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Mar Oceano Índico

Mar de Andamão

Mar do sudeste asiático com 797.700 km², separado do Golfo de Bengala por um arco de ilhas sobre a zona de subducção que gerou o tsunami de 2004.

Mapa de localização de Mar de Andamão, com o corpo de água destacado sobre as terras vizinhas.
Recorte entre o delta do Irauádi, a costa de Tenasserim e o arco insular de Andamão e Nicobar.

O Mar de Andamão ocupa aproximadamente 797.700 km² do nordeste do Oceano Índico, entre Mianmar, a Tailândia e a Península Malaia, a leste, e o arco de ilhas de Andamão e Nicobar, a oeste. É um mar de retroarco: o fundo abriga um eixo de expansão ativo que abre a bacia há cerca de 4 milhões de anos, e a profundidade máxima chega a 4.198 m, contrastando com a plataforma rasa que se estende diante do delta do Irauádi.

A oeste, o cordão de ilhas o separa do Golfo de Bengala e deixa poucas passagens profundas, entre elas o Canal dos Dez Graus e o Grande Canal. Ao sul, o mar se afunila no Estreito de Malaca. Essa geografia fechada, somada ao aporte enorme de sedimentos dos rios birmaneses e à atividade tectônica da margem, produz um conjunto de fenômenos incomuns: marés amplas, água turva no norte, ondas internas gigantes e um vulcão que volta a entrar em erupção com regularidade.

Ficha técnica

Nome
Mar de Andamão
Também chamado de
Mar de Birmânia
Tipo de formação
Mar
Localização
Entre 5° N e 20° N e entre 92° L e 100° L, limitado por Mianmar, pela Tailândia e pela Península Malaia a leste e pelo arco de Andamão e Nicobar a oeste.
Oceano de referência
Índico
Continentes próximos
Ásia
Países e territórios
Mianmar, Tailândia, Malásia, Indonésia e Índia, esta última pelas ilhas Andamão e Nicobar.
Área aproximada
797.700 km²Delimitações mais restritas, que excluem o setor sul, indicam cerca de 600.000 km².
Profundidade média
870 m
Profundidade máxima
4.198 mBacia de Andamão, junto ao eixo de expansão de retroarco.
Volume
Cerca de 660.000 km³
Salinidade
31,5 no norte a 34 no sul
Temperatura da superfície
Entre 26 °C e 30 °C durante todo o ano
Linha de costa
Aproximadamente 5.400 km, incluindo as ilhas
Correntes principais
Circulação sazonal invertida pela monção, entrada pelo Canal dos Dez Graus e saída pelo Estreito de Malaca.
Atualizado em
11 de setembro de 2026

Localização e limites

O limite oeste é o arco formado pelas ilhas Andamão e Nicobar, interrompido pelo Canal de Preparis ao norte, pelo Canal dos Dez Graus, com cerca de 150 km de largura, entre os dois grupos, e pelo Grande Canal, entre a Grande Nicobar e Sumatra. Ao norte, o mar termina no Golfo de Martabão e na foz do Irauádi e do Salaween; a leste, na costa de Tenasserim e da Tailândia; ao sul, na entrada do Estreito de Malaca.

O fundo divide-se em uma plataforma larga ao norte, alimentada por sedimento fluvial, e a Bacia de Andamão ao sul, cortada pelo Centro de Expansão de Retroarco de Andamão, que se abre a cerca de 3,8 cm por ano e se conecta por terra à Falha de Sagaing, em Mianmar. A oeste do arco insular corre a Fossa da Sonda, onde a placa indiana mergulha sob a placa da Birmânia.

Continentes e países próximos

Cinco Estados têm costa ou território insular no mar, e a soberania mais extensa em área marítima pertence à Índia, que administra Andamão e Nicobar a mais de mil quilômetros do continente indiano. Mianmar detém a plataforma rasa do norte, a Tailândia a costa turística do leste, e a Malásia e a Indonésia apenas os trechos meridionais junto a Malaca.

