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Mar Oceano Índico

Mar Arábico

Maior mar do Índico, com 3.862.000 km², monções que invertem suas correntes e uma das zonas de mínimo de oxigênio mais intensas do mundo.

Mapa de localização de Mar Arábico, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre o Chifre da África, a costa de Omã e o litoral ocidental da Índia, com as áreas de ressurgência ao norte.

O Mar Arábico é o maior mar marginal do Oceano Índico, com aproximadamente 3.862.000 km² entre a Península Arábica, o Chifre da África, o Paquistão e a costa ocidental da Índia. Sua profundidade média ronda os 2.734 m e a bacia central ultrapassa 4.600 m. Comunica-se com o Golfo Pérsico pelo Golfo de Omã e pelo Estreito de Ormuz, e com o Mar Vermelho pelo Golfo de Áden.

Nenhum outro mar do mundo é tão governado pelo vento. Duas vezes por ano a monção inverte o sentido da circulação superficial, e com ela mudam a temperatura, a produtividade e as rotas de pesca. Essa alternância sustenta uma das ressurgências mais vigorosas do planeta, ao largo de Omã e da Somália, e ao mesmo tempo alimenta uma camada intermediária praticamente sem oxigênio que se estende por boa parte da bacia.

Ficha técnica

Nome
Mar Arábico
Também chamado de
Mar da Arábia, Mar de Omã
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 5° N e 25° N e entre 50° L e 78° L, no noroeste do Oceano Índico, limitado pela Península Arábica, pelo Chifre da África, pelo Paquistão e pela Índia.
Oceano de referência
Índico
Continentes próximos
Ásia, África
Países e territórios
Índia, Paquistão, Irã, Omã, Iêmen, Somália e Maldivas, além das águas adjacentes de Djibuti e do Sri Lanka.
Área aproximada
3.862.000 km²Inclui o Golfo de Omã, o Golfo de Áden e o Mar das Laquedivas em algumas delimitações.
Profundidade média
2.734 m
Profundidade máxima
4.652 mBacia Arábica central; compêndios antigos registram até 5.803 m.
Volume
Cerca de 10,6 milhões de km³
Salinidade
35,5 no sul a 36,5 no norte
Temperatura da superfície
De 22 °C na ressurgência de Omã a mais de 30 °C antes da monção
Linha de costa
Aproximadamente 8.000 km
Correntes principais
Corrente da Somália, Corrente de Monção do Sudoeste, Corrente da Costa Oeste da Índia e Grande Turbilhão.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

A Organização Hidrográfica Internacional delimita o mar pela costa da Península Arábica a oeste, pelo Paquistão e pela Índia a norte e leste, e por uma linha que vai do Cabo Comorim às Maldivas e daí ao Chifre da África ao sul. O Golfo de Omã, ao norte, e o Golfo de Áden, a oeste, são tratados ora como partes do mar, ora como corpos distintos.

O fundo é dominado pela Bacia Arábica, planície abissal entre 3.000 m e 4.600 m, cortada a oeste pela Dorsal de Carlsberg e pela Zona de Fratura de Owen, que marca o limite entre as placas arábica e indiana. Ao norte, a Zona de Subducção de Makran mergulha sob o Irã e o Paquistão e produziu o terremoto de 28 de novembro de 1945, seguido de tsunami. Sobre esse relevo repousa o Leque do Indo, segundo maior leque submarino do mundo.

Continentes e países próximos

Sete Estados têm costa ou zona econômica exclusiva voltada para o mar, em um arco que liga a África oriental ao subcontinente indiano. A plataforma continental é muito desigual: ampla e rasa diante de Gujarate e de Bombaim, onde chega a ultrapassar 300 km, e estreita a ponto de quase desaparecer ao largo de Omã e da Somália, onde o talude começa a poucos quilômetros da praia.

  • Índia — A costa mais longa e povoada, de Gujarate a Querala, com os golfos de Cambaia e de Kutch.
  • Paquistão — Litoral do Sinde e do Baluchistão, com o delta do Indo e a costa árida de Makran.
  • Omã e Iêmen — Margem arábica exposta à monção, com as ressurgências mais produtivas da bacia.
  • Somália e Irã — Extremos oeste e norte do mar, com águas pouco monitoradas e pesca em grande parte não declarada.

Área e profundidade

Com cerca de 3.862.000 km², o Mar Arábico supera em área a soma de vários mares marginais do Pacífico. A largura máxima chega a aproximadamente 2.400 km entre o Chifre da África e a costa indiana, e o volume estimado ultrapassa 10 milhões de km³.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área3.862.000 km²Maior mar marginal do Índico
Largura máxima2.400 kmDo Chifre da África à costa indiana
Profundidade média2.734 mBacia oceânica profunda, não de plataforma
Profundidade máxima4.652 mBacia Arábica central
Zona de mínimo de oxigênio150 m a 1.000 mEspessura típica na porção norte
Leque do Indo1.100.000 km²Segundo maior leque submarino do mundo

Principais correntes

A circulação inverte-se duas vezes por ano. Entre junho e setembro, a monção de sudoeste impulsiona a Corrente da Somália, que corre para nordeste ao longo da África a velocidades que chegam a 3,5 m/s, entre as mais rápidas do oceano, e forma o Grande Turbilhão ao largo do Chifre. Entre novembro e fevereiro, a monção de nordeste reverte o fluxo superficial e a corrente desce para sudoeste, mais fraca e mais rasa.

