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Mar do Norte

Mar epicontinental raso do noroeste europeu, com 570.000 km², 95 m de profundidade média e a maior concentração de energia eólica marinha do mundo.

Mapa de localização de Mar do Norte, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte da plataforma continental do noroeste europeu, com o Dogger Bank ao centro e a Fossa Norueguesa na borda nordeste.

O Mar do Norte é o mar epicontinental mais estudado e mais intensamente explorado do planeta. Ocupa cerca de 570.000 km² sobre a plataforma continental do noroeste europeu, entre as Ilhas Britânicas, a Escandinávia e a costa de Bélgica, Países Baixos, Alemanha e Dinamarca, comunicando-se com o Oceano Atlântico por uma ampla abertura ao norte e com o Canal da Mancha pelo estreito de Dover. Sua profundidade média é de apenas 95 m, e mais de metade da bacia tem menos de 50 m.

Essa raseza explica quase tudo o que o distingue. A coluna de água é misturada pelas marés e pelas tempestades, a produtividade primária é alta e os bancos arenosos sustentaram, por séculos, algumas das pescarias mais produtivas do mundo. A mesma plataforma abriga desde a década de 1960 um grande complexo de extração de petróleo e gás e, a partir dos anos 2000, o maior conjunto de parques eólicos marinhos já construído.

Ficha técnica

Nome
Mar do Norte
Também chamado de
Mar Germânico
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 51° N e 61° N e entre 4° O e 9° L, sobre a plataforma continental do noroeste europeu, aberto ao Atlântico pelo norte e ao Canal da Mancha pelo sudoeste.
Oceano de referência
Atlântico
Continentes próximos
Europa
Países e territórios
Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Bélgica e França; a Suécia faz fronteira com o Escagerraque, incluído no mar por algumas delimitações.
Área aproximada
570.000 km²Cerca de 750.000 km² quando se somam o Canal da Mancha, o Escagerraque e o Categate.
Profundidade média
95 m
Profundidade máxima
700 mFossa Norueguesa, junto à costa sul da Noruega; o Escagerraque alcança cerca de 725 m.
Volume
Cerca de 54.000 km³
Salinidade
32 no sudeste a 35 no noroeste
Temperatura da superfície
De 2 °C a 6 °C em fevereiro e de 13 °C a 18 °C em agosto
Linha de costa
Aproximadamente 16.000 km
Correntes principais
Corrente Atlântica Norueguesa, ramo da Corrente Norte-Atlântica pelas Shetland, circulação ciclônica geral e Corrente Costeira Norueguesa.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

O mar estende-se por cerca de 970 km no sentido norte–sul e por até 580 km no sentido leste–oeste. A publicação Limits of Oceans and Seas (S-23), da Organização Hidrográfica Internacional, fixa o limite norte na linha que liga a costa escocesa às Shetland e destas à Noruega, próximo de 61° N; ao sudoeste, a fronteira com o Canal da Mancha corre pelo estreito de Dover.

O fundo é uma plataforma de sedimentos quaternários com relevo suave, interrompida por dois conjuntos de feições. O primeiro são os bancos arenosos rasos, entre os quais se destaca o Dogger Bank, com cerca de 17.600 km² e profundidades entre 15 m e 36 m, a mais de 100 km da costa inglesa. O segundo é a Fossa Norueguesa, depressão glacial que contorna o sul da Noruega e atinge 700 m, única porção verdadeiramente profunda da bacia.

Continentes e países próximos

Sete Estados têm costa no Mar do Norte, e todos delimitaram plataforma continental e zona econômica exclusiva por acordos bilaterais concluídos entre as décadas de 1960 e 1990, motivados pela corrida ao petróleo. A bacia é hoje inteiramente repartida entre jurisdições nacionais, sem áreas de alto-mar, o que tornou possível um grau de regulação raro em mares de dimensão comparável.