  • Índia — Administra 572 ilhas de Andamão e Nicobar, com 8.249 km² de terra e a maior zona econômica exclusiva do mar.
  • Mianmar — Costa de Rakhine a Tenasserim, com o delta do Irauádi, o Golfo de Martabão e o arquipélago de Mergui.
  • Tailândia — Litoral de Ranong a Satun, base da pesca industrial e do turismo de Phuket e Krabi.
  • Malásia e Indonésia — Extremo sul do mar, com Langkawi, Penang e a costa norte de Sumatra.

Área e profundidade

O mar mede cerca de 1.200 km no sentido norte-sul e até 650 km no sentido leste-oeste. A assimetria entre as duas margens é acentuada: a plataforma birmanesa avança mais de 200 km mar adentro, enquanto o flanco oriental das ilhas Nicobar cai para mais de 3.000 m a poucas dezenas de quilômetros da costa.

Grandezas de referência
GrandezaValorObservação
Área797.700 km²Cerca de 600.000 km² em delimitações restritas
Comprimento1.200 kmDo Golfo de Martabão ao Estreito de Malaca
Profundidade média870 mPlataforma larga ao norte, bacia profunda ao sul
Profundidade máxima4.198 mBacia de Andamão
Expansão do retroarco3,8 cm por anoCentro de expansão da bacia central
Maré no Golfo de MartabãoAté 7 mUma das maiores amplitudes do sudeste asiático

Principais correntes

A circulação superficial acompanha a monção. Entre maio e setembro, o vento de sudoeste empurra água do Golfo de Bengala para dentro do mar pelas passagens do arco insular e gera uma circulação horária no setor central; entre novembro e março, a monção de nordeste inverte o padrão e reforça a saída pelo Estreito de Malaca. A troca com o oceano aberto é limitada pelas soleiras dos canais, e a água profunda da bacia renova-se sobretudo pelo Grande Canal.

O mar é conhecido pelas maiores ondas internas já documentadas. Geradas quando a maré força água estratificada sobre as soleiras dos canais de Nicobar, essas ondas se propagam para leste em pacotes que percorrem centenas de quilômetros, com deslocamentos verticais de dezenas de metros abaixo da superfície. Nada disso é visível como onda comum, mas as faixas de rugosidade que produzem na superfície aparecem com nitidez em imagens de satélite e chegam a afetar a navegação submarina.

Clima

O clima é tropical úmido e fortemente monçônico. A costa oeste da Tailândia e de Mianmar recebe entre 2.500 mm e 5.000 mm de chuva por ano, quase toda concentrada entre maio e outubro, quando a monção de sudoeste encontra as serras litorâneas. A estação seca, de novembro a abril, traz mar calmo e é o período de maior movimento turístico.

Ciclones tropicais são menos frequentes do que no Golfo de Bengala, mas podem ser devastadores. O ciclone Nargis, que atingiu o delta do Irauádi em 2 de maio de 2008, causou cerca de 138 mil mortes e destruiu extensas áreas de manguezal, expondo a vulnerabilidade de um litoral baixo e densamente povoado. As marés são amplas no norte, com até 7 m no Golfo de Martabão, e modestas no sul.

Ecossistemas

O contraste entre as duas margens define os ambientes. Ao norte e a leste dominam sistemas turvos e ricos em sedimento: manguezais extensos no delta do Irauádi e no arquipélago de Mergui, planícies de maré no Golfo de Martabão e estuários de alta produtividade. Ao oeste, em volta de Andamão e Nicobar, a água é transparente e sustenta recifes de coral bem desenvolvidos, pradarias marinhas e florestas tropicais que descem até a linha da praia.