A mesma engrenagem produz ressurgência. O vento de sudoeste, soprando paralelo à costa de Omã e da Somália, afasta a água superficial e traz à tona água fria e rica em nutrientes de 100 m a 300 m de profundidade; a temperatura da superfície chega a cair de 30 °C para menos de 22 °C em poucas semanas. A ressurgência de Omã é uma das mais produtivas do mundo e sustenta florações que o satélite registra como manchas verdes de centenas de quilômetros.

Clima

O regime é monçônico. A monção de sudoeste traz chuva torrencial ao litoral indiano, com mais de 3.000 mm anuais na costa de Querala, enquanto a margem arábica permanece desértica, com menos de 100 mm. Os ventos de verão ultrapassam com regularidade 15 m/s no centro da bacia, condição que tornou a rota entre a Arábia e a Índia navegável em tempo previsível desde a Antiguidade.

Ciclones tropicais formam-se em duas janelas estreitas, antes e depois da monção. Historicamente raros e fracos, tornaram-se mais frequentes e mais intensos desde a década de 2000: Gonu, em 2007, atingiu Omã como o ciclone mais forte já registrado na bacia, e Chapala e Megh, em 2015, foram os primeiros a tocar o Iêmen com essa intensidade em registros modernos. O aquecimento da camada superficial é apontado como o principal fator dessa mudança.

Ecossistemas

A zona de mínimo de oxigênio é o traço ecológico definidor do mar. Entre cerca de 150 m e 1.000 m de profundidade, a respiração bacteriana consome praticamente todo o oxigênio dissolvido sem que a circulação o reponha, criando uma camada funcionalmente anóxica que ocupa grande parte da metade norte da bacia e figura entre as mais extensas e intensas do planeta. Ali ocorre parcela expressiva da perda global de nitrogênio fixado do oceano.

Acima e abaixo dessa camada a vida é abundante. Os fundos rasos de Gujarate e do Golfo de Kutch abrigam recifes de coral, manguezais de Avicennia marina e pradarias marinhas; o delta do Indo sustentou um dos maiores manguezais de clima árido do mundo, hoje reduzido pela retenção de água doce a montante. Ao largo das Laquedivas e de Socotra, atóis e ilhas oceânicas mantêm recifes bem desenvolvidos.

Biodiversidade

A alternância entre águas ricas e águas sem oxigênio comprime a vida em faixas estreitas, o que concentra predadores e facilita a pesca. O mar abriga populações isoladas de grande interesse para a conservação.

  • Baleia-jubarte do Mar Arábico — População residente de Megaptera novaeangliae que não migra, estimada em cerca de cem indivíduos e classificada como em perigo.
  • Sardinha-do-índicoSardinella longiceps sustenta a maior pescaria da costa oeste indiana, com desembarques que oscilam fortemente entre anos.
  • Tubarão-baleia — Agregações ao largo de Gujarate motivaram um programa de soltura voluntária pelos pescadores desde 2004.
  • Dugongo — Pequena população remanescente nas pradarias do Golfo de Kutch, no extremo nordeste da bacia.
  • Atuns e cavalas — Gaiado, albacora e a cavala-indiana Rastrelliger kanagurta respondem por boa parte das capturas industriais.

Ilhas

As ilhas são poucas e muito distintas entre si: atóis coralinos ao sul, ilhas continentais áridas ao longo da margem arábica e um arquipélago de origem antiga na entrada do Golfo de Áden.

  • Socotra — 3.796 km² no extremo oeste, inscrita como Patrimônio Mundial em 2008 por seu endemismo vegetal excepcional.
  • Laquedivas — Arquipélago indiano de 36 ilhas coralinas, no limite sul do mar.
  • Masirah — 649 km² ao largo de Omã, um dos maiores sítios de nidificação de tartaruga-cabeçuda do mundo.
  • Astola — Ilhota paquistanesa de rocha árida, declarada a primeira área marinha protegida do país em 2017.
  • Ilhas Khuriya Muriya — Grupo omanense em plena zona de ressurgência, com colônias de aves marinhas.

Portos e rotas relevantes

A margem norte concentra alguns dos portos mais movimentados do Índico. Karachi e Porto Qasim escoam quase toda a carga do Paquistão; na Índia, o complexo de Nhava Sheva, diante de Bombaim, é o maior terminal de contêineres do país, e Mundra, em Gujarate, movimenta o maior volume total de carga. Salalah, em Omã, cumpre função diferente: situada fora dos golfos e a poucas horas das rotas entre Suez e Malaca, opera sobretudo como porto de transbordo.

