Mar do Japão
Mar marginal quase fechado do Pacífico, com 978.000 km², ligado ao exterior por quatro estreitos rasos e conhecido por sua água profunda homogênea.
O Mar do Japão é um mar marginal quase fechado do Oceano Pacífico, encaixado entre o arquipélago japonês, a Península Coreana, o litoral russo do Primorie e a Ilha de Sacalina. Ocupa 978.000 km² e alcança 3.742 m de profundidade na Bacia do Japão, mas comunica-se com o exterior apenas por quatro estreitos estreitos e rasos: o da Coreia, ao sul, o de Tsugaru e o de Sōya, a leste e nordeste, e o de Tartária, ao norte.
Nenhuma dessas passagens ultrapassa 130 m de profundidade. Esse isolamento faz do mar um caso raro: abaixo de cerca de 300 m, quase toda a coluna de água é ocupada por uma massa fria, homogênea e bem oxigenada, formada dentro da própria bacia e conhecida como água própria do Mar do Japão. O sistema funciona como um oceano em miniatura, com formação de água profunda, circulação de renovação e resposta rápida a variações climáticas, o que o transformou em laboratório natural para o estudo do oceano profundo.
Ficha técnica
- Nome
- Mar do Japão
- Também chamado de
- Mar Oriental, Mar do Leste
- Tipo de formação
- Mar
- Localização
- Entre 34° N e 52° N e entre 127° L e 142° L, cercado pelo arquipélago japonês, pela Ilha de Sacalina, pelo litoral russo do Primorie e pela Península Coreana.
- Oceano de referência
- Pacífico
- Continentes próximos
- Ásia
- Países e territórios
- Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte e Rússia possuem costa no mar. As delimitações entre Coreia do Sul e Japão e entre as duas Coreias permanecem incompletas, e há reivindicações concorrentes sobre os Rochedos de Liancourt.
- Área aproximada
- 978.000 km²Sem o Estreito da Coreia e a Baía de Petro Veliki em algumas compilações.
- Profundidade média
- 1.752 m
- Profundidade máxima
- 3.742 mBacia do Japão, no setor norte do mar.
- Volume
- Aproximadamente 1.713.000 km³
- Salinidade
- 33,7 a 34,3, valores baixos para um mar aberto ao oceano
- Temperatura da superfície
- De 0 °C a 12 °C no inverno e de 17 °C a 26 °C no verão
- Correntes principais
- Corrente Quente de Tsushima e seus três ramos, Corrente Fria de Liman, Corrente Fria da Coreia do Norte e frente subpolar em torno de 40° N.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
O limite meridional corre da costa sul-coreana a Kyushu pelo Estreito da Coreia, ali dividido pela Ilha de Tsushima em dois canais com soleira em torno de 130 m. A leste, o Estreito de Tsugaru tem soleira semelhante; a nordeste, o de Sōya não passa de 55 m; ao norte, o de Tartária estreita-se a menos de 8 km e a cerca de 12 m de fundo.
O fundo divide-se em três bacias profundas. A Bacia do Japão, ao norte, é a maior e a mais funda, com crosta oceânica formada por expansão de retroarco entre 28 e 15 milhões de anos atrás; a sudeste está a Bacia de Yamato e a sudoeste a de Ulleung, ambas entre 2.500 m e 3.000 m. Entre elas ergue-se a Elevação de Yamato, cujo topo chega a menos de 300 m da superfície.
A plataforma continental é estreita em quase todo o perímetro, raramente ultrapassando 30 km, e inexistente em vários trechos da costa japonesa, onde o talude começa a poucos quilômetros da praia. É a diferença mais marcante em relação ao Mar da China Oriental, dominado por uma plataforma de centenas de quilômetros.
Continentes e países próximos
Quatro Estados têm costa no mar. A Rússia domina a margem noroeste, com o Primorie e o oeste de Sacalina; as duas Coreias ocupam a margem ocidental; o Japão detém toda a margem oriental, de Kyushu a Hokkaido.