  • Reino Unido e Noruega — Detêm as maiores porções da plataforma e quase todas as reservas de petróleo e gás em produção.
  • Países Baixos, Alemanha e Dinamarca — Compartilham o Mar de Frísia e a faixa de bancos e ilhas-barreira do Mar de Wadden.
  • Bélgica e França — Ocupam o setor meridional, junto a Dover, com alta densidade de parques eólicos e tráfego.
  • Suécia — Não tem costa no mar propriamente dito, mas confina com o Escagerraque, incluído em algumas delimitações.

Área e profundidade

A área mais citada é de aproximadamente 570.000 km², com volume próximo de 54.000 km³. A profundidade cresce de sudeste para noroeste: menos de 40 m na Baía Alemã e no Mar de Frísia, entre 80 m e 100 m na porção central e mais de 200 m ao norte de 58° N.

O contraste entre o Dogger Bank e a Fossa Norueguesa resume a geomorfologia da bacia: o banco é uma morena depositada pela calota que cobria a Escandinávia, e a fossa foi escavada pelo fluxo de gelo ao longo da margem norueguesa.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área570.000 km²Até 750.000 km² em delimitações amplas
Volume54.000 km³Mar raso de plataforma
Profundidade média95 mMais da metade abaixo de 50 m
Profundidade máxima700 mFossa Norueguesa
Dogger Bank17.600 km²Profundidades de 15 m a 36 m

Principais correntes

A circulação geral é ciclônica, no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Água atlântica entra sobretudo pelo norte, por um ramo da Corrente Norte-Atlântica que passa entre as Orcades e as Shetland, e em menor medida por Dover. Essa água contorna a bacia e sai pela Corrente Costeira Norueguesa, já diluída pela descarga dos rios e pela saída do Báltico.

O tempo médio de residência da água é curto para um mar semifechado, entre um e dois anos, o que dá ao Mar do Norte capacidade de renovação muito superior à do Mar Báltico e explica por que a eutrofização, embora presente, nunca produziu aqui zonas mortas de escala comparável.

As marés são o motor da mistura vertical. Geradas no Atlântico, organizam-se em torno de três pontos anfidrômicos e produzem amplitudes superiores a 4 m em várias baías do sul, contra menos de 1 m no centro da bacia. A energia que dissipam mantém a coluna de água misturada todo o ano na porção meridional, enquanto o setor norte desenvolve termoclina estacional no verão.

Clima

O clima é temperado marítimo, dominado pela passagem de depressões atlânticas de oeste. A temperatura da superfície oscila entre 2 °C e 6 °C em fevereiro e entre 13 °C e 18 °C em agosto, com máximos no sudeste raso. Ventos fortes são frequentes no inverno, e a combinação de plataforma rasa, forma afunilada ao sul e tempestades de noroeste gera as marés meteorológicas mais perigosas da Europa.

A catástrofe de referência ocorreu na noite de 31 de janeiro para 1º de fevereiro de 1953, quando uma depressão profunda empurrou a água contra as costas do sudeste. A inundação matou 1.836 pessoas nos Países Baixos, 307 na Inglaterra e 28 na Bélgica, além de duas centenas no mar. A resposta foi o Plano Delta neerlandês e, no lado britânico, a barreira do Tâmisa, operacional desde 1982.

Ecossistemas

A produtividade do mar assenta-se sobre fundos arenosos e cascalhentos varridos pelas marés. O Dogger Bank e os demais bancos rasos concentram areia fina habitada por bivalves, poliquetas e crustáceos, e funcionam como área de desova e crescimento para várias espécies comerciais. Bancos de lançarinhas do gênero Ammodytes, peixes que se enterram na areia, são a base alimentar de aves marinhas e de predadores de médio porte.

Na faixa costeira, o Mar de Wadden forma o maior sistema contínuo de planícies de maré do mundo, com aproximadamente 11.500 km², onde se alimentam milhões de aves limícolas em rota entre o Ártico e a África. Ocorrem ainda recifes biogênicos de Sabellaria e bancos históricos da ostra-plana Ostrea edulis, hoje funcionalmente extinta na bacia.