O fundo do setor sul recebe o material transportado pelo Leque do Bengala, o maior leque submarino do mundo, cuja lobo oriental, o Leque de Nicobar, despeja sedimentos do Himalaia diretamente sobre a placa que mergulha na Fossa da Sonda. A Expedição 362 do programa internacional de perfuração oceânica, realizada em 2016, sondou essas camadas justamente para entender por que a ruptura de 2004 foi tão extensa.

Biodiversidade

A combinação de recifes oceânicos, manguezais continentais e ilhas isoladas produz comunidades muito distintas em poucas centenas de quilômetros, com endemismo alto nas ilhas e diversidade elevada nos recifes.

  • Tartaruga-de-couro — A Grande Nicobar abriga um dos principais sítios de nidificação de Dermochelys coriacea do Índico oriental.
  • Dugongo — Sobrevive em pequenas populações nas pradarias de Andamão, onde é símbolo oficial do território.
  • Crocodilo-de-água-salgadaCrocodylus porosus ocupa manguezais e estuários das ilhas e do litoral birmanês.
  • Recifes de coral — Mais de 400 espécies de corais construtores foram registradas no arco insular, com branqueamentos severos em 2010 e 2016.
  • Pesca pelágica — Anchovas, cavalas, atuns e lulas sustentam frotas tailandesas e birmanesas que operam durante todo o ano.

Ilhas

O mar é definido por suas ilhas. O arco de Andamão e Nicobar é o topo emerso de uma cadeia submarina que continua até Sumatra, e o arquipélago de Mergui, na costa birmanesa, reúne centenas de ilhas de floresta densa e povoamento esparso.

  • Grande Andamão — Conjunto de ilhas contíguas onde fica Port Blair, centro administrativo do território indiano.
  • Sentinela do Norte — Cerca de 60 km² habitados pelos sentineleses, um dos últimos povos sem contato regular; a aproximação é proibida por lei indiana desde 1956.
  • Grande Nicobar — A maior do grupo sul, com o povo shompen no interior e um polêmico projeto portuário na Baía de Galathea.
  • Ilha Barren — Cone vulcânico de cerca de 354 m, o único vulcão ativo da Índia.
  • Arquipélago de Mergui — Cerca de 800 ilhas birmanesas, território tradicional dos moken, navegadores do mar.

Portos e rotas relevantes

A navegação concentra-se no eixo sul, em direção a Malaca, e nos portos de escoamento regional. Yangon e o terminal de Thilawa respondem pela maior parte do comércio exterior de Mianmar; Ranong e Phuket servem à pesca e ao turismo tailandeses; Port Blair é o único porto de alguma escala do arco insular. O projeto indiano de um terminal de transbordo na Baía de Galathea, anunciado em 2023, pretende aproveitar a proximidade da rota entre Suez e o Pacífico, mas enfrenta oposição pelo impacto sobre a Grande Nicobar.

Principais portos
PortoPaísFunção predominante
Yangon e ThilawaMianmarPrincipal saída de comércio exterior do país
RanongTailândiaPesca e comércio de fronteira com Mianmar
PhuketTailândiaTurismo, cruzeiros e apoio náutico
Port BlairÍndiaCentro administrativo e logístico de Andamão e Nicobar
PenangMalásiaContêineres na entrada sul do mar

Importância econômica

A pesca e o turismo dividem a economia marinha. A frota tailandesa que opera no mar está entre as maiores do sudeste asiático e foi alvo de sanções comerciais europeias entre 2015 e 2019 por deficiências no controle da pesca ilegal; a frota birmanesa, menos equipada, depende de estoques costeiros já reduzidos pelo arrasto. Camarão, cefalópodes e pequenos pelágicos dominam os desembarques.

O turismo concentra-se na costa tailandesa. Phuket, Krabi e as ilhas Phi Phi recebem milhões de visitantes por ano, e a pressão sobre os recifes levou a fechamentos temporários, como o da Baía de Maya, interditada de 2018 a 2022 para recuperação. Nas ilhas indianas, o turismo cresce sob restrições estritas de acesso, e em Mianmar permanece marginal desde 2021.

