Oceano Índico
Terceiro maior oceano, com 70,56 milhões de km², é o único fechado ao norte por um continente e o único cujas correntes se invertem com as monções.
O Oceano Índico é o terceiro maior do planeta, com 70.560.000 km² e cerca de 20% de toda a água marinha. Sua característica mais determinante é geográfica: é o único oceano bloqueado ao norte por uma massa continental, o que impede a troca com águas polares boreais e torna a bacia setentrional um sistema aquecido e sazonalmente reversível. Estende-se da costa oriental africana ao arquipélago indonésio e à Austrália, e ao sul se confunde com o cinturão de ventos que circunda a Antártida.
Essa geometria fez do Índico o oceano das monções. Duas vezes por ano, a inversão dos ventos reorganiza a circulação superficial da metade norte da bacia, fenômeno sem paralelo nos demais oceanos e que rege o regime de chuvas de que dependem mais de dois bilhões de pessoas. É também o corredor por onde circula a maior parte do petróleo transportado por mar no mundo, entre os estreitos de Ormuz, Bab el-Mandeb e Malaca.
Ficha técnica
- Nome
- Oceano Índico
- Também chamado de
- Índico, Mar das Índias
- Tipo de formação
- Oceano
- Localização
- Entre 20° L e 120° L, do litoral asiático ao setor antártico, limitado pela África a oeste e pela Austrália e o arquipélago indonésio a leste.
- Oceano de referência
- Índico
- Continentes próximos
- África, Ásia, Oceania, Antártida
- Países e territórios
- África do Sul, Moçambique, Tanzânia, Quênia, Somália, Djibuti, Iêmen, Omã, Emirados Árabes Unidos, Irã, Paquistão, Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Mianmar, Tailândia, Malásia, Indonésia, Timor-Leste e Austrália, além dos Estados insulares de Madagascar, Comores, Seicheles, Maldivas e Maurício.
- Área aproximada
- 70.560.000 km²Cerca de 20% da superfície coberta por água. Compilações que excluem os mares adjacentes chegam a valores próximos de 68.560.000 km².
- Profundidade média
- 3.741 m
- Profundidade máxima
- 7.290 mFossa de Java, também chamada Fossa de Sonda. A sondagem direta de 2019 registrou 7.192 m no ponto mais fundo localizado.
- Volume
- Cerca de 264 milhões de km³
- Salinidade
- De 32 no Golfo de Bengala a mais de 36,5 no Mar Arábico
- Temperatura da superfície
- De −1,8 °C no setor antártico a mais de 30 °C na baía de Bengala no verão
- Linha de costa
- Aproximadamente 66.500 km
- Correntes principais
- Corrente da Somália, Corrente de Monção da Índia, Corrente Sul-Equatorial, Corrente das Agulhas, Corrente de Leeuwin e Corrente Circumpolar Antártica.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
Os limites seguem a publicação Limits of Oceans and Seas, da Organização Hidrográfica Internacional. A oeste, o meridiano 20° L, que passa pelo Cabo das Agulhas, separa o Índico do Atlântico. A leste, o meridiano 146°49' L, ao sul da Tasmânia, marca a fronteira com o Pacífico, e ao norte dessa linha o limite acompanha as passagens do arquipélago indonésio, entre Sumatra, Java, Timor e a Nova Guiné. Ao sul, o paralelo 60° S define a fronteira com o Oceano Antártico nas cartas que o reconhecem.
A bacia comporta mares adjacentes de personalidade muito distinta: o Mar Arábico e o Golfo de Bengala flanqueiam o subcontinente indiano; o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico penetram na Ásia ocidental; o Canal de Moçambique separa Madagascar do continente africano. O relevo submarino é organizado por dorsais em forma de Y invertido — Central-Índica, Sudoeste-Índica e Sudeste-Índica — e cortado pela Dorsal de Noventa Graus, alinhamento retilíneo de cerca de 5.000 km.
Continentes e países próximos
Cerca de trinta Estados costeiros repartem-se por três continentes, somados a Estados insulares de área terrestre reduzida e zonas econômicas exclusivas extensas. A margem norte concentra algumas das maiores populações costeiras do mundo, com megacidades portuárias expostas a ciclones, enquanto a margem sul é praticamente desabitada entre a Austrália ocidental e a Antártida.
- Margem africana — África do Sul, Moçambique, Tanzânia, Quênia, Somália e Djibuti, além de Madagascar, Comores e Seicheles.
