Mar Egeu
Mar do Mediterrâneo oriental entre a Grécia e a Turquia, com 214.000 km², mais de 1.400 ilhas e ilhotas e um arco vulcânico ativo ao sul.
O Mar Egeu é o setor mais fragmentado do Mar Mediterrâneo e o mais densamente povoado de ilhas de toda a bacia. Ocupa cerca de 214.000 km² entre a Grécia continental, a Anatólia ocidental e o arco insular que se estende de Creta a Rodes, ligando-se ao Mar de Mármara pelos Dardanelos e, por meio dele, ao Mar Negro. A profundidade média é de aproximadamente 350 m, e o ponto mais fundo, na bacia do Mar de Creta, alcança 3.543 m.
A geologia explica o desenho do mar. A subducção da placa africana sob a microplaca do Egeu estirou a crosta da região, afundando blocos e isolando cristas que hoje emergem como mais de 1.400 ilhas e ilhotas. A mesma convergência alimenta o arco vulcânico do sul do Egeu, onde se situa Santorini, e faz da região uma das áreas de maior atividade sísmica da Europa.
Ficha técnica
- Nome
- Mar Egeu
- Também chamado de
- Egeu, Arquipélago
- Tipo de formação
- Mar
- Localização
- Entre 35° N e 41° N e entre 22,5° L e 28° L, encaixado entre a Grécia continental, a Anatólia ocidental e o arco insular de Creta, Cárpatos e Rodes.
- Oceano de referência
- Atlântico
- Continentes próximos
- Europa, Ásia
- Países e territórios
- Grécia e Turquia, com a quase totalidade das ilhas sob soberania grega e a costa oriental pertencente à Turquia.
- Área aproximada
- 214.000 km²Delimitações que excluem o Mar de Creta indicam valores próximos de 179.000 km².
- Profundidade média
- Cerca de 350 m
- Profundidade máxima
- 3.543 mBacia do Mar de Creta, a sudeste da ilha de Creta.
- Salinidade
- 32 junto aos Dardanelos a 39,5 no sul
- Temperatura da superfície
- De 12 °C a 16 °C no inverno e de 23 °C a 27 °C em agosto
- Linha de costa
- Mais de 15.000 km somando continente e ilhas
- Correntes principais
- Corrente da Ásia Menor, entrada de água do Mar Negro pelos Dardanelos e giros ciclônicos do Egeu setentrional.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
O mar estende-se por cerca de 610 km no sentido norte–sul e por até 300 km no sentido leste–oeste. A publicação Limits of Oceans and Seas (S-23), da Organização Hidrográfica Internacional, fixa o limite sul no arco que liga Citera, Creta, Cárpatos e Rodes até a costa da Anatólia, e o limite nordeste na entrada dos Dardanelos.
A bacia divide-se em três setores. O Egeu setentrional recebe a água doce dos rios balcânicos e a saída do Mar Negro. O Egeu central, dominado pelo planalto raso das Cíclades, tem profundidades em geral inferiores a 400 m. O Mar de Creta, ao sul, é o compartimento fundo, com bacias que passam de 2.000 m.
Ao sul do arco de Creta corre a Fossa Helênica, a estrutura mais profunda do Mediterrâneo, que não pertence ao Egeu mas condiciona sua dinâmica tectônica. Os estreitos de Cássos, de Cárpatos e de Antikítera são as únicas vias de troca de água profunda com o Mediterrâneo oriental.
Continentes e países próximos
Apenas dois Estados têm costa no Egeu. A Grécia detém a margem ocidental, o arco sul e a quase totalidade das ilhas, inclusive as do Dodecaneso, a poucos quilômetros do litoral turco. A Turquia ocupa a margem oriental, com costa recortada por golfos profundos. Essa geografia, em que o território insular de um país acompanha de perto a costa continental do outro, é a origem de disputas marítimas persistentes.
- Grécia — Costa da Trácia ao Peloponeso, mais de 1.400 ilhas e a totalidade do arco sul.
- Turquia — Litoral da Anatólia ocidental, com os golfos de Esmirna e de Gökova e as ilhas de Gökçeada e Bozcaada.
- Mar territorial — Ambos mantêm 6 milhas náuticas no Egeu, situação excepcional na Europa e ligada diretamente à disputa bilateral.
- Cooperação regional — A gestão ambiental segue a Convenção de Barcelona e a pesca, a Comissão Geral de Pesca do Mediterrâneo.