Principais portos
PortoPaísFunção predominante
Nhava ShevaÍndiaMaior terminal de contêineres do país
MundraÍndiaMaior movimentação total de carga da Índia
Karachi e Porto QasimPaquistãoPrincipal saída marítima do país
SalalahOmãTransbordo na rota entre Suez e Malaca
CochimÍndiaCarga regional e reabastecimento

Importância econômica

A pesca é a atividade de maior alcance social. A frota que opera na bacia é predominantemente artesanal e emprega milhões de pessoas na Índia, no Paquistão e no Irã, com desembarques dominados por sardinha, cavala, camarão, cefalópodes e atuns. A variabilidade da monção torna as safras imprevisíveis, e a expansão do arrasto motorizado esgotou estoques costeiros em vários trechos.

Os hidrocarbonetos concentram-se no norte. O campo de Bombaim Alta, descoberto em 1974, é o maior campo de petróleo da Índia. Somam-se a isso as rotas que atravessam o mar: praticamente todo o petróleo exportado pelo Golfo Pérsico cruza estas águas, o que faz do Mar Arábico um dos corredores mais vigiados do mundo, com presença naval permanente de várias potências.

Importância ambiental

A expansão das florações de Noctiluca scintillans é a mudança ecológica mais visível das últimas décadas. Esse dinoflagelado, que abriga uma alga simbionte e por isso tinge a água de verde, era raro na bacia antes do fim dos anos 1990 e hoje forma manchas invernais de milhares de quilômetros quadrados, detectáveis por satélite. A expansão é associada ao afloramento de água pobre em oxigênio, condição que a espécie tolera melhor do que as diatomáceas que antes dominavam.

O Golfo de Cambaia concentra outro conjunto de pressões. Sua forma de funil amplifica a maré até cerca de 11 m, uma das maiores amplitudes do mundo, e as correntes resultantes mantêm a água permanentemente turva. A combinação de indústria química no litoral de Gujarate, redução da vazão dos rios e intensa atividade portuária degradou estuários que antes funcionavam como berçário para boa parte da pesca costeira.

Problemas de conservação

A governança é fragmentada. A Comissão do Atum do Oceano Índico regula as espécies migratórias, e a Organização Regional para a Conservação do Ambiente do Mar Vermelho e do Golfo de Áden cobre o setor oeste, mas não há um organismo único para toda a bacia. O Parque Nacional Marinho do Golfo de Kutch, criado pela Índia em 1980, foi a primeira unidade de conservação marinha do país e continua sendo a mais conhecida do mar.

  • Zona de oxigênio em expansão — Séries de medição indicam espessamento e rarefação adicional da camada anóxica, com efeito direto sobre a distribuição da pesca.
  • Pesca não declarada — Frotas externas operam com pouca fiscalização nas águas somalis e iemenitas, o que impede avaliar os estoques com segurança.
  • Manguezais do Indo — A redução da descarga do rio por barragens e irrigação provocou intrusão salina e perda extensa de mangue no delta.
  • Ciclones mais intensos — O aquecimento da camada superficial aumentou a energia disponível para tempestades na bacia desde a década de 2000.

Curiosidades

  1. A Corrente da Somália é a única grande corrente de contorno oeste do mundo que muda de sentido todos os anos, empurrada pela monção em vez da circulação permanente dos giros.
  2. A zona de mínimo de oxigênio do Mar Arábico é tão intensa que a água entre 150 m e 1.000 m tem menos oxigênio do que qualquer outra bacia oceânica aberta de tamanho comparável.
  3. O Golfo de Cambaia registra marés de até cerca de 11 m, resultado do estreitamento em funil da baía, que amplifica a onda de maré vinda do mar aberto.
  4. O Leque do Indo, construído com sedimentos arrancados do Himalaia e do Caracórum, cobre mais de 1 milhão de km² do fundo e é superado em tamanho apenas pelo Leque do Bengala.
  5. As florações invernais de Noctiluca scintillans que hoje cobrem o norte da bacia eram praticamente desconhecidas ali antes do fim da década de 1990.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  2. FAO. Review of the state of world marine fishery resources — Área 51, Oceano Índico ocidental, 2024. Consultar publicação
  3. NASA Earth Observatory. Imagens de florações de fitoplâncton no Mar Arábico, 2023. Consultar publicação
  4. NOAA. World Ocean Atlas — oxigênio dissolvido e nutrientes, 2023. Consultar publicação
  5. Copernicus Marine Service. Global Ocean Physics Analysis and Forecast, 2025. Consultar publicação
  6. União Internacional para a Conservação da Natureza. Lista Vermelha — baleia-jubarte do Mar Arábico, 2022. Consultar publicação
  7. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação

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