Biodiversidade

O mar abriga cerca de 230 espécies de peixes e uma comunidade de aves marinhas entre as mais densas do Atlântico Norte, além de duas espécies abundantes de focas e do menor cetáceo europeu.

  • Bacalhau-do-atlânticoGadus morhua, espécie emblemática da pesca local, cujo estoque colapsou entre as décadas de 1980 e 2000.
  • Arenque e cavalaClupea harengus e Scomber scombrus sustentam as maiores capturas em volume.
  • Marsuíno-comumPhocoena phocoena, com população de algumas centenas de milhares de indivíduos, é o cetáceo mais numeroso do mar.
  • Focas — A foca-comum Phoca vitulina e a foca-cinzenta Halichoerus grypus reproduzem-se nos bancos de areia do Mar de Wadden e nas costas britânicas.
  • Aves marinhas — Alcatrazes, papagaios-do-mar, gaivotas-tridáctilas e airos nidificam em falésias da Escócia e da Noruega, com declínios acentuados desde os anos 2000.

Ilhas

As ilhas do Mar do Norte são poucas e de dois tipos. No sudeste alinha-se a cadeia de ilhas-barreira arenosas do Mar de Wadden — as Frísias ocidentais, orientais e setentrionais —, baixas e móveis, moldadas por maré e vento. No norte erguem-se ilhas rochosas de embasamento antigo, como as Shetland, as Orcades e os arquipélagos do litoral norueguês.

  • Shetland — Arquipélago de cerca de 1.468 km² no limite norte, base logística da indústria de petróleo.
  • Orcades — 990 km² ao largo da costa norte da Escócia, com forte aproveitamento de energia das marés.
  • Texel e Frísias ocidentais — Ilhas-barreira neerlandesas que fecham o Mar de Wadden.
  • Sylt e Frísias setentrionais — Ilhas de areia alemãs e dinamarquesas em erosão contínua.
  • Helgoland — Pequena ilha de arenito vermelho a 50 km da costa alemã, única elevação rochosa da Baía Alemã.

Portos e rotas relevantes

O Mar do Norte concentra o sistema portuário mais movimentado da Europa. Roterdã, servido pelo Reno, é o maior porto do continente em tonelagem e em contêineres; Antuérpia-Bruges e Hamburgo completam o trio que distribui carga para a Europa central. O estreito de Dover, na saída sul, é a via marítima de maior densidade de tráfego do mundo.

Somam-se a isso rotas de abastecimento das plataformas de petróleo e gás, terminais de gás liquefeito, portos pesqueiros históricos como Peterhead e uma rede de bases de construção e manutenção de parques eólicos.

Principais portos
PortoPaísFunção predominante
RoterdãPaíses BaixosMaior porto europeu em tonelagem
Antuérpia-BrugesBélgicaContêineres e petroquímica
HamburgoAlemanhaContêineres para a Europa central
BremerhavenAlemanhaAutomóveis e contêineres
EsbjergDinamarcaBase logística da eólica marinha

Importância econômica

A exploração de hidrocarbonetos transformou a economia da bacia. O primeiro gás comercial foi encontrado no campo britânico de West Sole, em 1965, seguido pelas descobertas norueguesas de Ekofisk, em 1969, e pelos campos de Forties e Brent, no início da década de 1970. A produção atingiu o auge por volta de 1999 e declina desde então, mas a Noruega segue entre os maiores exportadores de gás do mundo.

A segunda transformação é a energia eólica marinha: a bacia reúne a maior capacidade instalada do planeta fora da China, com o parque britânico Hornsea 2, de 1,32 GW, como o maior em operação a partir de 2022, e o complexo do Dogger Bank, projetado para 3,6 GW, destinado a superá-lo. A pesca mantém peso econômico e político, com capturas entre um e dois milhões de toneladas anuais.

