Golfo do México
Mar marginal do Atlântico com cerca de 1.550.000 km², profundidade máxima de 4.384 m na Fossa de Sigsbee e a maior zona morta sazonal das Américas.
O Golfo do México é a maior bacia marginal do Atlântico ocidental e um dos poucos mares semifechados do mundo cercado por três países. Ocupa cerca de 1.550.000 km² entre a costa sul dos Estados Unidos, o litoral oriental do México e o extremo ocidental de Cuba, e comunica-se com o Mar do Caribe pelo Canal de Iucatã e com o Oceano Atlântico pelos Estreitos da Flórida. A profundidade média é de cerca de 1.615 m e o ponto mais fundo conhecido, a Fossa de Sigsbee, chega a 4.384 m.
A geometria da bacia — uma tigela profunda cercada por plataformas muito largas — explica quase tudo o que a distingue. Ela concentra a maior região de petróleo em águas profundas do hemisfério ocidental, recebe a descarga do maior sistema fluvial da América do Norte, abriga a segunda maior zona de hipoxia sazonal do planeta e serve de reservatório de calor para os furacões que atingem o litoral norte-americano. A comparação com o Mar Mediterrâneo rendeu-lhe o apelido de mediterrâneo americano.
Ficha técnica
- Nome
- Golfo do México
- Também chamado de
- Seno Mexicano, Mediterrâneo americano
- Tipo de formação
- Golfo
- Localização
- Entre 18° N e 31° N e entre 98° O e 80° O, encaixado entre a costa sul dos Estados Unidos, o litoral leste do México e o oeste de Cuba.
- Oceano de referência
- Atlântico
- Continentes próximos
- América do Norte, América Central
- Países e territórios
- Estados Unidos (Texas, Luisiana, Mississippi, Alabama e Flórida), México (Tamaulipas, Veracruz, Tabasco, Campeche, Iucatã e Quintana Roo) e Cuba (províncias ocidentais, incluindo Pinar del Río e Havana).
- Área aproximada
- 1.550.000 km²Estimativas oscilam entre 1,5 e 1,6 milhão de km² conforme o traçado adotado nos estreitos da Flórida e no Canal de Iucatã.
- Profundidade média
- 1.615 m
- Profundidade máxima
- 4.384 mFossa de Sigsbee, na Bacia do México, a sudoeste do centro do golfo.
- Volume
- Cerca de 2,4 milhões de km³
- Salinidade
- 36,0 no golfo aberto, abaixo de 30 nas plumas fluviais
- Temperatura da superfície
- De 18 °C a 24 °C no inverno e de 29 °C a 31 °C no fim do verão
- Linha de costa
- Aproximadamente 5.000 km, dos quais cerca de 2.700 km nos Estados Unidos
- Correntes principais
- Corrente do Laço, vórtices anticiclônicos do Laço, Corrente de Iucatã, Corrente da Flórida e circulação ciclônica da bacia ocidental.
- Atualizado em
- 11 de setembro de 2026
Localização e limites
A bacia estende-se por cerca de 1.600 km de leste a oeste e 900 km de norte a sul. A Organização Hidrográfica Internacional a fecha a leste por uma linha que vai da Flórida às Ilhas Dry Tortugas e daí ao Cabo Catoche, no México.
A plataforma da Flórida ocidental e o Banco de Campeche são construções carbonáticas com centenas de quilômetros de largura, enquanto as do Texas e da Luisiana recebem sedimento terrígeno. O talude desce em degraus marcados por diápiros de sal jurássico até a Escarpa de Sigsbee, e a planície abissal central ocupa cerca de 103.600 km² sob mais de 9 km de sedimentos. Cerca de 38% do golfo tem menos de 20 m de profundidade.
Continentes e países próximos
Três Estados soberanos têm costa no golfo, e a divisão de suas zonas econômicas exclusivas deixou por décadas duas áreas de fundo marinho fora de qualquer jurisdição, os polígonos ocidental e oriental. O tratado de 2000 entre Estados Unidos e México delimitou o primeiro, e o acordo de 2012 fixou regras para jazidas que atravessam a fronteira marítima.
- Estados Unidos — Texas, Luisiana, Mississippi, Alabama e Flórida, com mais de 20 milhões de habitantes na faixa litorânea.
- México — Seis estados costeiros, de Tamaulipas a Quintana Roo, incluindo a Sonda de Campeche, principal província petrolífera do país.
- Cuba — A costa noroeste da ilha, de Cabo San Antonio ao leste de Havana.
- Bacia de drenagem — A bacia do Mississippi cobre 3,2 milhões de km² em 31 estados norte-americanos.
