Ir para o conteúdo
DatingYes Oceanos e Mares
Mar Oceano Pacífico

Mar de Okhotsk

Mar marginal do Pacífico com 1.583.000 km², o corpo de água temperado que mais congela no hemisfério norte e origem da água intermediária do Pacífico.

Mapa de localização de Mar de Okhotsk, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre a costa siberiana, a Ilha de Sacalina, a Península de Kamtchatka e o arco das Curilas, com o litoral de Hokkaido ao sul.

O Mar de Okhotsk é o mar marginal que separa o continente siberiano do Oceano Pacífico aberto, fechado a leste pela Península de Kamtchatka e pelo arco das Ilhas Curilas, a oeste pela Ilha de Sacalina e ao sul pela costa norte de Hokkaido. Ocupa 1.583.000 km², com profundidade média em torno de 860 m e um máximo de 3.372 m na Bacia das Curilas. Comunica-se com o Mar do Japão pelos estreitos de Sōya e de Tartária e com o Pacífico pelas passagens entre as Curilas.

É o corpo de água temperado que mais congela no hemisfério norte: no auge do inverno, entre 50% e 90% da superfície fica coberta por gelo, e o banco alcança a latitude de 44° N, mais ao sul do que em qualquer outro mar do planeta no hemisfério setentrional. Esse gelo não é um detalhe sazonal — é o motor de uma engrenagem que ventila as camadas intermediárias de todo o Pacífico Norte.

Ficha técnica

Nome
Mar de Okhotsk
Também chamado de
Mar de Okhotsque, Mar de Ochotsk
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 43° N e 62° N e entre 135° L e 163° L, cercado pela costa siberiana, pela Ilha de Sacalina, pelo arco das Curilas, por Kamtchatka e por Hokkaido.
Oceano de referência
Pacífico
Continentes próximos
Ásia
Países e territórios
Rússia detém praticamente toda a costa; o Japão possui o litoral norte de Hokkaido. As quatro ilhas do extremo sul do arco das Curilas são administradas pela Rússia e reivindicadas pelo Japão.
Área aproximada
1.583.000 km²Valores entre 1.528.000 km² e 1.603.000 km² conforme o traçado adotado nos estreitos das Curilas.
Profundidade média
Cerca de 860 m
Profundidade máxima
3.372 mBacia das Curilas, no setor sudeste do mar.
Volume
Aproximadamente 1.365.000 km³
Salinidade
32,5 a 33,5, com valores baixos junto à foz do Amur
Temperatura da superfície
De −1,8 °C sob o gelo a 12 °C ou 18 °C no sul em agosto
Correntes principais
Giro ciclônico geral, Corrente do Leste de Sacalina, Corrente Ocidental de Kamtchatka e entrada da Corrente de Sōya pelo estreito homônimo.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

O limite oriental corre ao longo do arco das Curilas, cadeia de 56 ilhas vulcânicas que se estende por 1.200 km entre Kamtchatka e Hokkaido. As passagens entre elas são a única ligação direta com o Pacífico: o Estreito de Bussol, com cerca de 2.300 m, e o de Kruzenshtern, com cerca de 1.900 m, concentram a maior parte da troca de água. Ao sul, o Estreito de Sōya separa Sacalina de Hokkaido.

O fundo divide-se com nitidez. O norte e o noroeste são plataforma rasa, com menos de 200 m em cerca de 40% da área total, incluindo a plataforma de Sacalina e a enseada de Shelikhov. A sudeste, a Bacia das Curilas é uma bacia de retroarco com crosta oceânica e mais de 3.000 m de profundidade.

Continentes e países próximos

A Rússia possui quase todo o perímetro costeiro, de Khabarovsk e Magadan à costa oeste de Kamtchatka, incluindo Sacalina e as Curilas. O Japão detém apenas o litoral norte de Hokkaido e mantém reivindicação sobre o extremo sul do arco insular.

  • Rússia — Costa de Khabarovsk, Magadan, Kamtchatka e Sacalina, além de todo o arco das Curilas.
  • Japão — Costa norte de Hokkaido, base das frotas de pesca e do turismo de gelo à deriva.
  • Ilhas em disputa — Iturup, Kunashir, Shikotan e o grupo Habomai, denominados Curilas do Sul pela Rússia e Territórios do Norte pelo Japão.
  • Buraco de Amendoim — Enclave de alto-mar de cerca de 52.000 km² no centro do mar, cujo leito foi reconhecido em 2014 como plataforma continental russa.
  • Povos indígenas — Comunidades nivkh, oroque, evenki e ainu ocupam historicamente Sacalina, o baixo Amur e Hokkaido.