- Ásia ocidental — Iêmen, Omã, Emirados Árabes Unidos, Irã e Paquistão, com o Golfo Pérsico e o Golfo de Áden como reentrâncias principais.
- Subcontinente indiano — Índia, Sri Lanka, Maldivas e Bangladesh, banhados pelo Mar Arábico e pelo Golfo de Bengala.
- Sudeste asiático e Oceania — Mianmar, Tailândia, Malásia, Indonésia, Timor-Leste e Austrália.
Área e profundidade
O Índico tem cerca de 10.000 km de largura entre a costa africana e a australiana na altura do trópico de Capricórnio, e sua profundidade média, de 3.741 m, aproxima-se da média oceânica global. A bacia é relativamente uniforme: ao contrário do Pacífico, possui uma única fossa de subducção de grande porte, a Fossa de Java, que acompanha o arco indonésio por cerca de 3.200 km.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 70.560.000 km² | Com os mares adjacentes |
| Volume | 264 milhões de km³ | Cerca de um quinto do volume oceânico |
| Profundidade média | 3.741 m | Próxima da média oceânica global |
| Profundidade máxima | 7.290 m | Fossa de Java, ao sul da Indonésia |
| Largura máxima | 10.000 km | Entre a África e a Austrália |
| Linha de costa | 66.500 km | Inclui mares adjacentes e arquipélagos |
Principais correntes
A metade norte do Índico é o único grande sistema oceânico cuja circulação superficial se inverte por completo duas vezes por ano. Durante a monção de sudoeste, entre junho e setembro, a Corrente da Somália corre para nordeste e chega a velocidades próximas de 3,5 m/s, entre as mais altas registradas em corrente superficial, formando o vórtice conhecido como Grande Redemoinho. Com a monção de nordeste, entre novembro e março, a mesma corrente reverte o sentido e a Corrente de Monção da Índia passa a fluir para oeste.
No setor sul, a circulação é mais convencional: um giro subtropical anti-horário reúne a Corrente Sul-Equatorial, a Corrente das Agulhas, na costa moçambicana e sul-africana, e a Corrente de Leeuwin, ao largo da Austrália ocidental. A Corrente das Agulhas transporta cerca de 70 milhões de m³ por segundo e é uma das mais intensas correntes de borda oeste do mundo.
Ao contornar o extremo sul da África, a Corrente das Agulhas não segue para o Atlântico: ela se dobra sobre si mesma em uma retroflexão e retorna ao Índico. Nesse processo desprende vórtices de grande porte, os anéis das Agulhas, com até 300 km de diâmetro, que atravessam o Atlântico Sul carregando água quente e salgada. Esse vazamento é um dos principais responsáveis pelo aporte de sal ao Atlântico e liga a circulação dos dois oceanos.
Clima
O regime de monções resulta do contraste térmico entre o continente asiático e a bacia oceânica. No verão boreal, o aquecimento do subcontinente indiano e do Planalto Tibetano cria baixa pressão que puxa ar úmido do oceano; no inverno, o resfriamento continental inverte o gradiente e o ar seco sopra para o mar. Desse ciclo dependem a agricultura e o abastecimento de água de países que somam mais de dois bilhões de habitantes.
Sobreposto às monções, o Dipolo do Oceano Índico é o modo de variabilidade interanual próprio da bacia. Define-se pela diferença de temperatura superficial entre o setor ocidental, próximo à África oriental, e o oriental, próximo a Sumatra. Na fase positiva, o oeste aquece e o leste esfria, o que traz chuvas intensas ao Chifre da África e seca à Indonésia e à Austrália; na fase negativa ocorre o oposto. O evento positivo de 2019, um dos mais fortes já medidos, coincidiu com enchentes na África oriental e com a temporada extrema de incêndios australiana de 2019 e 2020.
Ecossistemas
Os recifes das Maldivas, de Chagos, das Seicheles e do canal moçambicano formam um dos maiores conjuntos recifais do planeta e também dos mais expostos a ondas de calor marinhas. O branqueamento de 1998, associado a um El Niño intenso, matou grande parte da cobertura coralínea de vários arquipélagos, e episódios posteriores repetiram o padrão. Manguezais extensos ocupam os deltas do Ganges-Brahmaputra e do Indo, com destaque para os Sundarbans, o maior manguezal contínuo do mundo.