- Japão — Costa oeste de Kyushu, Honshu e Hokkaido, com as ilhas de Sado e Oki e a região de Hokuriku.
- Rússia — Litoral do Primorie e do Krai de Khabarovsk, com a Baía de Petro Veliki e o oeste de Sacalina.
- Coreia do Sul — Costa oriental de Gangwon e Gyeongsang, com a Ilha de Ulleung.
- Coreia do Norte — Litoral de Hamgyong e Kangwon, com os portos de Wonsan e Chongjin.
- Rochedos de Liancourt — Dois ilhéus e dezenas de rochedos com 0,19 km², administrados pela Coreia do Sul como Dokdo e reivindicados pelo Japão como Takeshima.
Área e profundidade
A área mais citada é de 978.000 km², com profundidade média de 1.752 m e volume próximo de 1.713.000 km³. A bacia tem forma alongada de sudoeste para nordeste, com cerca de 1.700 km de comprimento e largura máxima em torno de 1.100 km. Cerca de três quartos do volume estão abaixo de 1.000 m.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 978.000 km² | Terceiro maior mar marginal do Pacífico noroeste |
| Profundidade média | 1.752 m | Plataforma estreita em quase todo o perímetro |
| Profundidade máxima | 3.742 m | Bacia do Japão |
| Estreito da Coreia | Cerca de 130 m de soleira | Principal entrada de água quente |
| Estreito de Sōya | Cerca de 55 m de soleira | Saída para o Mar de Okhotsk |
| Renovação da água profunda | 100 anos ou mais | Estimada por traçadores de carbono e clorofluorcarbonos |
Principais correntes
A entrada de água quente ocorre pelo Estreito da Coreia, por onde passa a Corrente de Tsushima, ramo destacado da Corrente de Kuroshio, com transporte médio de 2 a 3 milhões de m³ por segundo. Dentro do mar ela se divide em três ramos, entre os quais a Corrente Quente do Leste da Coreia, que sobe pela margem coreana até se separar da costa por volta de 38° N. A saída se dá pelos estreitos de Tsugaru e de Sōya, este último alimentando a Corrente de Sōya no Mar de Okhotsk.
No setor norte predomina a Corrente Fria de Liman, que desce ao longo da costa russa e se prolonga como Corrente Fria da Coreia do Norte. O encontro entre as águas quentes do sul e as frias do norte forma uma frente subpolar nítida em torno de 40° N, responsável por forte concentração de vida marinha.
A renovação da água profunda ocorre no inverno, quando ventos secos e frios vindos da Sibéria resfriam a superfície ao largo de Vladivostok, aumentando sua densidade e provocando afundamento. O processo é lento: traçadores químicos indicam que a água do fundo leva pelo menos um século para se renovar por completo.
Clima
O regime é monçônico de latitudes médias, com contraste sazonal acentuado. No inverno, a monção de noroeste traz ar continental muito frio, que atravessa a superfície relativamente quente e absorve umidade em grande quantidade. O resultado é uma das faixas de neve mais intensas do mundo habitado: a vertente ocidental de Honshu e Hokkaido recebe acumulações superiores a 10 m por temporada em áreas montanhosas.
No verão o quadro se inverte: ventos de sudeste trazem ar úmido e a superfície aquece até 26 °C no setor sul, enquanto o norte permanece abaixo de 20 °C. Gelo marinho de formação local aparece apenas no Estreito de Tartária e em enseadas rasas do litoral russo. Tufões que recurvam do Pacífico atingem a bacia ocasionalmente, sobretudo em setembro.
Ecossistemas
A frente subpolar organiza a distribuição da vida no mar. Ao sul dela, comunidades temperado-quentes incluem florestas de Ecklonia e corais moles; ao norte, dominam laminárias de águas frias e fauna bentônica de tipo subártico.