Área e profundidade

A área mais citada é de 1.583.000 km², com volume próximo de 1.365.000 km³ e cerca de 2.400 km de comprimento no eixo nordeste–sudoeste. A distribuição de profundidades é bimodal: quase metade da superfície está sobre plataforma rasa, enquanto a Bacia das Curilas concentra a maior parte do volume.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área1.583.000 km²Segundo maior mar marginal do Pacífico noroeste
Profundidade médiaCerca de 860 mCerca de 40% da área abaixo de 200 m de lâmina
Profundidade máxima3.372 mBacia das Curilas
Cobertura máxima de gelo50% a 90% da áreaEntre fevereiro e março
Vazão do rio AmurCerca de 350 km³ por anoPrincipal aporte de água doce e de ferro dissolvido
Estreito de BussolCerca de 2.300 mPassagem mais funda para o Pacífico

Principais correntes

A circulação geral é ciclônica. Água do Pacífico entra pelas passagens centrais das Curilas e pela Corrente Ocidental de Kamtchatka, percorre o norte do mar e retorna para o sul ao longo de Sacalina como Corrente do Leste de Sacalina, uma corrente fria e pouco salgada alimentada pela descarga do Amur e pelo degelo. Pelo Estreito de Sōya entra ainda um ramo quente vindo do Mar do Japão, que aquece a costa norte de Hokkaido no verão.

O processo oceanográfico mais consequente ocorre nas polínias do noroeste. Ventos continentais afastam o gelo recém-formado da costa e mantêm faixas de água aberta onde o congelamento se repete continuamente; a cada ciclo, o sal expulso do gelo torna a água subjacente mais densa, que escorre pela plataforma e afunda até 500 m a 800 m. Essa água constitui a fonte principal da Água Intermediária do Pacífico Norte, massa que se espalha por todo o oceano até o Pacífico tropical e é a única via de ventilação das camadas intermediárias dessa bacia.

Clima

O clima é monçônico frio, sob influência direta do anticiclone siberiano. No inverno, ventos de noroeste trazem ar com temperaturas de −20 °C ou menos, e a superfície começa a congelar em outubro no golfo de Shelikhov. O banco de gelo cresce durante todo o inverno e atinge extensão máxima em março, quando cobre entre metade e nove décimos do mar e chega à costa de Hokkaido.

O verão é curto, nublado e frequentemente encoberto por nevoeiro, gerado quando ar úmido do Pacífico cruza águas ainda frias. A superfície raramente ultrapassa 12 °C no norte, embora alcance 18 °C na faixa costeira sul aquecida pela Corrente de Sōya. Todo o gelo derrete no verão, e as séries de satélite indicam redução consistente da extensão máxima desde a década de 1980.

Ecossistemas

A produtividade é excepcional para a latitude. O gelo sazonal concentra algas em sua face inferior, e o degelo primaveril libera essa biomassa junto com o ferro dissolvido trazido pelo Amur, elemento que limita a produção em boa parte do Pacífico Norte. A água que sai pelas Curilas leva esse ferro para a Corrente de Oyashio e fertiliza áreas oceânicas distantes da costa.

Ao longo do arco das Curilas, a mistura provocada pelas marés sobre as soleiras é tão intensa que homogeneíza a coluna de água de centenas de metros e sustenta densas florestas de laminárias, campos de mexilhões e uma das poucas populações de lontra-marinha do Pacífico ocidental. Nas Ilhas Shantar, no noroeste, baías rasas abrigam no verão a população de baleia-da-groenlândia do Mar de Okhotsk.

Biodiversidade

O mar sustenta uma das faunas subárticas mais ricas do Pacífico, com cerca de 300 espécies de peixes, colônias de aves marinhas em ilhas isoladas e populações de pinípedes e cetáceos que dependem do gelo ou das áreas de alta produtividade em torno das Curilas.

  • Escamudo-do-alascaGadus chalcogrammus forma o maior estoque pesqueiro russo, com capturas anuais próximas de 1 milhão de toneladas no setor norte.
  • Caranguejo-real-do-kamtchatkaParalithodes camtschaticus, alvo de pescaria de alto valor e de longa história de captura ilegal na costa oeste de Kamtchatka.
  • Salmões do Pacífico — Salmão-rosa e salmão-cão desovam aos milhões nos rios de Sacalina e Kamtchatka.
  • Baleia-cinzenta do Pacífico ocidentalEschrichtius robustus alimenta-se no verão em Piltun, nordeste de Sacalina; a população, de poucas centenas de indivíduos, teve sua classificação revista pela União Internacional para a Conservação da Natureza em 2018.
  • Focas do gelo — Foca-de-fitas, foca-manchada e foca-barbuda parem sobre o banco de gelo.
  • Leão-marinho-de-stellerEumetopias jubatus mantém colônias em rochedos das Curilas e na Ilha Iony.

