Mar Báltico
Maior corpo de água salobra do planeta, com 377.000 km², 54 m de profundidade média e a maior zona morta induzida por eutrofização do mundo.
O Mar Báltico é o maior corpo de água salobra do planeta. Ocupa cerca de 377.000 km² no norte da Europa, entre a Escandinávia, a Finlândia, os Estados bálticos e as costas da Rússia, da Polônia, da Alemanha e da Dinamarca, e comunica-se com o Mar do Norte apenas por um sistema de estreitos rasos e sinuosos. A profundidade média é de 54 m, e a máxima, de 459 m, na Fossa de Landsort.
A combinação de bacia quase fechada, soleiras rasas e enorme aporte de água doce produziu um mar sem equivalente. A salinidade cai de cerca de 20 na entrada dinamarquesa para 2 no extremo do Golfo de Bótnia, e a coluna de água divide-se em duas camadas separadas por uma haloclina persistente. Essa estratificação impede a oxigenação do fundo e sustenta a maior zona morta de origem humana já registrada no oceano.
Ficha técnica
- Nome
- Mar Báltico
- Também chamado de
- Báltico, Mar Oriental
- Tipo de formação
- Mar
- Localização
- Entre 53,5° N e 66° N e entre 9,5° L e 30° L, ligado ao Mar do Norte pelos estreitos dinamarqueses, pelo Categate e pelo Escagerraque.
- Oceano de referência
- Atlântico
- Continentes próximos
- Europa
- Países e territórios
- Suécia, Finlândia, Rússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Alemanha e Dinamarca.
- Área aproximada
- 377.000 km²Cerca de 415.000 km² quando se somam o Categate e os estreitos dinamarqueses.
- Profundidade média
- 54 m
- Profundidade máxima
- 459 mFossa de Landsort, na Bacia Báltica Própria, a leste da Suécia.
- Volume
- Cerca de 21.000 km³
- Salinidade
- 2 a 3 no Golfo de Bótnia e 7 a 8 na bacia central
- Temperatura da superfície
- De 0 °C a 4 °C no inverno e de 15 °C a 20 °C em agosto
- Linha de costa
- Aproximadamente 8.000 km sem contar os arquipélagos
- Correntes principais
- Circulação estuarina de duas camadas, entradas episódicas de água salgada pelo Categate e corrente de saída superficial pelos estreitos dinamarqueses.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
O mar estende-se por cerca de 1.600 km no sentido nordeste–sudoeste e por até 400 km na largura máxima. A publicação Limits of Oceans and Seas (S-23), da Organização Hidrográfica Internacional, fixa o limite ocidental na entrada dos estreitos dinamarqueses — Grande Belte, Pequeno Belte e Oresund —, deixando o Categate em categoria separada.
A bacia subdivide-se em compartimentos com profundidades e salinidades distintas: as bacias de Arkona e de Bornholm, no sudoeste; a extensa Bacia Báltica Própria, com as fossas de Gotland e de Landsort; e os golfos de Riga, da Finlândia e de Bótnia, este último dividido pelo estrangulamento do Kvarken.
As soleiras que separam esses compartimentos são decisivas: a do Estreito de Darss tem cerca de 18 m, e a de Drogden, no Oresund, apenas 8 m. Como a água salgada e densa do Categate só entra transpondo esses degraus, a renovação do fundo depende de eventos meteorológicos excepcionais, e não de um fluxo contínuo.
Continentes e países próximos
Nove Estados têm costa báltica, e a bacia de drenagem, com aproximadamente 1.720.000 km², abrange total ou parcialmente catorze países e cerca de 85 milhões de habitantes. Essa relação entre uma bacia hidrográfica quatro vezes maior que o próprio mar e um volume de água pequeno e mal renovado é a raiz de quase todos os problemas ambientais da região.
- Suécia e Finlândia — Detêm as costas mais recortadas, com arquipélagos de dezenas de milhares de ilhas.
- Estônia, Letônia e Lituânia — Ocupam a margem oriental, com os golfos de Riga e da Finlândia e a laguna da Curlândia.