A água profunda bem oxigenada permite fauna bentônica abundante em profundidades onde outros mares fechados são anóxicos. Nas encostas da Elevação de Yamato há campos de esponjas e crustáceos de fundo mole, e a Baía de Petro Veliki abriga o conjunto mais diverso de invertebrados do litoral russo do Pacífico, com mais de 2.000 espécies registradas.
Biodiversidade
O mar reúne cerca de 800 espécies de peixes e uma fauna de invertebrados que combina elementos boreais e subtropicais, resultado do encontro entre as correntes de Tsushima e de Liman. Vários estoques comerciais dependem de migrações que atravessam a frente subpolar duas vezes por ano.
- Lula-voadora-japonesa — Todarodes pacificus desova no Estreito da Coreia e migra para o norte; sustenta a pescaria noturna com lâmpadas visível em imagens noturnas de satélite.
- Caranguejo-das-neves — Chionoecetes opilio ocupa fundos entre 200 m e 600 m e é alvo de frotas japonesas, coreanas e russas.
- Leão-marinho-do-japão — Zalophus japonicus, endêmico do mar, foi declarado extinto pela União Internacional para a Conservação da Natureza, sem registros confiáveis desde a década de 1950.
- Foca-manchada — Phoca largha ocorre no norte da bacia e reproduz-se sobre o gelo do Estreito de Tartária.
- Sardinha e cavala — Pequenos pelágicos com ciclos de abundância de décadas, ligados a mudanças de regime climático do Pacífico.
Ilhas
As ilhas são poucas e pequenas, reflexo da escassez de plataforma continental. Quase todas são de origem vulcânica ou fragmentos continentais isolados, e nenhuma se compara em tamanho às grandes ilhas dos mares vizinhos.
- Sado — 855 km², ao largo de Niigata; suas minas de ouro foram inscritas na Lista do Patrimônio Mundial em 2024.
- Oki — Quatro ilhas habitadas, geoparque mundial desde 2013.
- Ulleungdo — 73 km², ilha vulcânica sul-coreana a 120 km da costa.
- Rochedos de Liancourt — 0,19 km² de rocha vulcânica, com guarnição sul-coreana permanente desde 1954.
- Ilha Russki — 98 km², junto a Vladivostok, ligada ao continente por uma grande ponte estaiada.
Portos e rotas relevantes
Os portos servem sobretudo a comércio regional e cabotagem. Vladivostok, terminal oriental da ferrovia Transiberiana, e os terminais vizinhos de Nakhodka e Vostochny concentram a maior parte da carga russa do Pacífico.
Do lado japonês, Niigata, Tsuruga e Maizuru sustentam ligações com o continente e com Hokkaido, enquanto Busan, na entrada meridional, é o maior porto de contêineres do conjunto. Na costa norte-coreana, Chongjin, Wonsan e Rajin operam volumes muito menores.
| Porto | País | Destaque |
|---|---|---|
| Busan | Coreia do Sul | Maior porto de contêineres da região |
| Vladivostok | Rússia | Terminal do Transiberiano e sede da frota do Pacífico |
| Vostochny e Nakhodka | Rússia | Carvão, contêineres e granéis |
| Niigata | Japão | Principal porto japonês do mar |
| Chongjin | Coreia do Norte | Carga geral e minério |
Importância econômica
A pesca é a base econômica tradicional. Lula, caranguejo-das-neves, sardinha, cavala e algas sustentam frotas dos quatro Estados ribeirinhos, sob acordos bilaterais renegociados periodicamente. A pesca ilegal por embarcações estrangeiras nas águas norte-coreanas tornou-se, a partir da década de 2010, um problema documentado por observação de satélite.
Somam-se o transporte marítimo entre Rússia, Coreia e Japão, a construção naval, o turismo costeiro de Hokuriku e as usinas térmicas e nucleares do litoral japonês, que utilizam água do mar para resfriamento. Não há produção significativa de petróleo dentro da bacia.