Importância ambiental

A plataforma preserva o registro de uma paisagem perdida. Durante a última glaciação, o nível do mar era mais de 100 m inferior ao atual, e a porção sul da bacia era uma planície habitada, hoje conhecida como Doggerland. Redes de arrasto e sondagens trouxeram à superfície ossos de mamute, ferramentas de pedra e restos de turfeiras. A submersão progrediu ao longo de milênios e foi acelerada, por volta de 8.200 anos atrás, pelo tsunami do deslizamento submarino de Storegga.

Hoje o mar funciona como laboratório de gestão marinha. Séries oceanográficas, pesqueiras e de aves marinhas iniciadas no fim do século XIX permitem distinguir efeitos da pesca dos do clima com precisão rara em outras bacias, e alimentam os pareceres anuais do Conselho Internacional para a Exploração do Mar.

Problemas de conservação

A sobrepesca é o problema mais antigo e mais bem documentado. O estoque reprodutor de bacalhau, que na década de 1970 superava 200 mil toneladas, caiu a menos de um quinto desse valor nos anos 2000, levando a um plano de recuperação europeu em 2004 e a um plano de gestão de longo prazo em 2008, com redução de quotas, fechamento de áreas e malhas maiores. A recomposição foi parcial e instável: a pescaria obteve certificação de sustentabilidade em 2017 e a perdeu dois anos depois.

A eutrofização é a segunda frente. O Reno, o Elba e o Escalda transportam nutrientes agrícolas e urbanos que provocam florações de Phaeocystis e episódios de baixo oxigênio na Baía Alemã. Somam-se o arrasto de fundo, contaminantes históricos, munição submersa de duas guerras, ruído submarino e o desmantelamento de mais de mil estruturas de petróleo e gás no fim da vida útil.

  • Convenção OSPAR — Assinada em Paris em 1992 e em vigor desde 25 de março de 1998, unificou as convenções de Oslo e de Paris e é o principal instrumento de proteção do Atlântico Nordeste.
  • Decisão sobre plataformas — Após a controvérsia do descarte da estrutura Brent Spar, em 1995, a OSPAR proibiu em 1998 o abandono de instalações marinhas no mar.
  • Lançarinha — O Reino Unido fechou em 2024 a pesca industrial de lançarinha em águas inglesas para proteger aves marinhas.
  • Mar de Wadden — Patrimônio Mundial desde 2009, protegido por acordo trilateral desde 1978.
  • Expansão eólica — A declaração de Ostende, de 2023, fixou metas de 120 GW até 2030 e 300 GW até 2050, o que exige compatibilizar energia, pesca e conservação.

Curiosidades

  1. O Dogger Bank recebeu esse nome dos doggers, barcos pesqueiros neerlandeses de dois mastros que exploravam o banco desde a Idade Média.
  2. Arrastões que operam ao sul recolhem com regularidade ossos de mamute e artefatos de pedra, vestígios de Doggerland, a planície habitada que ocupava a bacia até cerca de 8.000 anos atrás.
  3. O petróleo extraído do campo de Brent deu nome ao índice de referência de preço usado para dois terços do comércio mundial de petróleo.
  4. A explosão e o incêndio da plataforma Piper Alpha, em 6 de julho de 1988, matou 167 pessoas e é até hoje o pior acidente da história da indústria de petróleo marítima.
  5. As enguias europeias que crescem nos rios que desaguam no Mar do Norte atravessam o Atlântico para desovar no Mar dos Sargaços, a mais de 5.000 km de distância.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. Comissão OSPAR. Quality Status Report — avaliação do Atlântico Nordeste, 2023. Consultar publicação
  2. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  3. FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture — Atlântico Nordeste, 2024. Consultar publicação
  4. UNESCO — Centro do Patrimônio Mundial. Mar de Wadden, 2014. Consultar publicação
  5. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
  6. Copernicus Marine Service. North West European Shelf Physics Analysis and Forecast, 2025. Consultar publicação
  7. Agência Europeia do Ambiente. Marine messages II — estado dos mares europeus, 2020. Consultar publicação

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