O Mar Arábico abriga uma das zonas de mínimo de oxigênio mais espessas e persistentes do oceano mundial. Entre cerca de 150 m e 1.000 m de profundidade, a concentração de oxigênio cai a níveis quase indetectáveis em uma camada de centenas de milhares de quilômetros quadrados, sustentada pela produtividade das ressurgências de monção e pela circulação restrita da bacia fechada ao norte. Nela ocorre parte relevante da perda global de nitrogênio marinho.
Biodiversidade
A bacia reúne fauna de afinidade indo-pacífica no leste e no centro e comunidades de águas temperadas e frias ao sul. O isolamento relativo de arquipélagos como Seicheles, Maldivas e Chagos e a barreira representada pelo continente africano produzem endemismos localizados, especialmente entre peixes recifais.
- Tubarão-baleia — Rhincodon typus agrega-se sazonalmente em Ningaloo, na Austrália ocidental, e na costa de Moçambique e de Madagascar.
- Dugongo — Dugong dugon depende das pradarias marinhas do Índico ocidental e do Golfo Pérsico, e suas populações estão fragmentadas e em declínio.
- Celacanto — Latimeria chalumnae, tido como extinto havia 65 milhões de anos, foi reencontrado em 1938 na costa sul-africana e vive em cavernas de talude perto das Comores.
- Atum-albacora — O estoque de Thunnus albacares do Índico é avaliado como sobrepescado pela comissão regional responsável pela gestão da espécie.
- Tartaruga-verde — Nidifica em praias das Seicheles, de Omã e da Austrália ocidental, com uma das maiores colônias mundiais na Ilha Raine.
Ilhas
As ilhas do Índico têm três origens principais: fragmentos continentais antigos, como Madagascar e as Seicheles graníticas, separados do supercontinente Gondwana; edifícios vulcânicos de ponto quente, como Reunião e Maurício; e atóis coralinos assentados sobre plataformas submersas, caso das Maldivas e de Chagos.
- Madagascar — 587.041 km², a quarta maior ilha do mundo, isolada há cerca de 88 milhões de anos e com altíssimo endemismo.
- Sri Lanka — 65.610 km², separada da Índia pelo estreito de Palk e pela cadeia de bancos de Adão.
- Maldivas — Cerca de 1.190 ilhas em 26 atóis, com altitude média em torno de 1,5 m, o país de menor elevação do planeta.
- Seicheles — Único arquipélago oceânico do mundo formado por granito continental, com o atol de Aldabra na lista do Patrimônio Mundial.
- Arquipélago de Chagos — Conjunto de atóis no centro da bacia, cercado por uma das maiores áreas marinhas protegidas do mundo, com cerca de 640.000 km².
Portos e rotas relevantes
O Índico é o principal corredor energético do planeta. Estima-se que a maior parte do petróleo transportado por mar atravesse a bacia, passando pelo Estreito de Malaca, pelo Estreito de Ormuz ou por Bab el-Mandeb. Só por Ormuz circulam em torno de 20 milhões de barris diários, o equivalente a uma fração expressiva do consumo mundial.
Os terminais mais movimentados combinam transbordo regional e exportação industrial: Jebel Ali e Colombo funcionam como centros de distribuição; Nhava Sheva e Mundra atendem o mercado indiano; Durban e Richards Bay escoam carvão e minério sul-africanos. A pirataria ao largo da Somália atingiu o auge entre 2008 e 2011 e recuou com o patrulhamento internacional.
| Porto | País | Função predominante |
|---|---|---|
| Jebel Ali | Emirados Árabes Unidos | Maior porto de contêineres da região |
| Colombo | Sri Lanka | Transbordo do sul da Ásia |
| Nhava Sheva | Índia | Principal terminal indiano de contêineres |
| Mundra | Índia | Contêineres e granéis no Golfo de Kutch |
| Durban | África do Sul | Maior porto da África subsaariana |
| Fremantle | Austrália | Exportação da costa oeste australiana |
Importância econômica
A pesca do Índico é dominada pelo atum e pelas pequenas pelágicas. A gestão dos estoques de atum cabe à comissão regional criada em 1996, cujas avaliações vêm apontando sobrepesca da albacora e pressão crescente sobre o patudo. Nas costas da Índia, do Paquistão e da África oriental, a pesca artesanal sustenta milhões de pessoas e responde por parcela decisiva do suprimento de proteína animal.
A extração de petróleo e gás concentra-se no Golfo Pérsico, na costa noroeste australiana e na bacia de Rovuma, entre Moçambique e Tanzânia, onde estão algumas das maiores descobertas de gás natural das últimas décadas. Completam o quadro o turismo de recife — pilar das economias das Maldivas, das Seicheles e de Maurício —, a aquicultura de camarão nos deltas asiáticos e os cabos submarinos que ligam a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho.