Ilhas

As ilhas do mar formam dois conjuntos muito distintos: Sacalina, um fragmento continental alongado que fecha a bacia a oeste, e o arco vulcânico das Curilas, alinhado sobre a zona de subducção da placa do Pacífico.

  • Sacalina — 72.492 km², a maior ilha da Rússia, com 948 km de comprimento e campos de petróleo e gás na plataforma nordeste.
  • Iturup — 3.200 km², maior das Curilas, com vulcanismo ativo e o maior contingente populacional do arco meridional.
  • Kunashir — 1.490 km², a mais próxima de Hokkaido, separada dela por apenas 25 km.
  • Ilhas Shantar — Arquipélago do noroeste, parque nacional russo desde 2013 e refúgio estival de baleias-da-groenlândia.
  • Ilha Iony — Rochedo isolado de menos de 1 km² com uma das maiores colônias de leões-marinhos do mar.

Portos e rotas relevantes

A navegação depende da estação: entre dezembro e maio, a maior parte dos portos do norte exige apoio de quebra-gelos. Magadan, na costa continental, e Korsakov, no sul de Sacalina, são os principais terminais russos, complementados por Nikolaevsk do Amur, na foz do rio, e por Severo-Kurilsk, no arco insular.

No sul de Sacalina funciona o terminal de Prigorodnoye, uma das primeiras plantas de gás natural liquefeito da Rússia, em operação desde 2009. Do lado japonês, Abashiri, Monbetsu e Wakkanai combinam pesca costeira com o turismo de observação do gelo à deriva, que sustenta uma frota de embarcações quebra-gelo de passageiros.

Principais portos
PortoPaísFunção predominante
MagadanRússiaAbastecimento da região de Kolyma
KorsakovRússiaPesca, carga geral e ligação com Hokkaido
PrigorodnoyeRússiaExportação de gás natural liquefeito
AbashiriJapãoPesca costeira e turismo de gelo à deriva
MonbetsuJapãoPesca de vieira e observação do gelo

Importância econômica

A pesca é o setor dominante e um dos mais valiosos da Rússia. O escamudo da bacia norte forma o maior estoque explorado do país e recebeu certificação de sustentabilidade em 2013; somam-se salmão, arenque, caranguejo-real, caranguejo-das-neves, vieira e ouriço-do-mar. A pesca ilegal de caranguejo, dirigida sobretudo ao mercado asiático, foi por muitos anos um problema de escala industrial, reduzido a partir de acordos bilaterais de rastreamento de desembarques assinados na década de 2010.

A segunda atividade é a extração de hidrocarbonetos na plataforma nordeste de Sacalina, onde operam desde o fim da década de 1990 os projetos Sakhalin-1 e Sakhalin-2, com plataformas fixas projetadas para resistir à pressão do gelo à deriva. Completam o quadro o transporte de cabotagem, o turismo de natureza em Kamtchatka e nas Curilas e uma aquicultura ainda incipiente.

Importância ambiental

O recuo do gelo é a mudança mais monitorada. A extensão máxima de inverno diminuiu de forma consistente desde a década de 1980, e modelos climáticos regionais projetam redução adicional expressiva até o fim do século. Como a formação de água densa nas polínias depende diretamente da produção de gelo, o enfraquecimento do banco tende a reduzir a ventilação da Água Intermediária do Pacífico Norte, com efeitos sobre o oxigênio dissolvido em áreas muito distantes do mar.

A extração de petróleo junto a Sacalina coincide com a única área de alimentação estival conhecida da baleia-cinzenta do Pacífico ocidental, o que motivou a criação de um painel científico independente para acompanhar as operações e ajustar cronogramas de sondagens sísmicas. Somam-se preocupações com derramamentos em condições de gelo, para os quais não há método de contenção plenamente eficaz, e com a pesca de fundo sobre comunidades bentônicas de crescimento lento.