Área e profundidade
A área mais citada é de aproximadamente 214.000 km², com profundidade média em torno de 350 m. O relevo do fundo é excepcionalmente irregular: bancos de poucas dezenas de metros alternam-se com bacias de mais de 1.000 m em distâncias curtas, reflexo do estiramento crustal que fragmentou a região.
O planalto das Cíclades é a feição mais extensa, um bloco raso que, nos máximos glaciais, formava uma única massa de terra. As bacias profundas do norte alinham-se ao longo do prolongamento ocidental da falha norte-anatoliana.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 214.000 km² | Cerca de 179.000 km² sem o Mar de Creta |
| Profundidade média | 350 m | Relevo muito irregular |
| Profundidade máxima | 3.543 m | Bacia do Mar de Creta |
| Comprimento máximo | 610 km | Dos Dardanelos a Creta |
| Ilhas e ilhotas | Mais de 1.400 | Número varia com a área mínima adotada |
Principais correntes
A circulação do Egeu resulta do encontro de duas massas de água contrastantes. Pelos Dardanelos entra, em superfície, água de origem pôntica com salinidade em torno de 22, que se espalha para sudoeste ao longo da costa grega e mantém o Egeu setentrional visivelmente menos salgado. Em sentido oposto, a Corrente da Ásia Menor traz do Levante água quente e salina que sobe pela costa turca.
O resultado é um gradiente de salinidade que vai de cerca de 32 junto aos Dardanelos a 39,5 no sul, um dos mais acentuados do Mediterrâneo. Sobrepõem-se a ele giros ciclônicos semipermanentes nas bacias do norte.
O Egeu tem papel desproporcional na circulação profunda do Mediterrâneo oriental. Entre 1987 e 1995, invernos frios e secos aumentaram a densidade de suas águas e fizeram com que passasse a exportar água profunda pelas passagens de Creta, substituindo o Adriático como principal fonte de água de fundo da bacia oriental. O episódio, conhecido como Transiente do Mediterrâneo Oriental, é um dos casos mais bem documentados de mudança abrupta na circulação de um mar.
Clima
O clima é mediterrâneo, com verões quentes e secos e invernos amenos e chuvosos, mas o Egeu tem uma peculiaridade: o meltemi, vento forte e persistente de norte que sopra entre maio e setembro, canalizado entre as ilhas e capaz de manter dias seguidos de mar agitado em plena estação seca. No inverno, ventos frios de nordeste procedentes dos Bálcãs provocam perda de calor intensa nas bacias setentrionais.
A temperatura da superfície varia de 12 °C a 16 °C em fevereiro, com os valores mais baixos no norte, a 23 °C a 27 °C em agosto. As marés são muito pequenas, quase sempre inferiores a 0,3 m. Como todo o Mediterrâneo oriental, o mar vem aquecendo acima da média global, e as ondas de calor marinhas dos anos 2020 provocaram mortalidade de invertebrados sésseis em fundos rasos.
Ecossistemas
As pradarias de Posidonia oceanica são o ecossistema estruturante dos fundos rasos, sobretudo nos golfos abrigados e no entorno das ilhas, onde funcionam como berçário e estabilizam o sedimento. Em substrato rochoso, desenvolvem-se comunidades de algas fotófilas e, em profundidade, os fundos de coralígeno, construções biogênicas de algas calcárias que abrigam gorgônias e esponjas.
O mar é fortemente oligotrófico, com produtividade primária baixa que decresce de norte para sul. As exceções são o Egeu setentrional, fertilizado pela descarga dos rios e pela água do Mar Negro, e áreas de ressurgência localizada junto a estreitos e ilhas. As grutas submarinas do litoral rochoso, abundantes nas ilhas cársticas, constituem habitat crítico para a foca-monge.
Biodiversidade
A fragmentação do litoral e a variedade de habitats dão ao Egeu riqueza específica alta para os padrões mediterrâneos, com forte componente de espécies de afinidade levantina no sul.
- Foca-monge-do-mediterrâneo — Monachus monachus, um dos pinípedes mais ameaçados do mundo; a Grécia abriga cerca de metade da população global, em grutas costeiras das Espórades e do Dodecaneso.
- Tartarugas marinhas — Caretta caretta nidifica em praias do Dodecaneso e de Creta.