Área e profundidade
Os valores mais citados indicam área próxima de 1.550.000 km², volume de cerca de 2,4 milhões de km³ e profundidade média de 1.615 m. A Fossa de Sigsbee fica na porção sudoeste da planície abissal, a apenas cerca de 500 km da foz do Mississippi, o que permite que turbiditos do delta alcancem o domínio abissal em episódios geologicamente rápidos.
| Grandeza | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Área | 1.550.000 km² | Faixa entre 1,5 e 1,6 milhão de km² |
| Volume | 2,4 milhões de km³ | Cerca de 0,2% do volume oceânico |
| Profundidade média | 1.615 m | 38% da área com menos de 20 m |
| Profundidade máxima | 4.384 m | Fossa de Sigsbee |
| Descarga do Mississippi | 580 km³ por ano | 200 milhões de toneladas de sedimento |
Principais correntes
A circulação é comandada pela Corrente do Laço, que entra pelo Canal de Iucatã com transporte médio entre 23 e 27 sverdrups, avança para o norte em um arco que às vezes alcança 28° N e sai pelos Estreitos da Flórida, onde passa a chamar-se Corrente da Flórida e alimenta a Corrente do Golfo. A intrusão não é estável: o laço cresce por meses, estrangula-se e se rompe.
Cada ruptura libera um vórtice anticiclônico de 200 km a 400 km de diâmetro, que se desloca para oeste a cerca de 5 km por dia e pode sobreviver por até um ano na bacia ocidental. O intervalo entre desprendimentos varia de três a dezessete meses, o que torna sua previsão um dos problemas mais difíceis da oceanografia regional. Esses anéis levam água quente e salina do Caribe para o interior do golfo e criam camadas de mistura profundas que alimentam ciclones tropicais.
Clima
O clima é subtropical úmido no norte e tropical no sul. A temperatura da superfície cai a 18 °C ou 24 °C no inverno e sobe para 29 °C a 31 °C no fim do verão, quando quase todo o golfo permanece acima do limiar de 26,5 °C associado à formação de ciclones tropicais. As marés são pequenas, quase sempre inferiores a 0,6 m, e predominantemente diurnas, situação rara em escala mundial.
A temporada de furacões vai de junho a novembro, e o golfo é uma das áreas mais propícias do mundo à intensificação rápida, definida como aumento de pelo menos 35 nós na velocidade máxima dos ventos em 24 horas. Água quente, camada de mistura profunda sobre os vórtices do Laço e cisalhamento fraco produziram casos extremos: o Katrina, em 2005, com maré de tempestade acima de 8 m no Mississippi e mais de 1.800 mortos; o Harvey, em 2017, com mais de 1.500 mm de chuva no Texas; e o Michael, em 2018, categoria 5 na Flórida.
Ecossistemas
As plataformas rasas sustentam manguezais que cobrem cerca de 6.500 km² no lado mexicano, prados de ervas marinhas na Baía da Flórida e no Banco de Campeche, a lagoa hipersalina da Laguna Madre e os pântanos do delta do Mississippi, maior complexo de marismas dos Estados Unidos. Recifes de coral aparecem em manchas isoladas: os Flower Garden Banks, sobre cúpulas salinas a 190 km da costa do Texas, abrigam os recifes mais setentrionais da plataforma norte-americana, e o santuário que os protege foi ampliado em 2021 de 145 km² para 414 km².
Em profundidade, o golfo é notável pelas comunidades quimiossintéticas associadas a exsudações naturais de hidrocarbonetos. Estima-se que entre 80.000 e 200.000 toneladas de petróleo escapem naturalmente do leito a cada ano, sustentando vermes tubícolas do gênero Lamellibrachia, mexilhões simbiontes e lagos de salmoura. Nos Montes de Campeche há ainda vulcões de asfalto, descritos em 2003, em que betume extravasa do fundo e se solidifica em cúpulas colonizadas por invertebrados.
Biodiversidade
Inventários regionais catalogam mais de 15.000 espécies marinhas no golfo, das quais cerca de 1.500 são peixes. A riqueza reflete a coexistência de habitats tropicais carbonáticos no sul, plataformas lodosas influenciadas por rios no norte e um domínio abissal isolado por soleiras rasas nas duas entradas.
- Tartaruga-de-kemp — Lepidochelys kempii, a mais ameaçada das tartarugas marinhas, nidifica quase só em Rancho Nuevo, Tamaulipas, em desovas coletivas chamadas arribadas.