Problemas de conservação

A rede de proteção é sobretudo terrestre e costeira. A Reserva Natural de Kurilsky, em Kunashir, e a Reserva de Poronaysky, em Sacalina, protegem trechos de litoral e áreas de reprodução de aves; o Parque Nacional das Ilhas Shantar, criado em 2013, cobre um dos poucos refúgios estivais de baleia-da-groenlândia do Pacífico.

No mar aberto, a gestão é feita por regulação pesqueira. O reconhecimento do leito do enclave central como plataforma continental russa, recomendado em 2014 pela Comissão de Limites da Plataforma Continental, deu à Rússia jurisdição sobre os recursos do fundo, embora a coluna de água permaneça juridicamente alto-mar.

  • Parque Nacional das Ilhas Shantar — Criado em 2013, com mais de 5.000 km² entre áreas terrestres e marinhas.
  • Reserva Natural de Kurilsky — Protege florestas, vulcões e faixa costeira de Kunashir e ilhotas vizinhas.
  • Painel consultivo da baleia-cinzenta — Grupo científico independente que acompanha desde 2004 os efeitos da atividade petrolífera em Sacalina.
  • Certificação da pescaria de escamudo — Concedida em 2013 ao estoque do mar, com reavaliações periódicas de estado do recurso.
  • Santuário de Shiretoko — A península de Hokkaido banhada pelo mar foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial em 2005 pela ligação entre gelo sazonal e cadeia alimentar marinha.

Curiosidades

  1. O gelo à deriva que chega a Hokkaido em janeiro e fevereiro atinge cerca de 44° N, a menor latitude alcançada por gelo marinho sazonal em todo o hemisfério norte.
  2. As polínias do noroeste do mar são a única fonte conhecida de água densa que ventila as camadas intermediárias do Pacífico Norte; sem elas, essa parte do oceano ficaria sem renovação entre 300 m e 800 m de profundidade.
  3. Em 24 de maio de 2013, um terremoto de magnitude 8,3 ocorreu a 609 km de profundidade sob o mar, o maior sismo de foco profundo já registrado por instrumentos.
  4. O ferro dissolvido trazido pelo rio Amur atravessa o mar, sai pelas passagens das Curilas e fertiliza áreas do Pacífico aberto situadas a mais de mil quilômetros da foz.
  5. A distância entre a Ilha de Kunashir e a costa de Hokkaido é de apenas 25 km, e as duas margens são mutuamente visíveis em dias claros.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  2. National Snow and Ice Data Center. Sea Ice Index — Sea of Okhotsk regional extent, 2025. Consultar publicação
  3. NOAA. World Ocean Atlas — North Pacific Intermediate Water, 2023. Consultar publicação
  4. FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture — área estatística 61, 2024. Consultar publicação
  5. União Internacional para a Conservação da Natureza. The IUCN Red List of Threatened Species — <em>Eschrichtius robustus</em>, subpopulação ocidental, 2018. Consultar publicação
  6. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
  7. UNESCO. Shiretoko — Lista do Patrimônio Mundial, 2005. Consultar publicação

Publicado por DatingYes · Atualizado em Sugerir uma correção

Conteúdos relacionados

Outros verbetes do acervo que ajudam a situar Mar de Okhotsk no conjunto das formações marinhas.

  • Mapa de localização: Mar do Japão Mar

    Mar do Japão

    Mar quase fechado entre o Japão, as Coreias e a Rússia, com quatro entradas rasas e uma circulação profunda própria.

    Área 978.000 km² Máx. 3.742 m

  • Mapa de localização: Mar de Bering Mar

    Mar de Bering

    Mar subártico entre a Sibéria e o Alasca, com gelo sazonal, plataforma imensa e a pescaria de escamudo mais produtiva do mundo.

    Área 2.300.000 km² Máx. 4.097 m

  • Mapa de localização: Oceano Pacífico Oceano

    Oceano Pacífico

    Maior oceano do planeta, cobre um terço da superfície terrestre, abriga a fossa mais profunda conhecida e comanda o El Niño.

    Área 165.250.000 km² Máx. 10.994 m

  • Mapa de localização: Mar da China Oriental Mar

    Mar da China Oriental

    Plataforma rasa entre a China, a Coreia e o Japão, alimentada pelo Yangtzé e percorrida pela Corrente de Kuroshio.

    Área 1.249.000 km² Máx. 2.719 m

  • Mapa de localização: Estreito de Bering Estreito

    Estreito de Bering

    Corredor de 82 km entre a Chukotka e o Alasca, único acesso do Pacífico ao Ártico e antigo istmo da Beríngia.

    Área Aproximadamente 6.000 km² Máx. Cerca de 90 m