- Rússia — Presente em dois trechos descontínuos: o fundo do Golfo da Finlândia e o enclave de Kaliningrado.
- Polônia, Alemanha e Dinamarca — Formam a margem sul e oeste, onde estão os estreitos de ligação com o Mar do Norte.
Área e profundidade
A área mais citada é de aproximadamente 377.000 km², com volume em torno de 21.000 km³ — menos de um centésimo do volume do Mediterrâneo, para cerca de 15% da área. A Baía de Bótnia e o Golfo de Riga raramente passam de 50 m, enquanto as fossas de Landsort e de Gotland concentram as maiores profundidades.
O tempo de residência da água é de 25 a 35 anos, um dos mais longos entre os mares ligados ao oceano aberto. Qualquer substância que entre na bacia permanece nela por décadas, o que amplifica o efeito de nutrientes e poluentes persistentes.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 377.000 km² | Até 415.000 km² com o Categate |
| Volume | 21.000 km³ | Mar raso e pouco volumoso |
| Profundidade média | 54 m | Golfos ainda mais rasos |
| Profundidade máxima | 459 m | Fossa de Landsort |
| Bacia de drenagem | 1.720.000 km² | Cerca de 85 milhões de habitantes |
Principais correntes
O Báltico funciona como um estuário gigante. O aporte de água doce dos rios e da precipitação supera a evaporação em cerca de 480 km³ por ano, e esse excedente escoa para o Mar do Norte como camada superficial pouco salgada, enquanto água salgada e densa do Categate tenta penetrar pelo fundo.
A fronteira entre as duas camadas é a haloclina, situada entre 60 m e 80 m na bacia central. Ao contrário de uma termoclina estacional, é permanente e praticamente impede a mistura vertical. A camada inferior só se renova nas chamadas grandes entradas de água báltica: semanas de ventos persistentes de oeste, precedidas por ventos de leste que rebaixam o nível do mar, empurram volumes expressivos de água salgada sobre as soleiras rasas.
Esses eventos são raros e irregulares. Os mais importantes do último século ocorreram em 1951, 1993, 2003 e em dezembro de 2014, quando cerca de 200 km³ de água oxigenada entraram na bacia. Entre 1983 e 1993 não houve nenhuma entrada relevante, período de estagnação em que o oxigênio do fundo foi consumido quase por completo.
Clima
O clima é temperado frio a subártico, com forte gradiente entre o sudoeste marítimo e o nordeste continental. A temperatura da superfície vai de 15 °C a 20 °C em agosto e aproxima-se do ponto de congelamento no inverno. Por ser salobro, o mar congela a temperaturas próximas de 0 °C, e não a −1,8 °C como a água oceânica.
O gelo sazonal é um traço definidor. A Baía de Bótnia e o fundo do Golfo da Finlândia congelam todos os invernos, com temporada que chega a sete meses no extremo norte. A extensão máxima anual varia de menos de 40.000 km² em invernos brandos a mais de 400.000 km² em invernos severos. Essa variabilidade acompanha a Oscilação do Atlântico Norte, e a tendência das últimas décadas é de menos gelo e temporada mais curta.
Ecossistemas
A salinidade intermediária é o fator estruturante: baixa demais para a maioria dos organismos marinhos e alta demais para os de água doce, ela faz do Báltico um mar pobre em espécies, habitado por populações que vivem no limite da tolerância fisiológica. Mexilhões e bacalhaus atingem ali tamanhos muito menores que no Atlântico, e convivem com peixes de água doce como o lúcio e a perca.
Os habitats-chave são os bosques da alga Fucus vesiculosus, nos fundos rochosos rasos, as pradarias de Zostera marina nos fundos arenosos do sudoeste, os bancos de mexilhão e as extensas áreas de fundo mole da bacia central. Abaixo da haloclina, boa parte do leito é permanentemente desprovida de fauna: é a zona morta, onde apenas bactérias sulfurosas subsistem.