- Baleia-de-rice — Balaenoptera ricei, descrita como espécie distinta em 2021, vive apenas no norte do golfo, no Cânion De Soto, com menos de cem indivíduos estimados.
- Sardinha-do-golfo — Brevoortia patronus sustenta uma das maiores pescarias por volume dos Estados Unidos, voltada a óleo e farinha de peixe.
- Pargo-vermelho — Lutjanus campechanus é a espécie de maior valor da pesca no norte do golfo, sob quotas rigorosas desde a década de 1990.
- Polvo-de-campeche — Octopus maya, endêmico da plataforma de Iucatã, base de uma pescaria artesanal mexicana.
Ilhas
O golfo tem poucas ilhas oceânicas verdadeiras, mas possui um dos sistemas de ilhas-barreira mais extensos do planeta: faixas arenosas separadas do continente por lagunas, que protegem a costa da energia das ondas e migram sob ação de tempestades. Do lado mexicano predominam ilhas calcárias baixas e cayos sobre bancos recifais.
- Ilha do Padre — Cerca de 180 km de extensão no litoral do Texas, considerada a maior ilha-barreira do mundo.
- Dry Tortugas — Sete ilhas coralinas no extremo oeste dos Cayos da Flórida, protegidas como parque nacional.
- Arrecife Alacranes — Maior estrutura recifal do golfo, com cinco cayos emersos sobre o Banco de Campeche.
Portos e rotas relevantes
A costa norte concentra o maior complexo portuário industrial das Américas. Houston lidera a movimentação de contêineres da bacia, com cerca de 3,8 milhões de TEU por ano; o Porto do Sul da Luisiana movimenta os maiores volumes de granéis dos Estados Unidos; e Corpus Christi tornou-se o principal terminal exportador de petróleo bruto do país.
Do lado mexicano, Veracruz e Altamira concentram carga geral e contêineres, Coatzacoalcos e Dos Bocas atendem à petroquímica, e Cuba opera Mariel na costa noroeste. O Canal Intracosteiro do Golfo acompanha o litoral norte-americano por mais de 1.700 km e o Rio Mississippi funciona como corredor de navegação até o centro do continente.
| Porto | País | Função predominante |
|---|---|---|
| Houston | Estados Unidos | Contêineres e petroquímica |
| Sul da Luisiana | Estados Unidos | Granéis agrícolas e minerais |
| Corpus Christi | Estados Unidos | Exportação de petróleo e gás liquefeito |
| Veracruz | México | Contêineres e veículos |
| Mariel | Cuba | Contêineres e zona industrial |
Importância econômica
O petróleo e o gás dominam a economia marinha. As águas federais norte-americanas produzem em torno de 1,8 milhão de barris por dia, cerca de 14% da produção nacional de petróleo bruto, a partir de mais de mil plataformas e de campos em lâminas d'água que chegam a 2.900 m. No lado mexicano, o campo de Cantarell, descoberto em 1976, atingiu cerca de 2,1 milhões de barris diários entre 2003 e 2004 e desde então cedeu a primazia ao complexo Ku-Maloob-Zaap.
A pesca concentra-se em poucas espécies: a sardinha-do-golfo responde pela maior parte do desembarque em peso nos Estados Unidos, seguida por camarão, ostra e pargo-vermelho. O turismo costeiro sustenta economias regionais inteiras, do Panhandle da Flórida a Cancún, e é a atividade mais vulnerável a derramamentos e florações de algas nocivas. Somam-se os terminais de gás natural liquefeito instalados no Texas e na Luisiana desde a década de 2010 e uma malha de mais de 40.000 km de dutos submarinos.
Importância ambiental
A zona morta do norte do golfo é o exemplo mais estudado de hipoxia costeira induzida por nutrientes. A cada verão, o nitrogênio e o fósforo carregados pelo Mississippi e pelo Atchafalaya alimentam florações cuja decomposição consome o oxigênio da água de fundo, e a estratificação criada pela água doce impede a reoxigenação. Desde 1985, uma campanha oceanográfica mede a área com menos de 2 mg de oxigênio por litro: o recorde é de 2017, com 22.700 km²; em 2024 a medição indicou cerca de 17.400 km², e a média de cinco anos ficou em 11.100 km², mais de duas vezes a meta de 4.900 km² fixada para 2035.
O golfo também sofreu o maior derramamento acidental de petróleo em mar da história. Em 20 de abril de 2010, a explosão da plataforma Deepwater Horizon, que perfurava o prospecto Macondo em 1.500 m de lâmina d'água, matou 11 trabalhadores e abriu um vazamento contido apenas em 15 de julho, após 87 dias. As estimativas oficiais apontam cerca de 4,9 milhões de barris liberados, e o acordo judicial de 2016 fixou em 20,8 bilhões de dólares as obrigações da operadora.