- Cetáceos — Golfinho-comum, roaz, golfinho-riscado e cachalote usam as bacias profundas do Mar de Creta.
- Peixes comerciais — Sardinha, anchova, salmonete, pargo e o atum-rabilho, que atravessa o mar em suas migrações.
- Espécies introduzidas — O peixe-leão Pterois miles, procedente do Mar Vermelho pelo Canal de Suez, foi registrado em águas gregas a partir de 2015 e expandiu-se rapidamente para o norte.
Ilhas
O Egeu é o mar mais insular do Mediterrâneo, com mais de 1.400 ilhas e ilhotas, das quais menos de duzentas habitadas. Quase todas são cumes de blocos crustais afundados, exceto as do arco vulcânico do sul. Os arquipélagos organizam-se em grupos de identidade própria: as Cíclades, ao centro; o Dodecaneso, junto à Anatólia; as Espórades, a noroeste; e as grandes ilhas do Egeu oriental.
- Creta — 8.336 km², a maior ilha grega, que fecha o mar ao sul.
- Eubeia — 3.684 km², ligada ao continente por uma ponte sobre o estreito de Euripo.
- Lesbos e Quios — 1.633 km² e 842 km², as maiores do Egeu oriental, a poucos quilômetros da costa turca.
- Rodes — 1.401 km², a maior do Dodecaneso, com a cidade medieval inscrita como Patrimônio Mundial em 1988.
- Arco vulcânico do sul — Métana, Milos, Santorini e Nísiros, além do vulcão submarino Kolumbo.
Portos e rotas relevantes
O Pireu, servindo Atenas, é o maior porto grego e o principal terminal de passageiros do Mediterrâneo, com dezenas de linhas regulares para as ilhas somadas ao tráfego de contêineres e cruzeiros. Salônica cumpre a função de porta de entrada para os Bálcãs, e do lado turco o complexo de Esmirna e Aliaga concentra contêineres, aço e petroquímica.
A rede de ligações internas é densa e sazonal: no verão, centenas de balsas e catamarãs conectam diariamente o continente às Cíclades e ao Dodecaneso. O mar é também trecho obrigatório da rota entre o Mediterrâneo oriental e os estreitos turcos, por onde passa todo o comércio marítimo do Mar Negro.
| Porto | País | Função predominante |
|---|---|---|
| Pireu | Grécia | Contêineres, passageiros e cruzeiros |
| Salônica | Grécia | Carga para os Bálcãs |
| Esmirna e Aliaga | Turquia | Contêineres, aço e petroquímica |
| Volos | Grécia | Carga rodante e balsas |
| Rodes | Grécia | Passageiros e cruzeiros |
Importância econômica
O turismo é a atividade dominante. As ilhas concentram a maior parte da capacidade hoteleira grega e recebem milhões de visitantes entre maio e outubro, com pressão concentrada em poucas semanas sobre água doce, saneamento e transporte. Santorini e Míconos tornaram-se casos de referência na discussão sobre capacidade de suporte turística.
A pesca é de pequena escala, praticada por milhares de embarcações artesanais, e a aquicultura tem peso crescente: Grécia e Turquia lideram a produção mediterrânea de robalo e dourada, boa parte dela em tanques-rede instalados em golfos abrigados do Egeu. Somam-se a extração histórica de mármore e de esponjas, a navegação de cabotagem e o armamento naval grego, que controla uma das maiores frotas mercantes do mundo.
Importância ambiental
O arco vulcânico do sul do Egeu é um dos laboratórios geológicos mais estudados do planeta. A erupção minoica de Santorini, datada entre 1627 e 1600 antes da era comum, foi uma das maiores dos últimos dez mil anos: esvaziou a câmara magmática, criou a caldeira atual e gerou ondas que atingiram o litoral norte de Creta. O vulcão submarino Kolumbo, explorado a partir de 2006, abriga campos hidrotermais com emissões ricas em dióxido de carbono usadas para estudar os efeitos da acidificação oceânica.
O mar preserva também um dos registros arqueológicos submersos mais densos do mundo e sítios costeiros inscritos como Patrimônio Mundial, entre eles Delos, Patmos, o Pitagoreio e o Hereu de Samos, a Nova Moni de Quios e o monte Atos.
Problemas de conservação
A sobrepesca é o problema mais persistente. Avaliações regionais indicam que a maior parte dos estoques comerciais permanece explorada acima do rendimento máximo sustentável, com pressão particular sobre demersais capturados por arrasto. A captura acidental de tartarugas, focas e aves marinhas agrava o quadro.