Importância ambiental
O sinal ambiental mais estudado é a alteração da água profunda. Medições desde a década de 1950 mostram aquecimento do fundo da ordem de 0,001 °C a 0,002 °C por ano e queda persistente do oxigênio dissolvido, atribuída ao enfraquecimento da convecção invernal — um registro antecipado do que se espera para o oceano profundo em escala global.
Nas águas superficiais, os problemas são outros. O lixo marinho acumula-se nas praias japonesas e coreanas transportado pela Corrente de Tsushima, e a bacia registra florações recorrentes da água-viva gigante Nemopilema nomurai, que alcança 2 m de diâmetro e 200 kg e chega a obstruir redes de pesca e tomadas de água de usinas.
Problemas de conservação
A cooperação regional se organiza desde 1994 no Plano de Ação para o Pacífico Noroeste, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que reúne Japão, China, Coreia do Sul e Rússia em torno de lixo marinho, monitoramento de poluição e avaliação do meio marinho. A disputa de nomenclatura levou o programa a adotar formulações que evitam nomear o mar.
No plano nacional, a proteção é fragmentada. A Rússia mantém a Reserva Marinha do Extremo Oriente, criada em 1978 na Baía de Petro Veliki como a primeira área marinha estritamente protegida do país. O Japão designou parques quase nacionais na costa de Hokuriku e de San-in, e a Coreia do Sul protege o entorno de Ulleungdo e dos Rochedos de Liancourt como monumento natural desde 1982.
- Reserva Marinha do Extremo Oriente — 643 km² na Baía de Petro Veliki, reserva da biosfera desde 2003.
- Geoparque das Ilhas Oki — Reconhecido pela UNESCO em 2013 pela geologia do rifteamento que abriu o mar.
- Monumento Natural de Dokdo — Proteção sul-coreana aos rochedos e ao entorno marinho, com acesso restrito.
- Plano de Ação para o Pacífico Noroeste — Programa intergovernamental com centros regionais no Japão, na Rússia, na China e na Coreia do Sul.
Curiosidades
- Como nenhuma das quatro entradas ultrapassa 130 m, o mar ficou praticamente isolado do oceano durante os máximos glaciais, e sua fauna profunda foi eliminada e recolonizada mais de uma vez.
- A água própria do Mar do Japão ocupa mais de 80% do volume da bacia e é tão homogênea que temperatura e salinidade variam menos entre 500 m e 3.700 m do que em muitos oceanos entre duas profundidades vizinhas.
- A pescaria noturna de lula com lâmpadas de alta potência produz, ao longo da frente subpolar, uma faixa de luz visível em imagens noturnas de satélite.
- A cidade de Aomori, na costa japonesa do mar, recebe em média cerca de 8 m de neve por ano e é considerada a maior cidade mais nevada do mundo, resultado direto do ar siberiano que cruza a superfície relativamente quente.
- A decisão da Organização Hidrográfica Internacional de 2020 substituiu a lógica de uma lista impressa de nomes por um sistema digital de identificadores numéricos, encerrando quase três décadas de impasse sobre a revisão da publicação de 1953.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas (S-23) e a norma S-130, 2020. Consultar publicação
- COI/UNESCO. Intergovernmental Oceanographic Commission — programas regionais do Pacífico Noroeste, 2023. Consultar publicação
- PNUMA — Plano de Ação para o Pacífico Noroeste. State of the Marine Environment Report for the NOWPAP Region, 2021. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- NOAA. World Ocean Atlas — temperatura, salinidade e oxigênio dissolvido, 2023. Consultar publicação
- FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture — área estatística 61, 2024. Consultar publicação
- União Internacional para a Conservação da Natureza. The IUCN Red List of Threatened Species — <em>Zalophus japonicus</em>, 2015. Consultar publicação
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