Problemas de conservação
Reduzir a carga de nutrientes exige mudanças no manejo do solo em toda a bacia do Mississippi, muito além do alcance das autoridades costeiras, o que explica a lentidão dos avanços frente às metas acordadas. Como o golfo é raso e cercado por infraestrutura, a mesma tempestade que destrói marismas pode danificar dutos e liberar contaminantes de sedimentos.
- Maré vermelha — A alga Karenia brevis provoca episódios recorrentes na plataforma da Flórida ocidental, com mortalidade de peixes, tartarugas e manatis.
- Vazamentos crônicos — Milhares de poços abandonados e dutos inativos nas águas rasas do norte constituem passivo permanente.
- Perda de marismas — A Luisiana perdeu cerca de 4.900 km² de zonas úmidas desde a década de 1930, por efeito dos diques do Mississippi, dos canais da indústria petrolífera e da subsidência do delta.
- Áreas protegidas — Além dos Flower Garden Banks, as reservas da biosfera de Los Petenes, Términos e Ría Lagartos e o Parque Nacional de Dry Tortugas.
Curiosidades
- A Fossa, os Montes e a Escarpa de Sigsbee levam o nome de Charles Dwight Sigsbee, que levantou a batimetria do golfo na década de 1870 a bordo do navio Blake.
- A cratera de Chicxulub, com cerca de 180 km de diâmetro, está soterrada sob a Península de Iucatã e é a assinatura do impacto associado à extinção do fim do Cretáceo.
- Vermes tubícolas da espécie Lamellibrachia luymesi, das exsudações frias do talude, estão entre os invertebrados mais longevos conhecidos, com mais de 250 anos.
- Um filme amador de 1947 em Rancho Nuevo mostra cerca de 40.000 fêmeas de tartaruga-de-kemp desovando em um único dia; em 1985 restavam cerca de 250 fêmeas nidificantes.
- O molhe de Progreso, em Iucatã, avança cerca de 6,5 km mar adentro porque a plataforma carbonática é rasa demais para um porto costeiro receber navios oceânicos.
Fontes
As informações deste verbete foram conferidas nas publicações abaixo. Sempre que os valores divergem entre elas, a divergência está registrada no próprio texto.
- NOAA — National Centers for Coastal Ocean Science. Gulf of Mexico Hypoxia Watch e medições anuais da zona hipóxica, 2024. Consultar publicação
- NOAA — Office for Coastal Management. Gulf of Mexico regional data and coastal economy profiles, 2024. Consultar publicação
- USGS. Coastal wetland loss and land change in the Mississippi River Delta, 2023. Consultar publicação
- Organização Hidrográfica Internacional. Limits of Oceans and Seas, Special Publication 23, 1953. Consultar publicação
- GEBCO. General Bathymetric Chart of the Oceans — grade batimétrica global, 2024. Consultar publicação
- NASA Earth Observatory. Loop Current, Gulf eddies and hurricane intensification, 2023. Consultar publicação
- FAO. Fishery and Aquaculture Country Profiles — Western Central Atlantic, área 31, 2024. Consultar publicação
Publicado por DatingYes · Atualizado em Sugerir uma correção
Conteúdos relacionados
Outros verbetes do acervo que ajudam a situar Golfo do México no conjunto das formações marinhas.
-
Mar
Mar do Caribe
Mar tropical entre as Antilhas e o istmo americano, berço da Corrente do Golfo e palco da temporada anual de furacões.
Área 2.754.000 km² Máx. 7.686 m
-
Canal natural
Canal de Yucatán
Passagem entre o México e Cuba que dá origem à Corrente do Laço e controla a água que entra no Golfo do México.
Área Cerca de 33.000 km² Máx. Cerca de 2.000 m
-
Mar
Mar dos Sargaços
Mar sem costas no centro do giro do Atlântico Norte, coberto por algas flutuantes e sem estatuto jurídico próprio.
Área Cerca de 4.000.000 km² Máx. Cerca de 6.000 m
-
Oceano
Oceano Atlântico
Segundo maior oceano, em forma de S, sede da Corrente do Golfo, da circulação de revolvimento meridional e de toda a costa do Brasil.
Área 106.460.000 km² Máx. 8.376 m
-
Golfo
Golfo da Califórnia
Rifte inundado de 1.126 km entre a Península da Baixa Califórnia e o México continental, um dos mares mais produtivos e mais ameaçados do mundo.
Área 160.000 km² Máx. Cerca de 3.700 m