Biodiversidade
O mar abriga um número reduzido de espécies, mas com populações de grande importância regional, incluindo três espécies de focas, uma subpopulação de marsuíno à beira da extinção e estoques de arenque e espadilha entre os maiores da Europa.
- Foca-cinzenta — Halichoerus grypus, recuperada para algumas dezenas de milhares de indivíduos após décadas de proteção.
- Foca-anelada do Báltico — Pusa hispida botnica, subespécie que depende do gelo para parir em covis de neve.
- Marsuíno-comum do Báltico — A subpopulação de Phocoena phocoena da Báltica Própria é criticamente ameaçada, com cerca de 500 indivíduos estimados por levantamento acústico entre 2011 e 2013.
- Bacalhau do Báltico oriental — Estoque em colapso, com pesca dirigida suspensa pela União Europeia desde 2019.
- Arenque e espadilha — Clupea harengus membras e Sprattus sprattus respondem pela maior parte das capturas.
Ilhas
O Báltico é um dos mares mais ricos em ilhas do mundo, sobretudo por causa dos arquipélagos escandinavos esculpidos na rocha pelo gelo glacial. O arquipélago de Estocolmo reúne cerca de 24.000 ilhas e ilhotas, e o das Ilhas Åland, mais de 6.700. No sul, as ilhas são de natureza distinta: bancos de areia, restingas e ilhas-barreira formadas pela deriva litoral.
- Gotland — 2.994 km², a maior ilha do mar, com planalto calcário e formações rochosas típicas.
- Saaremaa — 2.673 km², a maior ilha da Estônia, no limite do Golfo de Riga.
- Öland — 1.342 km², com a estepe calcária de Stora Alvaret.
- Rügen — 926 km², a maior ilha alemã, com as falésias de giz de Jasmund.
- Bornholm — 588 km², ilha dinamarquesa granítica, junto à bacia homônima.
Portos e rotas relevantes
O tráfego báltico é intenso e composto sobretudo por navios de médio porte, já que a profundidade dos estreitos restringe o calado. Cerca de 2.000 embarcações navegam simultaneamente na bacia, com forte componente de balsas e de transporte de petróleo dos terminais russos do Golfo da Finlândia.
O Canal de Kiel, inaugurado em 1895, encurta em cerca de 460 km a rota entre o Báltico e o Mar do Norte e é uma das vias artificiais mais movimentadas do mundo. No inverno, a navegação no norte depende de uma frota de quebra-gelos operada pela Finlândia e pela Suécia.
| Porto | País | Função predominante |
|---|---|---|
| Gdansk | Polônia | Contêineres e granéis |
| Klaipeda | Lituânia | Contêineres e carga rodante |
| Ust-Luga | Rússia | Petróleo, carvão e granéis |
| Helsinque | Finlândia | Passageiros e carga rodante |
| Lübeck-Travemünde | Alemanha | Balsas e carga rodante |
Importância econômica
A economia marinha báltica combina transporte, pesca, turismo e energia. O transporte é o setor dominante, tanto pela carga como pelo tráfego de passageiros: as linhas de balsas entre Suécia, Finlândia, Estônia, Alemanha e Dinamarca transportam dezenas de milhões de pessoas por ano.
A pesca está concentrada em arenque, espadilha e salmão, com desembarques da ordem de algumas centenas de milhares de toneladas anuais e forte redução após o colapso do bacalhau. A energia ganhou peso com os gasodutos submarinos, sabotados em setembro de 2022, e com uma rápida expansão da eólica marinha nas águas da Polônia, dos Estados bálticos e da Suécia. Somam-se a extração de âmbar na costa de Kaliningrado e um turismo costeiro de verão de grande volume.
Importância ambiental
O Báltico é um laboratório natural para o estudo de mares eutrofizados. A combinação de estratificação permanente, renovação lenta e bacia de drenagem densamente povoada faz com que efeitos que em outros mares levariam séculos apareçam ali em décadas, o que dá às suas séries históricas valor de alerta antecipado.
