêineres e cabotagem no Estreito de Taiwan
NahaJapãoCentro logístico das Ryukyu
KeelungTaiwanPorta de entrada do norte da ilha

Importância econômica

A pesca é intensiva e antiga. O campo de Zhoushan foi durante séculos o mais produtivo da China, e a bacia ainda responde por parcela expressiva dos desembarques do Pacífico noroeste, a área estatística com as maiores capturas marinhas do mundo. A corrida por recursos levou ao colapso sucessivo de estoques de alto valor, hoje substituídos por espécies de nível trófico mais baixo e por uma aquicultura marinha de escala industrial.

A extração de hidrocarbonetos concentra-se na Bacia de Xihu, junto à linha mediana entre China e Japão, onde operam campos de gás como Chunxiao e Tianwaitian. Somam-se a energia eólica marítima, que cresceu rapidamente na costa de Jiangsu e Zhejiang, o transporte de contêineres e um turismo litorâneo expressivo em Okinawa e Jeju.

Importância ambiental

A eutrofização é o problema dominante. O nitrogênio e o fósforo trazidos pelo Yangtzé cresceram várias vezes desde a década de 1960 e alimentam uma hipóxia sazonal ao largo do estuário, que em alguns verões supera 15.000 km² com oxigênio dissolvido abaixo de 2 mg/L. Florações de dinoflagelados nocivos tornaram-se recorrentes na mesma faixa.

A perda de habitat costeiro é igualmente severa: estima-se que a China tenha convertido mais da metade de seus planos de maré desde 1950, por aterro industrial, aquicultura e expansão urbana, reduzindo as áreas de descanso das aves migratórias da rota do Ásia Oriental e Australásia. A gramínea Spartina alterniflora, introduzida em 1979 para fixar sedimentos, ocupou milhares de quilômetros quadrados de sapal.

Problemas de conservação

A gestão pesqueira apoia-se em moratórias sazonais e em acordos bilaterais. A China aplica desde 1995 um defeso de verão que suspende a maior parte da pesca marinha por três a quatro meses; os acordos de 1997 com o Japão e de 2000 com a Coreia do Sul definem zonas de gestão conjunta e licenciamento recíproco nas áreas sobrepostas.

A disputa sobre as ilhas Senkaku, denominadas Diaoyu na China e Diaoyutai em Taiwan, é o ponto de atrito mais persistente. O Japão administra o grupo desde 1972, quando os Estados Unidos lhe devolveram a administração de Okinawa, e sustenta que o incorporou em 1895 como território sem dono; a China e Taiwan afirmam direitos anteriores e vinculam a incorporação à cessão imposta pelo Tratado de Shimonoseki. A compra de três ilhotas pelo governo japonês em 2012 elevou a tensão, e desde então há presença regular de navios de guarda costeira dos dois lados.

  • Ilha de Jeju — Reserva da biosfera e sítio natural do Patrimônio Mundial desde 2007, pelos tubos de lava e pelo vulcanismo do Hallasan.
  • Amami-Oshima e Iriomote — Inscritas na Lista do Patrimônio Mundial em 2021 pela biodiversidade endêmica do arco das Ryukyu.
  • Planos de maré do Mar Amarelo — Fases sucessivas inscritas no Patrimônio Mundial a partir de 2019, para proteger paradas de aves migratórias.
  • Reserva do Estuário do Yangtzé — Área protegida chinesa em Chongming, criada para conservar zonas úmidas e aves aquáticas.
  • Controle de florações — A Coreia do Sul, a China e o Japão monitoram conjuntamente as marés verdes por satélite desde 2008.

Curiosidades

  1. A pororoca do rio Qiantang forma uma parede de água que pode ultrapassar 3 m de altura e avançar a mais de 20 km/h; sua observação em marés de sizígia é registrada em fontes chinesas desde a dinastia Han.
  2. A Fossa de Okinawa abriga fontes hidrotermais descobertas na década de 1980 e depósitos de sulfetos metálicos que motivaram os primeiros testes japoneses de mineração submarina, em 2017.
  3. A carga de sedimentos do Yangtzé caiu cerca de 70% após 2003, e o delta, que avançava mar adentro há milênios, passou a recuar em vários trechos.
  4. A maré verde de 2021 foi a maior já registrada, com área de dispersão estimada em mais de 60.000 km² e biomassa próxima de 1,8 milhão de toneladas úmidas.
  5. As ilhotas Senkaku somam apenas 6,3 km² de terra emersa, área menor que a de muitos bairros urbanos, mas a zona marítima associada a elas cobre dezenas de milhares de quilômetros quadrados de plataforma.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  2. NASA Earth Observatory. Green Tides in the Yellow and East China Seas, 2021. Consultar publicação
  3. FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture — área estatística 61, Pacífico Noroeste, 2024. Consultar publicação
  4. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
  5. NOAA. Kuroshio Current and Western Boundary Current dynamics, 2023. Consultar publicação
  6. UNESCO. Migratory Bird Sanctuaries along the Coast of the Yellow Sea and Bohai Gulf, 2019. Consultar publicação
  7. PNUMA — Plano de Ação para o Pacífico Noroeste. State of the Marine Environment Report for the NOWPAP Region, 2021. Consultar publicação

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