Importância ambiental
Em 26 de dezembro de 2004, um terremoto de magnitude entre 9,1 e 9,3 rompeu cerca de 1.300 km da zona de subducção de Sumatra-Andamão e gerou o tsunami mais mortal já registrado. As ondas atingiram catorze países, da Indonésia à Somália, e mataram mais de 227.000 pessoas. O desastre expôs a ausência de um sistema de alerta na bacia, que veio a ser estabelecido em 2006 sob coordenação da Comissão Oceanográfica Intergovernamental.
O Índico é a bacia tropical que mais rapidamente se aquece. A temperatura superficial média subiu cerca de 1 °C desde meados do século XX, ritmo superior ao do Pacífico e do Atlântico tropicais, e o aquecimento se estende à camada superior de várias centenas de metros. As consequências incluem ondas de calor marinhas mais frequentes, expansão da zona de mínimo de oxigênio do Mar Arábico e alterações na intensidade das monções.
A bacia concentra ainda a maior vulnerabilidade costeira do planeta à elevação do nível do mar: os deltas do Ganges-Brahmaputra, do Irauádi e do Indo abrigam dezenas de milhões de pessoas a poucos metros de altitude, sofrem subsidência e recebem ciclones que empurram sobrelevações de vários metros para o interior.
Problemas de conservação
A combinação de aquecimento acelerado e alta dependência humana torna o Índico uma das bacias de gestão mais difícil. Os recifes do setor ocidental perderam parcelas expressivas de cobertura viva em sucessivos episódios de branqueamento, e a recuperação entre eventos tem sido insuficiente. Nas pradarias marinhas e nos manguezais, a conversão para aquicultura e a expansão urbana reduziram a área original em várias regiões deltaicas.
A governança regional é fragmentada: convivem na bacia a Convenção de Nairóbi, programas de mares regionais do sul da Ásia, comissões de pesca e acordos bilaterais, sem arranjo unificado. A área marinha protegida de Chagos, com cerca de 640.000 km², é a maior da região, mas enfrenta disputa de soberania e dificuldades de fiscalização.
- Branqueamento recorrente — Os eventos de 1998 e de 2016 provocaram mortalidade coralínea superior a 70% em partes das Maldivas, de Chagos e das Seicheles.
- Desoxigenação — A zona de mínimo de oxigênio do Mar Arábico expandiu-se nas últimas décadas e passou a alcançar o Golfo de Omã de forma quase permanente.
- Poluição plástica — Os rios do sul e do sudeste asiáticos estão entre os que mais transportam plástico para o mar em escala global.
- Captura acidental — Redes de emalhe da pesca de atum e de camarão respondem por parte relevante da mortalidade de tartarugas, dugongos e cetáceos na bacia.
Curiosidades
- A Dorsal de Noventa Graus recebeu esse nome por acompanhar quase exatamente o meridiano 90° L ao longo de 5.000 km, o alinhamento retilíneo mais extenso conhecido no leito oceânico.
- O celacanto Latimeria chalumnae foi identificado em 1938 no arrasto de um pesqueiro sul-africano, mais de 65 milhões de anos depois do último registro fóssil do grupo.
- Durante a monção de sudoeste, a Corrente da Somália pode ultrapassar 3,5 m/s, o bastante para inviabilizar a navegação costeira contra o fluxo em embarcações pequenas.
- As Seicheles são o único arquipélago oceânico do mundo formado por granito: suas ilhas centrais são fragmentos de crosta continental isolados com a separação do Gondwana.
- O sistema de alerta de tsunami do Índico, criado depois do desastre de 2004, reúne estações sismográficas, marégrafos e boias de fundo coordenados por centros na Índia, na Austrália e na Indonésia.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- NOAA — National Ocean Service. Ocean facts: monções, Indian Ocean Dipole e batimetria regional, 2025. Consultar publicação
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- Comissão Oceanográfica Intergovernamental — UNESCO. Indian Ocean Tsunami Warning and Mitigation System, 2024. Consultar publicação
- FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture, 2024. Consultar publicação
- Copernicus Marine Service. Indian Ocean Physics Analysis and Forecast, 2025. Consultar publicação
- PNUMA. Convenção de Nairóbi e programas de mares regionais, 2024. Consultar publicação
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