A bacia também registra um dos processos geológicos mais nítidos do planeta: o soerguimento pós-glacial. Liberada do peso da calota de gelo, a crosta do Golfo de Bótnia sobe entre 8 mm e 9 mm por ano, o que faz surgir novas ilhas e transforma enseadas em lagos ao longo de poucas gerações. O arquipélago de Kvarken foi reconhecido como Patrimônio Mundial em 2006 justamente por documentar esse fenômeno.
Problemas de conservação
A eutrofização é o problema central. O excesso de nitrogênio e fósforo de origem agrícola e urbana alimenta florações de cianobactérias que, ao se decompor abaixo da haloclina, consomem o oxigênio disponível. A área de fundo hipóxico ou anóxico oscila entre cerca de 50.000 km² e 70.000 km² conforme o ano — a maior zona morta induzida por atividade humana já documentada no oceano, cerca de dez vezes maior que no início do século XX. Onde o oxigênio desaparece, o fósforo do sedimento é liberado e realimenta o processo.
A segunda herança é química. Após a Segunda Guerra Mundial, as potências aliadas afundaram na bacia munição que se estima conter cerca de 40.000 toneladas de agentes de guerra química, concentrada sobretudo na Bacia de Bornholm e, em menor volume, ao largo de Gotland. As carcaças corroem-se lentamente, e redes de arrasto ainda recolhem fragmentos com resíduos de gás mostarda.
- Comissão de Helsinque — A HELCOM administra a Convenção de Helsinque, assinada em 1974 e revista em 1992, e coordena o Plano de Ação para o Mar Báltico, adotado em 2007 e atualizado em 2021.
- Área marítima especialmente sensível — A Organização Marítima Internacional concedeu ao mar esse estatuto em 2005, e a bacia controla emissões de enxofre desde 2006.
- Poluentes persistentes — Dioxinas e organoclorados acumulam-se em arenque, salmão e focas, e levaram a restrições ao consumo de peixe gorduroso.
- Perda de gelo — A redução da extensão e da duração do gelo compromete a reprodução da foca-anelada, que pare em covis de neve sobre o gelo.
- Espécies introduzidas — Mais de cem espécies exóticas chegaram por água de lastro, entre elas o poliqueta Marenzelleria.
Curiosidades
- O navio de guerra sueco Vasa, afundado em 1628 em Estocolmo, foi recuperado quase intacto em 1961 porque a salinidade do Báltico é baixa demais para o molusco Teredo navalis, que destrói madeira submersa em mares salgados.
- Um inverno rigoroso pode congelar mais de 400.000 km² do mar, praticamente toda a superfície, enquanto em invernos brandos o gelo não passa de 40.000 km², restrito ao extremo da Baía de Bótnia.
- A crosta no Golfo de Bótnia sobe entre 8 mm e 9 mm por ano desde o fim da última glaciação, e o arquipélago de Kvarken foi inscrito como Patrimônio Mundial em 2006 por registrar esse soerguimento.
- A grande entrada de água salgada de dezembro de 2014 levou cerca de 200 km³ de água oxigenada às bacias profundas, mas o efeito se dissipou em poucos anos e o fundo voltou à anoxia.
- O âmbar recolhido nas praias de Kaliningrado e da Curlândia é resina fossilizada de florestas que cresceram na região há cerca de 40 milhões de anos, e a costa concentra a maior reserva conhecida.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- Comissão de Helsinque (HELCOM). State of the Baltic Sea — relatório holístico de avaliação, 2023. Consultar publicação
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- Agência Europeia do Ambiente. Marine messages II — estado dos mares europeus, 2020. Consultar publicação
- União Internacional para a Conservação da Natureza. Lista Vermelha — subpopulação báltica de <em>Phocoena phocoena</em>, 2024. Consultar publicação
- UNESCO — Centro do Patrimônio Mundial. Alto Litoral e arquipélago de Kvarken, 2006. Consultar publicação
- Organização Marítima Internacional. Áreas marítimas especialmente sensíveis e áreas de controle de emissões, 2021. Consultar publicação
- Copernicus Marine Service. Baltic Sea Physics and Biogeochemistry Analysis and Forecast, 2025. Consultar publicação
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