Importância ambiental

O terremoto de 26 de dezembro de 2004 é o evento que mais marcou a região. Com magnitude estimada entre 9,1 e 9,3, a ruptura da zona de subducção propagou-se por cerca de 1.300 km ao longo do arco, de Sumatra às Andamão, e gerou um tsunami que matou cerca de 228 mil pessoas em quatorze países. Partes das ilhas Nicobar afundaram mais de 1 m e trechos das Andamão subiram, alterando permanentemente a linha de costa. A resposta institucional foi a criação, em 2006, do sistema de alerta de tsunami do Oceano Índico.

O vulcanismo é a outra face da mesma tectônica. A Ilha Barren, a cerca de 140 km a nordeste de Port Blair, teve sua primeira erupção registrada em 1787, permaneceu quieta por quase dois séculos e voltou à atividade em 1991, com episódios recorrentes desde então. Somam-se a isso a perda de manguezais no delta do Irauádi, agravada por Nargis, e a erosão costeira associada à retenção de sedimentos a montante.

Problemas de conservação

As regras mais rígidas do mar não são ambientais, mas de proteção de povos indígenas. A legislação indiana de 1956 sobre tribos aborígenes reserva áreas inteiras de Andamão e Nicobar e proíbe a aproximação da Sentinela do Norte, medida mantida tanto por respeito à autodeterminação quanto pela ausência de imunidade dos sentineleses a doenças comuns. Jarawas, onges, grandes andamaneses e shompens vivem sob regimes semelhantes de acesso restrito.

  • Parque Nacional Marinho de Mahatma Gandhi — Protege recifes e ilhotas ao sul de Port Blair, com visitação canalizada para poucos pontos.
  • Ilhas Similan — Parque nacional tailandês fechado ao público em parte do ano para reduzir a pressão sobre os recifes.
  • Alerta de tsunami — A rede de boias e marégrafos instalada após 2004 cobre todo o arco e é coordenada no âmbito da Comissão Oceanográfica Intergovernamental.
  • Projeto da Grande Nicobar — O porto de transbordo e a expansão urbana previstos para a ilha são contestados por afetarem praias de nidificação e território shompen.

Curiosidades

  1. As ondas internas do Mar de Andamão estão entre as maiores já medidas no oceano, com deslocamentos verticais de dezenas de metros que percorrem centenas de quilômetros abaixo da superfície.
  2. A Ilha Barren abriga o único vulcão ativo da Índia; depois da erupção registrada em 1787, permaneceu adormecida até 1991 e voltou a entrar em atividade diversas vezes desde então.
  3. O terremoto de 26 de dezembro de 2004 foi tão extenso que rebaixou permanentemente parte das ilhas Nicobar e elevou trechos das Andamão, redesenhando a linha de costa do arco.
  4. Os sentineleses vivem na Sentinela do Norte sem contato regular com o exterior; a lei indiana proíbe a aproximação da ilha, e o grupo sobreviveu ao tsunami de 2004 sem ajuda externa.
  5. O lobo oriental do Leque do Bengala, o maior leque submarino do planeta, deposita sedimentos do Himalaia diretamente sobre a placa que mergulha na Fossa da Sonda, a milhares de quilômetros de sua origem.

Fontes

As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.

  1. Serviço Geológico dos Estados Unidos. M 9.1 — 2004 Sumatra-Andaman Islands earthquake, 2004. Consultar publicação
  2. Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO. Indian Ocean Tsunami Warning and Mitigation System, 2024. Consultar publicação
  3. Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
  4. FAO. Fishery and Aquaculture Country Profiles — Myanmar e Tailândia, 2024. Consultar publicação
  5. NASA Earth Observatory. Imagens de erupções da Ilha Barren e de ondas internas, 2022. Consultar publicação
  6. PNUMA. Coordinating Body on the Seas of East Asia — mares regionais, 2023. Consultar publicação
  7. GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação

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