A disputa sobre delimitação marítima entre Grécia e Turquia condiciona a conservação. Os dois países divergem sobre a extensão da plataforma continental, sobre o direito das ilhas a gerar zona econômica exclusiva e sobre a largura do mar territorial, e a Turquia não é parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Crises em 1976, 1987, 1996 e 2020 envolveram navios de pesquisa e prospecção, e a ausência de fronteiras acordadas dificulta a criação de áreas protegidas conjuntas e a gestão compartilhada de estoques.
- Parque Nacional Marinho de Alonissos — Criado em 1992 nas Espórades setentrionais, com cerca de 2.260 km², foi a primeira área marinha protegida da Grécia e é o principal refúgio da foca-monge.
- Rede Natura 2000 — Cobre extensas áreas marinhas do lado grego, com fiscalização desigual e pouca proteção integral.
- Turismo concentrado — Fundeio sobre pradarias de Posidonia, esgoto sazonal e ocupação de praias de nidificação.
- Espécies lessepsianas — Mais de uma centena de espécies indo-pacíficas chegou pelo Canal de Suez, alterando comunidades bentônicas do setor sul.
- Ondas de calor marinhas — Episódios registrados nos anos 2020 causaram mortalidade em massa de gorgônias e esponjas em fundos rasos do Egeu.
Curiosidades
- A erupção minoica de Santorini, entre 1627 e 1600 antes da era comum, expeliu dezenas de quilômetros cúbicos de material e deixou depósitos de cinza identificáveis do delta do Nilo à Anatólia central.
- O vulcão submarino Kolumbo, a nordeste de Santorini, tem a cratera a cerca de 500 m de profundidade e acumula no fundo dióxido de carbono tão concentrado que forma um lago de gás sobre o leito.
- O obsidiano de Milos circulava pelo Egeu havia mais de onze mil anos, no que constitui um dos mais antigos indícios de navegação marítima conhecidos.
- Grécia e Turquia mantêm mar territorial de apenas 6 milhas náuticas no Egeu, em vez das 12 permitidas pelo direito do mar, porque a Turquia declarou em 1995 que uma extensão grega seria motivo de guerra.
- A Corrente da Ásia Menor e a saída de água do Mar Negro produzem no Egeu uma diferença de salinidade de mais de sete unidades entre o norte e o sul.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- UNESCO — Centro do Patrimônio Mundial. Sítios de Delos, Patmos, Rodes, Samos e Quios, 2024. Consultar publicação
- FAO — Comissão Geral de Pesca do Mediterrâneo. The State of Mediterranean and Black Sea Fisheries, 2023. Consultar publicação
- União Internacional para a Conservação da Natureza. Lista Vermelha — <em>Monachus monachus</em>, 2023. Consultar publicação
- PNUMA / Plano de Ação para o Mediterrâneo. State of the Environment and Development in the Mediterranean, 2020. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- Copernicus Marine Service. Mediterranean Sea Physics Analysis and Forecast, 2025. Consultar publicação
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Outros verbetes do acervo que ajudam a situar Mar Egeu no conjunto das formações marinhas.
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Mar
Mar Mediterrâneo
Mar semifechado entre três continentes, ligado ao Atlântico por Gibraltar e responsável por parte decisiva do comércio marítimo mundial.
Área 2.500.000 km² Máx. 5.109 m
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Mar interior
Mar de Mármara
Mar interior entre a Europa e a Ásia, atravessado por Istambul, pela falha norte-anatoliana e por um dos maiores tráfegos navais do mundo.
Área 11.350 km² Máx. 1.370 m
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Mar interior
Mar Negro
Mar quase fechado ligado ao Mediterrâneo pelos estreitos turcos, com fundo sem oxigênio e naufrágios antigos intactos.
Área 436.400 km² Máx. 2.212 m
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Oceano
Oceano Atlântico
Segundo maior oceano, em forma de S, sede da Corrente do Golfo, da circulação de revolvimento meridional e de toda a costa do Brasil.
Área 106.460.000 km² Máx. 8.376 m
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Estreito
Estreito de Gibraltar
Única ligação natural entre o Mediterrâneo e o Atlântico, com 14 km de largura mínima e uma soleira de cerca de 300 m.
Área Aproximadamente 1.400 km² Máx. Cerca de 900 m